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Dez anos depois, dois terços dos britânicos consideram que o Brexit foi "negativo"
Para a maioria dos britânicos, o Brexit foi um fracasso: ficaram mais pobres e menos seguros, revela um estudo do European Council on Foreign Relations divulgado esta segunda-feira.
Para dois terços dos britânicos, o Brexit teve um impacto negativo no custo de vida, uma posição que está agora a impulsionar a procura de laços económicos mais estreitos com a União Europeia (UE), com 46% dos inquiridos a favor contra e 13% contra.
Para 63% dos eleitores - incluindo um grande número apoiantes do Reform UK, bem como apoiantes do "Leave" em 2016 - aceitariam agora o regresso da liberdade de circulação em troca de relações comerciais mais estreitas com a UE.
Os britânicos também apontam a Europa em vez dos Estados Unidos como parceiro de segurança preferido. Apenas 18% veem agora os EUA como aliados, enquanto a maioria encara hoje os vizinhos continentais, incluindo França, Alemanha, Polónia e Espanha, como parceiros com valores partilhados. 58% também são favoráveis a relações de defesa mais estreitas com a Europa (em comparação com 19% para os EUA), enquanto 47% procurariam apoio da UE numa crise, comparados com apenas 10% que se voltariam para Washington.
Para 66% dos britânicos, o o Brexit foi "negativo" para o Reino Unido e agravou os resultados em questões fundamentais, incluindo o custo de vida, o crescimento económico, as oportunidades para os jovens, o comércio e a gestão da imigração ilegal.
Relatam impactos negativos no custo de vida (66%), na economia (65%), nas oportunidades para os jovens (57%), na imigração ilegal (56%) e no comércio e na burocracia (56%).
Mesmo os 58% dos que votaram a favor do Brexit consideram que este agravou os problemas do país com a migração ilegal - uma questão que esteve no centro da campanha do referendo.
Quando questionados sobre os principais benefícios do Brexit, a resposta mais comum, por uma margem significativa, foi "não sei", seguida de perto por "nenhuma das anteriores". Mais contudente ainda, 57% dos inquiridos consideram que foi "errado" o Reino Unido ter deixado a UE.
Este relatório baseia-se em quatro sondagens online realizadas a eleitores britânicos adultos pela Mandate (anteriormente Datapraxis) e pela YouGov, em nome do European Council on Foreign Relations (ECFR), um think tank pan-europeu que tem como objetivo realizar investigação e promover um debate informado na Europa sobre o desenvolvimento de uma política externa europeia.
Dados conhecidos na véspera do aniversário dos dez anos do referendo e no dia em que o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, apresentou a demissão. Starmer foi o sexto primeiro-ministro do Reino Unido desde o voto histórico que levou o país a abandonar a União Europeia. David Cameron, Theresa May, Boris Johnson, Liz Truss e Rishi Sunak foram os seus antecessores neste período de dez anos marcado por sucessivas demissões e turbulência política.