Donos de discoteca na República Dominicana vão ser julgados por homicídio involuntário

Donos de discoteca na República Dominicana vão ser julgados por homicídio involuntário

Os irmãos proprietários da discoteca de Santo Domingo, na República Dominicana, onde 236 pessoas morreram e mais de 180 ficaram feridas devido ao desabamento do telhado, no ano passado, serão julgados por homicídio involuntário, decidiu hoje um juiz.

Lusa /
XP3 Group via EPA

António e Maribel Espaillat, proprietários da discoteca Jet Set, podem enfrentar até dois anos de prisão se forem considerados culpados.

O desabamento ocorreu em 08 de abril de 2025 e as autoridades trabalharam freneticamente durante dias para resgatar as pessoas soterradas sob os escombros.

Os procuradores já tinham acusado os Espaillat de tentarem intimidar ou manipular os funcionários.

Antonio Espaillat é considerado um empresário influente, proprietário de centros de entretenimento de luxo e de dezenas de estações de rádio locais.

O Ministério Público afirmou dispor de centenas de provas que ligam os irmãos ao desabamento.

Centenas de pessoas, incluindo atletas e políticos, encontravam-se no Jet Set quando o telhado desabou, assistindo a um concerto da cantora Rubby Pérez, que estava entre as vítimas.

Entre os demais encontrava-se o ex-jogador de basebol na liga norte-americana Octavio Dotel, que foi retirado dos escombros, mas morreu no hospital.

Segundo especialistas ouvidos fora do sistema judicial, as causas do acidente foram a sobrecarga do telhado com equipamento de ar condicionado excessivamente pesado e a deterioração gradual da estrutura do edifício devido à humidade acumulada e às vibrações prolongadas provocadas pela música alta e pelos bailarinos, tudo agravado pela falta de supervisão.

O próprio Espaillat declarou numa entrevista televisiva em 23 de abril que o local sempre teve problemas de infiltração de água e nunca foi inspecionado pelas autoridades.

No dia da detenção dos proprietários, a justiça dominicana afirmou num comunicado que "os dois arguidos demonstraram imensa irresponsabilidade e negligência ao não terem realizado a intervenção física que teria impedido o desabamento do teto da discoteca, como ocorreu, provocando 236 mortos e mais de 180 feridos".

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