Mundo
Diretora dos Serviços Secretos Nacionais do Governo Trump demitiu-se
Tulsi Gabbard justificou a sua saída com o diagnóstico do marido com um cancro ósseo raro, mas Gabbard vinha a perder a confiança da Casa Branca devido ao seu ceticismo em relação à guerra contra o Irão.
Tulsi Gabbard, diretora dos Serviços Secretos Nacionais dos Estados Unidos, apresentou esta sexta-feira a demissão ao presidente norte-americano, Donald Trump.
"Lamentavelmente, tenho de apresentar a minha demissão, que se tornará efetiva a partir de 30 de junho de 2026", escreveu Tulsi Gabbard na carta de demissão endereçada a Trump.
Gabbard justificou a demissão afirmando que foi recentemente diagnosticada ao marido "uma forma extremamente rara de cancro ósseo".
"Não posso, em boa consciência, pedir-lhe que enfrente esta luta sozinho enquanto eu continuo neste cargo exigente e que consome muito tempo", disse Gabbard na carta, publicada no X.
Gabbard foi uma apoiante leal de Trump durante a sua campanha presidencial de 2024, mas ultimamente não deixava esconder as suas divergências com o presidente norte-americano, nomeadamente em relação à guerra no Irão.
Em março, durante uma audiência do Comité de Inteligência do Senado, Gabbard afirmou que o Irão não estava perto de adquirir uma arma nuclear - uma declaração que contradiz a retórica de Trump que justificava o início da ofensiva contra a República Islâmica.
Trump admitiu, depois, divergências com Gabbard em relação ao Irão, afirmando que era “mais branda” do que ele em relação às ambições nucleares de Teerão.
Um alto funcionário da Casa Branca afirmou, na altura, que Trump tinha manifestado descontentamento com Gabbard nos últimos meses. Outra fonte com conhecimento direto do assunto disse que o presidente tinha pedido a aliados as suas opiniões sobre possíveis substitutos para o chefe dos serviços secretos.
Os sinais do descontentamento da Casa Branca incluíram a ausência de Gabbard nas deliberações entre Trump e os seus principais conselheiros de segurança nacional sobre a operação militar norte-americana que depôs o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, a guerra com o Irão e Cuba.
"Foi expulsa pela Casa Branca", disse à Reuters uma fonte familiarizada com a saída de Gabbard. "A Casa Branca está descontente com ela há bastante tempo", acrescentou a mesma fonte.
Forte opositora das intervenções militares no estrangeiro
Tulsi Gabbard foi congressista democrata pelo Hawai entre 2013 e 2021, tornando-se a primeira hindu a servir na Câmara dos Representantes. Ficou conhecida pelas suas críticas às intervenções militares dos Estados Unidos no estrangeiro, com as guerras no Iraque e na Síria. Em 2020, candidatou-se às primárias presidenciais democratas, mas em 2022 abandonou o partido e, em 2024, juntou-se às fileiras republicanas e alinhou-se com Trump.
Durante anos, Gabbard criticou as sanções à Rússia e mostrou-se cética quanto ao apoio militar norte-americano à Ucrânia, pelo que os seus críticos a rotularam de “pró-russa”.
Também foi muito criticada pela viagem que fez em 2017 à Síria, onde se reuniu com o então presidente, Bashar al-Assad.
Foi nomeada para o cargo de diretora dos Serviços Secretos Nacionais logo após Trump vencer as eleições. Gabbard liderou várias iniciativas com o objetivo de erradicar a politização da comunidade dos serviços secretos. Entre outras medidas, Gabbard aprovou a revogação das autorizações de segurança de 37 funcionários e ex-funcionários do Governo norte-americano.
A saída de Gabbard ocorre dois meses depois de o seu principal assessor, o ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, Joe Kent, ter deixado o governo em protesto contra a guerra no Irão, instando o presidente a "mudar de rumo".
Esta é também a terceira mudança no gabinete de Trump este ano, após a demissão de Kristi Noem do cargo de secretária da Segurança Interna, em março, e de Pam Bondi do cargo de procuradora-geral, em abril.
c/agências
"Lamentavelmente, tenho de apresentar a minha demissão, que se tornará efetiva a partir de 30 de junho de 2026", escreveu Tulsi Gabbard na carta de demissão endereçada a Trump.
