Delegação paquistanesa em Washington com longo caderno reivindicativo
Encontra-se em Washington para conversações com a secretária de Estado Hillary Clinton uma delegação paquistanesa de alto nível, incluindo o chefe da diplomacia, Shah Mahmoud Qureshi, o chefe de Estado-Maior do Exército, Ashqaf Parvez Kayani, e o chefe dos serviços secretos (ISI), Ahmed Shuja Pasha. Apesar da discrição da visita, a lista de exigências paquistanesa é longa e inclui uma rubrica referente à cooperação no domínio do nuclear.
A longa lista mencionada por Kazim preenche nada menos de 56 páginas e está a ser examinada pela Administração norte-americana. Uma primeira reunião com Hillary Clinton teve lugar, hoje, 4ª feira, em Washington.
A disponibilidade norte-americana para examinar um caderno reivindicativo de aparência tão exorbitante explica-se pela urgência que há em garantir uma colaboração paquistanesa no combate a uma corrente taliban em progressão acelerada e visível. A euforia que se seguiu, no mês passado, à detenção do número dois dos taliban, Abdul Ghani Baradar, durou pouco e em breve se tornou mesmo um motivo de preocupação.
Com efeito, Baradar passava por ser entre os taliban um partidário do diálogo e da negociação. Segundo o embaixador especial da ONU para o Afegansitão, Kai Eide, em delcarações proferidas na semana passada, a detenção de Baradar pelas forças de segurança paquistanesas veio apenas dificultar as conversações esboçadas com os taliban.
Para tornar tudo ainda pior, os dois substitutos de Baradar, entretanto nomeados desde o seu esconderijo clandestino pelo mullah Omar, são partidários da guerra à outrance. Trata-se de Akhtar Mohamemed Mansoor e de Abdul Qayum Zakir, um antigo prisioneiro de Guantánamo.
O diálogo com a delegação paquistanesa em Washington foi de certo modo eclipsado pela visita muito mais mediática do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu. Mas, ao contrário desta, que decorre até agora sem resultados palpáveis, a visita da delegação de Islamabad tem perspectivas de se saldar em compromissos sólido, porque a parte norte-americana está bem ciente da importância de oferecer aos interlocutores paquistaneses contrapartidas aliciantes.
Resta a ponderação dos danos políticos colaterais que qualquer dessas contrapartidas poderá causar, em especial as que se referem ao nuclear: para a Índia, crónica rival do Paquistão, que não pode rejubilar à notícia de um nuclear paquistanês reforçado por essa via; e para o xadrez político mais geral, de pressões contra o acesso do Irão ao nuclear, complicado pelo precedente que se abre com mais este passo na nuclearização dum outro regime islâmico.