Diplomata argentina Virginia Gamba abandona corrida a secretária-geral da ONU
As Maldivas retiraram o seu apoio à candidatura da diplomata argentina Virginia Gamba a secretária-geral da ONU, eliminando-a assim da corrida ao cargo, anunciou hoje a porta-voz da Assembleia-Geral da organização.
A candidatura da ex-representante especial da ONU para a proteção de crianças em conflitos armados foi anunciada em meados de março, mas as Maldivas informaram a ONU "da sua decisão de retirar a nomeação", disse La Neice Collins à comunicação social.
Como a candidatura foi apresentada apenas por um Estado, ficou automaticamente invalidada.
Hoje, o novo Governo chileno, de extrema-direita, notificou também formalmente a ONU da retirada do apoio do Chile à candidatura de Michelle Bachelet.
A ex-chefe de Estado chilena mantém-se, contudo, na corrida ao cargo de secretária-geral da ONU, porque conta ainda com o apoio do México e do Brasil.
Há mais três candidatos a substituir António Guterres a partir de 01 de janeiro de 2027: Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica; Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA); e Macky Sall, antigo presidente do Senegal.
Todos eles serão alvo de audições pelos Estados-membros das Nações Unidas na segunda quinzena de abril.
Cada potencial candidato deve ser oficialmente nomeado por pelo menos um Estado ou grupo de Estados, mas não necessariamente pelo seu país de origem.
Segundo uma tradição de rotação geográfica que nem sempre se cumpre, o cargo de secretário-geral da ONU deverá desta vez caber à América Latina. Muitos Estados defendem também que uma mulher ocupe pela primeira vez o cargo.
Mas são os membros do Conselho de Segurança, que iniciarão o processo de seleção até ao final de julho --- e, em particular, os cinco membros permanentes com poder de veto (Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França) --- que têm realmente nas mãos o futuro dos candidatos.
Com efeito, só por recomendação do Conselho de Segurança é que a Assembleia-Geral pode eleger o secretário-geral para um mandato de cinco anos, renovável por igual período.
António Guterres assumiu as funções como secretário-geral das Nações Unidas em janeiro de 2017.