Direitos das mulheres no Iraque são desrespeitados
A Organização para a Liberdade das Mulheres no Iraque denunciou hoje que os direitos destas são actualmente desrespeitados naquele país e que a nova Constituição, cuja redacção está em curso, não alterará nada, criticando a passividade da Força Multinacional.
"A Constituição não mudará nada na triste realidade actual do Iraque e, se eles introduzirem a sharia (lei islâmica) ou fizerem do Islão a base da lei, será uma catástrofe para as mulheres e para a sociedade em geral", afirmou à rádio da BBC a representante em Londres da organização, Huzan Mahmud.
"Não queremos recuar centenas de anos, a uma época medieval em que a sociedade era dirigida pela religião e em que as mulheres eram cidadãs de segunda", insistiu a activista, segundo a qual, "de facto, as mulheres se tornariam escravas".
Actualmente, as mulheres já são submetidas a uma violência extrema, assinalou Huzan Mahmud, sublinhando a presença de partidos islâmicos no Parlamento e o envolvimento na "auto-denominada resistência" de movimentos islâmicos que "utilizam o pretexto da ocupação para aterrorizar a sociedade, para aterrorizar as mulheres, para as decapitar, matar, obrigá-las a andar de véu".
"Tudo isso se passa já actualmente no Iraque. Desde o início da ocupação, o conjunto da sociedade regrediu, os crimes de honra estão a aumentar (Ó) Posso acusar a ocupação, porque é a única grande razão de toda a incerteza que actualmente reina no Iraque, da falta de estabilidade, desta islamização crescente e da escalada do Islão político, não apenas no Iraque mas em todo o mundo", afirmou a responsável.
No que diz respeito aos problemas das mulheres, "nem a polícia iraquiana nem as forças de ocupação" actuam, "não é um problema delas", acusa.
"A tarefa do governo no poder e das forças de ocupação é primeiro assegurar-se de que os interesses norte-americanos são preservados, bem como a hegemonia norte-americana no mundo", denunciou Huzan Mahmud.