Diretora de serviços secretos dos EUA recusa confirmar se havia "ameaça iminente"
A diretora dos serviços secretos norte-americanos recusou hoje novamente confirmar declarações do Presidente, Donald Trump, de que o Irão representava "uma ameaça iminente", antes dos ataques israelo-norte-americanos que desencadearam a guerra no Médio Oriente.
"Se o Presidente pode decidir ignorar o que a senhora faz, porque é que ainda tem emprego?", perguntou o congressista democrata da Califórnia Jimmy Gomez, durante uma audição de Tulsi Gabbard numa comissão da Câmara dos Representantes, depois de esta e o diretor da CIA (agência de serviços secretos externos dos Estados Unidos), John Ratcliffe, terem afirmado que cabia ao Presidente norte-americano avaliar o grau de urgência de uma ameaça.
Na quarta-feira, Gabbard já se tinha esquivado às perguntas de uma comissão do Senado.
Numa declaração escrita, a responsável afirmou então que "nenhum esforço" tinha sido feito pelos líderes iranianos "para tentar restaurar as suas capacidades de enriquecimento" de urânio desde os bombardeamentos norte-americanos a instalações nucleares de junho de 2025, mas não acrescentou mais informação ao pronunciar-se oralmente sobre a matéria.
Hoje, limitou-se a dizer que tinha transmitido ao Presidente "a análise objetiva" dos serviços secretos.
Na audiência sobre as ameaças globais à segurança dos Estados Unidos, Gabbard insistiu que o Presidente foi informado sobre o potencial impacto de uma guerra na economia e nos preços do petróleo e do gás, antes da operação norte-americana e israelita no Irão.
Depois de confirmar a sua presença numa das reuniões em que Trump recebeu a informação, a diretora das secretas repetiu que o alerta sobre os riscos económicos foi dado: "Sim, essas são as avaliações da comunidade de serviços secretos, e essas avaliações foram fornecidas".
A responsável, que ao longo da sua carreira sempre se opôs a uma intervenção no Irão, deixou claro que as suas declarações não eram opiniões pessoais, cingindo-se às análises dos serviços secretos: "Foi-me exigido que deixasse de lado opiniões pessoais e políticas para garantir que as avaliações dos serviços secretos não eram influenciadas pelos meus pontos de vista pessoais".
Confirmou também que o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, está "gravemente ferido".
Inquirida sobre o facto de os governantes norte-americanos parecerem mais incertos que há dois meses em relação às intenções do poder iraniano, Tulsi Gabbard respondeu tratar-se de uma "avaliação justa".
Os serviços secretos estão desde terça-feira abalados pela demissão de um alto responsável norte-americano do combate ao terrorismo, Joseph Kent.
Na carta de demissão que dirigiu a Donald Trump, Kent sustentou que "o Irão não representava qualquer ameaça iminente" para os Estados Unidos e que a guerra tinha sido desencadeada "por pressão de Israel e do seu poderoso `lobby` norte-americano".
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.
Em retaliação, o Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.
Incidentes com projéteis iranianos foram também registados em Chipre, na Turquia e no Azerbaijão.
As autoridades iranianas contabilizaram 1.348 civis mortos - entre os quais o `ayatollah` Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica desde 1989, entretanto substituído pelo seu segundo filho, Mojtaba Khamenei, e o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani - e mais de 10.000 civis feridos.
Segundo a organização não-governamental norte-americana Human Rights Activists News Agency (HRANA), morreram até agora no Irão, em consequência do conflito, pelo menos 3.134 pessoas.