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Dezenas de ucranianos deportados pelo ICE acabam a combater na Ucrânia

Dezenas de ucranianos deportados pelo ICE acabam a combater na Ucrânia

Muitos ucranianos estão a ser deportados dos EUA pelo serviço de imigração (ICE) e assim que chegam à Ucrânia são enviados para centros de treino para depois irem combater para a linha da frente da guerra.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Adam Gray - Reuters

A notícia é avançada pela CNN, que conta a história de dezenas de ucranianos que foram deportados pelo ICE, nos EUA, e enviados para o campo de batalha na Ucrânia.

Desde que Donald Trump entrou na Casa Branca para o seu segundo mandato, os EUA intensificaram o controlo sobre a imigração e realizaram uma campanha de deportação em massa.

No entanto, para os ucranianos em idade de combate, a deportação pode levá-los diretamente para a linha da frente da guerra, numa altura em que as forças armadas da Ucrânia estão a ficar cada vez mais escassas. Em muitos casos, os cidadãos ucranianos foram deportados sob falsas acusações de serem imigrantes ilegais.

“Quando eu estava no avião para a Ucrânia, eu sabia o que ia acontecer. Mas eu tinha esperança de que pelo menos me deixassem voltar para casa primeiro. Tudo aconteceu ainda mais rápido do que eu imaginava. Eu nunca cheguei em casa; ainda não vi meus pais”, disse à CNN Volodymyr Dudnyk, um jovem de 28 anos que foi detido por oficiais do serviço militar ucraniano quase imediatamente após cruzar a fronteira para a Ucrânia, depois de ser deportado dos Estados Unidos.

Dudnyk passou 51 dias no campo de treino básico e depois algumas semanas a treinar como operador de drones. Agora está a lutar na linha de frente no leste da Ucrânia.

De acordo com a lei ucraniana, todos os homens entre os 25 e 60 anos estão sujeitos à mobilização para a guerra. Segundo o Ministério da Defesa da Ucrânia, cerca de dois milhões de homens são atualmente considerados "procurados" por se recusarem a servir no exército e cerca de 200 mil soldados estão ausentes sem licença oficial.

Muitos desses homens fugiram do país ou estão a tentar esconder-se dos oficiais de recrutamento, que estão constantemente à procura de desertores.

Em novembro, um grupo de 45 ucranianos foi deportado dos EUA pelo ICE. O Serviço Estatal de Fronteiras da Ucrânia informou à CNN que, dos 45 homens, 24 eram considerados “procurados” para o serviço militar obrigatório e foram entregues à polícia, que, por sua vez, os levou ao gabinete de recrutamento militar.

Muitos ucranianos entraram nos EUA através do programa humanitário Unidos pela Ucrânia (U4U). Lançado durante a governação de Joe Biden, o programa permitia a cidadãos ucranianos residir e trabalhar temporariamente nos EUA até dois anos. Ao fim deste período, os cidadãos podiam pedir uma prorrogação da estadia.
Em janeiro de 2025, quando Donald Trump assumiu a presidência, o programa foi suspenso, bem como com todos os outros programas de liberdade condicional humanitária.

Desde então, o Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS), uma agência do Departamento de Segurança Interna (DHS), deixou de aceitar novos pedidos para aceder ao programa humanitário e afirmou que os pedidos individuais de renovação seriam concedidos apenas em casos de “razões humanitárias urgentes contínuas ou benefício público significativo”.

“No papel, as proteções para os ucranianos ainda estão em vigor… mas, neste momento, o ICE tem ampla autoridade para prender qualquer pessoa”
, disse Julia Bikbova, uma advogada americano-ucraniana especializada em imigração e direito internacional, à CNN.

Um porta-voz do Departamento de Segurança Interna atribuiu a responsabilidade pelas deportações de ucranianos para um país ainda em guerra ao governo anterior.
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