Dia da Catalunha trouxe à rua mais de um milhão pela proposta independentista

Dia da Catalunha trouxe à rua mais de um milhão pela proposta independentista

A Diada, ou dia da Catalunha, foi marcada por uma gigantesca manifestação dos apoiantes da independência, num ambiente de festa e de expetativa.

RTP /
Este ano, a Diada coincidiu com o arranque da campanha eleitoral para as eleições antecipadas na Catalunha a 27 de setembro e teve por isso o nome 'Via Lliure a la República Catalana' (Via Livre para a República Catalã).

Um aspecto da manifestação independentista que marcou a Diada, ou Dia da Catalunha, na tarde de 11 de setembro de 2015 em Barcelona Foto: Reuters

A manifestação foi organizada ao pormenor, incluindo um site com fichas de inscrição, indicações de mobilidade e até um esquema organizativo que encheu de cores simbólicas cinco quilómetros da Meridional, uma das principais avenidas de Barcelona.

A hora de início da manifestação, 17h40, hora local, foi igualmente carregada de simbolismo, já que faz referência a 1714, o ano da rendição de Barcelona perante o ataque das tropas de Felipe V, na Guerra da Sucessão Espanhola

Para muitos partidos, as eleições de 27 de setembro serão um plebiscito à independência.

"Neste 11 de setembro a Meridiana vai ser a onda da esperança que trazemos para conseguir uma maioria independentista a 27S e, por isso, temos de ir todos", lia-se no site organizado pela Assembleia Nacional Catalã (ANC) que promoveu a jornada.

Horas antes do início da Diada, o local de concentração dos manifestantes estava já cheio de centenas de milhares de pessoas, vestidas de diversas cores ou empunhando cartolinas coloridas.

A organização pensou tudo de modo a que os cinco quilómetros da avenida Meridiana, onde decorreu a manifestação, ficassem divididos por cores, de acordo com um esquema apresentado no site da "Via Lliure 2015".



De acordo com o esquema e pela ordem dada pela organização, a cor amarela  correspondeu à Democracia, o azul escuro ao Equilíbrio Territorial, a cor de tijolo à Solidariedade, o azul turquesa ao Mundo, o verde-lima à Diversidade, o verde-seco à Sustentabilidade, o rosa à Igualdade, o bege à Justiça Social, o rosa-velho à Inovação e, finalmente, o amarelo escuro à Cultura e Educação.

A intenção foi formar um mosaico humano simbolizando a página em branco e o novo país que os independentistas esperam construir após a eleição de 27 de setembro.

Até quinta-feira estavam inscritas 360.000 pessoas, mas a organização esperava pelo menos meio milhão de participantes. Afinal, as estimativas acabaram por oscilar entre 1,4 e 2 milhões de pessoas - sendo esta última a estimativa dos organizadores.

Um aspecto da manifestação independentista que encheu a avenida Meridional de Barcelona na Diada, ou Dia da Catalunha, de 2015 Foto: Reuters

"É imprescindível encher a Meridiana, para arrancar em força a corrida até 27S", referia a organização. "Esta há-de ser a última Diada por um pais novo, a mais multitudinária das que se têm realizado até agora."
Irritação do Governo de Madrid
Segundo citação do diário El Pais, Soraya Sáenz de Santamaría, a vicepresidente do Governo de Mariano Rajoy, lamentou que a Diada de Cataluña, na origem uma "festa de todos os catalães", se tenha "convertido num comício eleitoral de [Artur] Mas", o presidente da Generalitat (Governo catalão).

Ainda antes de o seu Governo se ver confrontado com a forte participação popular nas ruas de Barcelona, Santamaria acusou Mas de "utilizar as instituições" de Governo autonómico para favorecer a sua campanha eleitoral e intimou-o a "não utilizar o que é de todos em benefício dos interesses eleitorais de uns quantos".

Numa conferência de imprensa, demarcou-se de declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros, José Manuel García Margallo, que se tinha pronunciado a favor de uma reforma constitucional que tivesse em conta "a realidade catalã".

PUB