Desminagem do estreito de Ormuz na agenda de Trump na cimeira do G7
O processo de desminagem do estreito de Ormuz deverá ser um dos temas na agenda do Presidente dos EUA, Donald Trump, na cimeira do G7, a decorrer na próxima semana em França, disse hoje um responsável norte-americano.
Reino Unido e França, ambos no G7, já manifestaram interesse na remoção de minas nesta importante via para o transporte hidrocarbonetos, num momento em que se aproxima a esperada assinatura de um acordo para pôr fim à guerra entre Irão e Estados Unidos da América (EUA) e Israel.
O responsável falou aos jornalistas sob anonimato, de acordo com regras estabelecidas pela Casa Branca e, segundo a Associated Press, Trump também pretende reunir-se à margem com os líderes do Egito, Qatar e Emirados Árabes Unidos com vista a terminar a guerra no Irão.
A assinatura do acordo deverá acontecer nos próximos dias, conforme afirmaram hoje responsáveis de Irão e do Paquistão, que tem servido como mediador na resolução do conflito.
Segundo o responsável pela diplomacia iraniana, o documento debruça-se principalmente sobre o fim da guerra. "Por enquanto, decidiu-se não abordar a questão nuclear", disse Esmail Baghai, citado pela agência Fance-Presse (AFP).
Sobre outros conflitos, a Casa Branca não especificou se Trump irá encontrar-se com o homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky.
Trump parte para França na madrugada de domingo para segunda-feira, assim que terminar a noite de combates de artes marciais mistas da liga UFC, organizada nos jardins da Casa Branca.
À chegada, terá uma reunião bilateral com o Presidente francês, Emmanuel Macron, seguida de uma receção oficial e de um jantar de trabalho com os líderes do G7 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo, que conta também com a representação da União Europeia).
No dia seguinte, Trump e Zelensky vão participar na mesma reunião de trabalho, embora esteja previsto um encontro bilateral entre os dois chefes de Estado, que não se encontram desde dezembro de 2025, então na residência do Presidente norte-americano na Florida (Mar-a-Lago).
No último dia, Trump vai reunir-se com o Presidente egípcio, Abdel Fattah El-Sisi, e com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.
Na agenda do chefe de Estado norte-americano está também a participação num jantar organizado pelo homólogo francês, Emmanuel Macron, no Palácio de Versalhes, para comemorar os 250 anos da independência dos Estados Unidos da América, disseram hoje fontes da Presidência francesa.
O jantar deverá acontecer depois da cimeira dos chefes de Estado do G7 (EUA, França, Reino Unido, Alemanha, Japão, Canadá e Itália), que decorre entre segunda e quarta-feira na cidade de Évian, no leste do país.
O jantar em Versalhes tem um significado histórico para os dois países uma vez que foi lá que, em 1783, se assinou o tratado que consagrou a independência do país norte-americano.
A cimeira do G7, sob presidência francesa, pretende chegar a acordos sobre questões globais como a regulamentação digital ou as guerras no Médio Oriente e Ucrânia.
Esta é a primeira vez que os líderes dos sete países se reúnem desde o início da guerra contra o Irão.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, apresentado como tendo apenas fins civis.
Em retaliação à ofensiva, o Irão encerrou o estreito de Ormuz, abalando a economia mundial, e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Barém, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.