dados biográficos dos 13 candidatos às presidenciais
As eleições presidenciais de domingo na Guiné- Bissau contam com 13 candidatos, cinco deles independentes, que disputam o voto dos cerca de 538 mil eleitores recenseados para escolher o sexto chefe de Estado do país, em 32 anos de independência.
Entre os concorrentes à sucessão de Henrique Rosa, há apenas uma mulher, Antonieta Rosa Gomes, líder do Fórum Cívico Guineense/Social Democracia (FCG/SD) e "veterana" das presidenciais, pois já concorreu às primeira e segunda eleições, realizadas em 1994 e 1999, ficando, em ambas, no último lugar.
à votação apresentam-se três ex-chefes de Estado - João Bernardo "Nino" Vieira (independente), presidente de 1980 a 1998; Malam Bacai Sanhá (apoiado pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde - PAIGC, no poder), na presidência entre 1998 e 2000, e Kumba Ialá (apoiado pelo Partido da Renovação Social - PRS), na chefia de 2000 a 2003.
Também dois ex-primeiros ministros estão na corrida: Francisco Fadul, líder do Partido Unido Social-Democrata (PUSD), que chefiou o Governo de Unidade Nacional (GUN) formado durante o conflito militar de 1998/99, e Faustino Imbali, presidente do Partido Manifesto do Povo (PMP), de Março a Dezembro de 2001, no consulado de Kumba Ialá.
Dois diplomatas, Adelino Mano Queta e Mário Lopes da Rosa, apresentam-se como independentes, o mesmo sucedendo a dois antigos dirigentes partidários - Empossa Ié e Iaia Djaló -, sendo os cinco restantes presidentes de outros tantos partidos.
A proliferação de candidatos (13 - contra os oito em 1994 e 12 em 1999), indicia a possibilidade de ser necessária uma segunda volta para eleger o novo chefe de Estado, facto que, a concretizar-se, decorrerá, segundo o calendário eleitoral, a 17 ou 24 de Julho, tudo dependendo do anúncio oficial dos resultados da votação de domingo.
Seguem-se dados biográficos de cada um dos candidatos (por ordem alfabética):
- ADELINO MANO QUETA, independente.
Licenciado em Ciências Políticas e Sociais, nasceu a 23 de Junho de 1941 (63 anos), em Mansoa, 60 quilómetros a norte de Bissau. Abraçou a carreira diplomática em 1985 na Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), onde trabalhou na sede da organização, em Lagos (Nigéria). Desde 1992 até 2002, foi embaixador em Portugal (duas vezes), Espanha, Itália, Marrocos, Conselho de Segurança da ONU e Taiwan. Até apresentar a sua candidatura era assessor diplomático do presidente cessante Henrique Rosa. Não tem qualquer filiação partidária.
- ANTONIETA ROSA GOMES, apoiada pelo Fórum Cívico Guineense/Social- Democracia (FCG/SD), do qual é líder. Licenciada em Política Administrativa e Financeira pela Faculdade de São Paulo, nasceu a 04 de Maio de 1959 (46 anos).
Fundadora do FCG/SD, a única mulher a apresentar-se às presidenciais guineenses já fez o mesmo nas eleições de 1994 e 1999, tendo, em ambas as votações, obtido o último lugar. Foi ministra dos Negócios Estrangeiros de um dos governos de Kumba Ialá.
- AREGADO MANTENQUE TÉ, apoiado pelo Partido do Trabalhador (PT), que dirige.Sem qualquer antecedente político na Guiné-Bissau, Aregado Mantenque Té, 42 anos, jurista de formação, fundou o PT em 2003, apresentando-se à votação como "um ilustre desconhecido".
- FAUSTINO IMBALI, apoiado pelo Partido Manifesto do Povo (PMP), que fundou em 2003 e ao qual preside. Sociólogo, doutorado em Sociologia do Desenvolvimento, Faustino Imbali foi director do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (INEP), além de coordenador do Centro de Estudos Sócio-Económicos (CESE). Entrou na política após o conflito militar de 1998/99, ao tornar-se conselheiro do então primeiro-ministro Francisco Fadul. Concorreu como independente às eleições presidenciais de Novembro de 1999 e foi o terceiro candidato mais votado. Entre Março e Dezembro de 2002, foi primeiro-ministro, cargo de que viria a ser afastado pelo então presidente Kumba Ialá.
- FRANCISCO FADUL, apoiado pelo Partido Unido Social-Democrata (PUSD), que lidera. Natural de Bissorã, 51 anos, foi primeiro-ministro do Governo de Unidade Nacional (GUN) após o conflito militar de 1998/99. Terminadas as funções, concluiu em Lisboa o mestrado em Ciências Políticas no domínio da Lusofonia, tendo fundado, em meados de 2002, ainda na capital portuguesa, o Partido do Desenvolvimento e Cidadania (PDC), que acabou, quando foi escolhido como sucessor de Vítor Saúde Maria, entretanto falecido, para a liderança do PUSD.
