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Doze anos do massacre de Srebrenica em fundo de disputa sobre estatuto da cidade

Doze anos do massacre de Srebrenica em fundo de disputa sobre estatuto da cidade

Srebrenica assinala hoje o 12.º aniversário do massacre de que foram vítimas, em Julho de 1995, os seus habitantes muçulmanos, num ambiente de disputa entre líderes políticos sérvios e muçulmanos sobre o estatuto desta cidade sinistrada.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Os restos mortais de 465 vítimas do massacre (cerca de 8.000 muçulmanos mortos), rapazes e homens com idades entre os 13 e os 77 anos, serão sepultados nesta ocasião no cemitério memorial de Potocari, perto de Srebrenica, na Bósnia oriental.

Estas vítimas, exumadas das fossas comuns, foram identificadas por análises de ADN após o último funeral comum, em Julho de 2006, em que foram sepultados 505 cadáveres.

Dezenas de milhares de pessoas próximas das vítimas são esperadas na cerimónia, em que participará pelo segundo ano consecutivo a procuradora do Tribunal Penal Internacional (TPI) para a ex-Jugoslávia, Carla Del Ponte.

Entre mil e 1.200 polícias garantirão a segurança das cerimónias, que representam, segundo o comandante da polícia, Uros Pena, um acontecimento de "risco de segurança elevado" devido a uma disputa que opõe dirigentes sérvios e muçulmanos quanto ao estatuto de Srebrenica.

A qualificação em Fevereiro deste massacre, pelo Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), como um "genocídio" incitou os dirigentes muçulmanos bósnios e sobreviventes a exigir um estatuto especial para Srebrenica e a sua saída da República Srpska (RS, entidade sérvia da Bósnia).

Nos termos do acordo de paz de Dayton, Estados Unidos, que pôs fim ao conflito intercomunitário (1992-1995) e consagrou a divisão do país em duas entidades, a Federação Croato-Muçulmana e a RS, Srebrenica foi atribuída à RS.

Os muçulmanos afirmam que Srebrenica não deve fazer parte da RS porque o massacre foi cometido pelas forças sérvias da Bósnia, mas a sua iniciativa foi criticada pela comunidade internacional e vivamente recusada pelo governo sérvio da Bósnia.

A pior chacina de uma população civil na Europa desde a II Guerra Mundial, o massacre de Srebrenica custou a vida a cerca de 8.000 muçulmanos, mortos em poucos dias.

Decretada "zona de segurança" pela ONU em Abril de 1993, este enclave muçulmano caiu, em 11 de Julho de 1995, nas mãos das forças sérvias da Bósnia.

Até hoje, mais de 2.400 vítimas, exumadas desde o fim da guerra de cerca de 60 valas comuns, foram sepultadas em Potocari, tendo já sido identificados os restos mortais pertencentes a um total de 3.195 vítimas.

Segundo comissões de busca dos desaparecidos, falta ainda levantar dezenas de fossas comuns conhecidas na região.

Para além dos esqueletos reconstituídos totalmente ou em parte, cerca de 5.000 sacos contendo ossadas de um milhar de vítimas, armazenados numa morgue especial, têm ainda que passar por um longo processo de identificação.

Sepultadas à pressa nos dias do massacre, a maioria das vítimas foram depois deslocadas para numerosos locais diferentes, para esconder a dimensão da chacina.

Restos de uma mesma pessoa chegaram a ser encontrados em dois ou mesmo três lugares diferentes.

Considerados os responsáveis do massacre de Srebrenica, os antigos chefes político e militar dos sérvios da Bósnia, Radovan Karadzic e Ratko Mladic, estão em fuga desde que foram acusados de genocídio pelo TPI, em 1995.


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