Descoberta a teia de aranha mais antiga do mundo com insectos presos - Science
Uma equipa de investigadores descobriu a teia de aranha mais antiga do mundo, com cerca de 110 milhões de anos, durante uma escavação arqueológica na província espanhola de Teruel, revela hoje a revista científica Science.
Datada do período do Cretácico inferior, a teia de aranha está fossilizada em pequenos fragmentos de âmbar de pequenas dimensões e contém vários insectos presos.
O estudo foi conduzido por investigadores do Instituto Cavanilles de Biodiversidade e Biologia Evolutiva da Universidade de Valência, do Departamento de Estratigrafia, Paleontologia e Geociências Marinhas da Universidade de Barcelona e do Museu Americano de História Natural de Nova Iorque.
Segundo Xavier Delclós, da Universidade de Barcelona, a teia de aranha originalmente poderia ter dimensões entre dois e três centímetros, apesar de a parte fossilizada encontrada no âmbar ser de apenas cinco a seis milímetros, mas com uma elevada densidade de insectos.
De acordo com as investigações, a teia seria pegajosa, vertical e orbicular (sobre um sistema de fios radiais) e com propriedades elásticas, ou seja, uma "teia complexa", salientou o paleontólogo.
O âmbar preservou 26 fios de seda, muitos deles ligados uns aos outros, gotas de resina e vários pequenos insectos.
O biólogo Enrique Peñalver, da Universidade de Valência, especificou que os insectos presos na teia são um ácaro, uma vespa, um escaravelho e uma mosca de uma espécie desconhecida.
Os investigadores explicaram que a datação do achado coincide com uma explosiva diversificação de plantas que substituíram no Cretácico inferior grandes massas de vegetação cerrada, dando lugar a sistemas de prados com erva e flores e a uma especialização dos insectos.
Xavier Delclós explicou que o âmbar descoberto se formou num bosque de coníferas do grupo das Araucariaceas, que actualmente se encontram apenas na América do Sul e Nova Zelândia, e que as gotas de resina fossilizaram juntamente com depósitos de carvão, existente naquela zona.
O fóssil foi descoberto em finais de 2003 e submetido a um trabalho rigoroso, intenso e pluridisciplinar no laboratório do Museu Americano de História Natural, onde se constatou a importância da descoberta.
Até ao momento os restos descobertos mais antigos de uma teia de aranha apareceram no Líbano e datam de há 125 milhões de anos, embora dessa estrutura não existam mais do que "uns fios soltos sem nenhum tipo de insecto preso", especificou Delclós à EFE.
Esta descoberta vem confirmar que as aranhas e as suas complexas e pegajosas teias são antigas o suficiente para ter afectado a evolução dos mais variados grupos de insectos, disseram os investigadores.