Nas legislativas de Março de 2004, e já sob a sua liderança, o PUSD elegeu 17 deputados, feito inédito.
- IAIA DJALÓ, 42 anos, antigo 1º vice-presidente do Partido da Renovação Social (PRS) apresenta-se pela primeira vez à votação como independente, depois de ter sido derrotado nas "primárias" dos "renovadores" por Kumba Ialá. Foi vice - presidente do parlamento e ministro dos Negócios Estrangeiros e da Presidência do Conselho de Ministros durante a presidência de Kumba. Antigo administrador do Sistema das Nações Unidas em Bissau, nomeadamente no Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
- IDRISSA DJALÓ, apoiado pelo Partido de Unidade Nacional (PUN), que lidera, nasceu a 06 de Janeiro de 1962 (43 anos) e só entrou na política em Julho de 2002, quando funda o PUN. Economista de formação, foi até essa altura empresário, ligado ao ramo petrolífero.
- JOÄO BERNARDO (Nino) VIEIRA, nasceu em Bissau a 27 de Abril de 1939 (66 anos) e foi presidente da Guiné-Bissau entre 1980 (depois do golpe de Estado que derrubou o primeiro presidente guineense, Luís Cabral), e 1998, altura em que foi afastado na sequência do conflito militar de 1998/99. A 24 de Setembro de 1973, em Madina do Boé, foi ele que "na qualidade de presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP, parlamento) das "zonas libertadas", leu a proclamação unilateral da independência da então província portuguesa da Guiné. Após a independência foi também comissário (equivalente a ministro) das Forças Armadas Revolucionárias do Povo (FARP) e chegou a Comissário Principal (primeiro- ministro) de Luís Cabral, em 1978. Após o conflito militar de 1998/99, exilou-se em Portugal, regressando em Maio deste ano a Bissau para se recensear como eleitor e apresentar a sua candidatura às presidenciais como independente.
- JOÄO TÁTIS SÁ, candidato do Partido do Progresso Guineense (PPG), de que é líder. Licenciado em Medicina em Lisboa, João Tátis Sá esteve ausente da campanha eleitoral devido a problemas de saúde, que o obrigaram a ficar retido em Lisboa. Concorreu como independente nas presidenciais de 1999 tendo obtido o quinto lugar entre 12 candidatos. No ano seguinte, em 2000, fundou o PPG.
- KUMBA IALÁ, apoiado pelo Partido da Renovação Social (PRS), é filósofo, teólogo e jurista, tendo sido presidente da Guiné-Bissau entre 2000 e 2003, altura em que foi afastado do poder através de um golpe de Estado. Considerado "enfant terrible" da política guineense, nasceu em 1953 (52 anos). Iniciou cedo a actividade política no então partido único, o PAIGC, de onde sairia em 1991 para fundar, em Janeiro de 1992, o PRS. Nas presidenciais de 1994, as primeiras após a abertura ao multipartidarismo, obrigou "Nino" Vieira a disputar uma segunda volta, que perderia pela margem mínima, ao obter 48 por cento dos votos.
Nas presidenciais de 1999, venceu a primeira volta e disputou a segunda contra Malam Bacai Sanhá, em Janeiro de 2000, que venceu com 72 por cento dos votos.
- MALAM BACAI SANHÁ, candidato do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC, no poder). Licenciado em Ciências Políticas, já foi presidente interino da Guiné-Bissau entre 1998 e 2000, cargo a que ascendeu interinamente na sequência do afastamento de "Nino" Vieira. De 1994 a 1998 foi presidente do parlamento. Derrotado nas últimas presidenciais à segunda volta, com 28 por cento dos votos, afastou-se temporariamente da política, e em Março passado foi escolhido pelo PAIGC, de que é apenas militante, candidato às presidenciais. Até 1994, e entre outros cargos, foi governador das regiões de Gabu e Bafatá, ambas no leste, e também ministro da Informação e da Administração Pública e Trabalho nos governos de "Nino" Vieira.
- MÁRIO LOPES DA ROSA, diplomata de carreira, tem um vasto currículo internacional. Conhecido em Bissau por ser uma das personalidades que mais deve ter viajado pelo mundo, "Maruca", como é localmente apelidado, esteve já colocado na antiga Comunidade Económica Europeia (CEE, actual União Europeia), Reino Unido, Bélgica, Holanda, França, Alemanha, Suíça, Áustria, Estados Unidos, ONU, Movimento dos Não Alinhados e Organização da Unidade Africana (OUA, actual União Africana). Participou em dezenas de encontros e de negociações em países em conflito e entre a UE e os países da África, Caraíbas e Pacífico (ACP). É amigo pessoal de "Nino" Vieira e não tem qualquer filiação partidária.
- PAULINO EMPOSSA IÉ, independente. Foi vice-presidente do Partido do Progresso Guineense (PPG), que abandonou depois de ter pedido a impugnação do congresso que elegeu para a presidência João Tátis Sá. O pedido foi indeferido pelo tribunal pelo que decidiu candidatar-se como independente às presidenciais, arrastando consigo alguns membros do PPG.