Today, with great humility and sincere appreciation, I shared the below letter with President Trump. It has been a profound honor to serve the American people as DNI. pic.twitter.com/p7AZ4wa9Yi
— DNI Tulsi Gabbard (@DNIGabbard) May 22, 2026
Gabbard justificou a demissão afirmando que foi recentemente diagnosticada ao marido "uma forma extremamente rara de cancro ósseo".
"Não posso, em boa consciência, pedir-lhe que enfrente esta luta sozinho enquanto eu continuo neste cargo exigente e que consome muito tempo", disse Gabbard na carta, publicada no X.
“Tulsi fez um trabalho incrível e vamos sentir muito a sua falta”, disse Trump na Truth Social, anunciando que o vice-diretor dos Serviços Secretos, Aaron Lukas, assumirá o cargo de diretor interino dos Serviços Secretos.
Gabbard foi uma apoiante leal de Trump durante a sua campanha presidencial de 2024, mas ultimamente não deixava esconder as suas divergências com o presidente norte-americano, nomeadamente em relação à guerra no Irão.
Em março, durante uma audiência do Comité de Inteligência do Senado, Gabbard afirmou que o Irão não estava perto de adquirir uma arma nuclear - uma declaração que contradiz a retórica de Trump que justificava o início da ofensiva contra a República Islâmica.
Trump admitiu, depois, divergências com Gabbard em relação ao Irão, afirmando que era “mais branda” do que ele em relação às ambições nucleares de Teerão.
Um alto funcionário da Casa Branca afirmou, na altura, que Trump tinha manifestado descontentamento com Gabbard nos últimos meses. Outra fonte com conhecimento direto do assunto disse que o presidente tinha pedido a aliados as suas opiniões sobre possíveis substitutos para o chefe dos serviços secretos.
Os sinais do descontentamento da Casa Branca incluíram a ausência de Gabbard nas deliberações entre Trump e os seus principais conselheiros de segurança nacional sobre a operação militar norte-americana que depôs o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, a guerra com o Irão e Cuba.
"Foi expulsa pela Casa Branca", disse à Reuters uma fonte familiarizada com a saída de Gabbard. "A Casa Branca está descontente com ela há bastante tempo", acrescentou a mesma fonte.
Forte opositora das intervenções militares no estrangeiro
Tulsi Gabbard foi congressista democrata pelo Hawai entre 2013 e 2021, tornando-se a primeira hindu a servir na Câmara dos Representantes. Ficou conhecida pelas suas críticas às intervenções militares dos Estados Unidos no estrangeiro, com as guerras no Iraque e na Síria. Em 2020, candidatou-se às primárias presidenciais democratas, mas em 2022 abandonou o partido e, em 2024, juntou-se às fileiras republicanas e alinhou-se com Trump.
Durante anos, Gabbard criticou as sanções à Rússia e mostrou-se cética quanto ao apoio militar norte-americano à Ucrânia, pelo que os seus críticos a rotularam de “pró-russa”.
Também foi muito criticada pela viagem que fez em 2017 à Síria, onde se reuniu com o então presidente, Bashar al-Assad.
Foi nomeada para o cargo de diretora dos Serviços Secretos Nacionais logo após Trump vencer as eleições. Gabbard liderou várias iniciativas com o objetivo de erradicar a politização da comunidade dos serviços secretos. Entre outras medidas, Gabbard aprovou a revogação das autorizações de segurança de 37 funcionários e ex-funcionários do Governo norte-americano.
A saída de Gabbard ocorre dois meses depois de o seu principal assessor, o ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, Joe Kent, ter deixado o governo em protesto contra a guerra no Irão, instando o presidente a "mudar de rumo".
Esta é também a terceira mudança no gabinete de Trump este ano, após a demissão de Kristi Noem do cargo de secretária da Segurança Interna, em março, e de Pam Bondi do cargo de procuradora-geral, em abril.
c/agências