Drone na Roménia. Mais de 50 países denunciam na ONU comportamento "inaceitável" da Rússia

Drone na Roménia. Mais de 50 países denunciam na ONU comportamento "inaceitável" da Rússia

Mais de 50 países, incluindo membros da União Europeia e da NATO, denunciaram hoje na ONU o comportamento "inaceitável" da Rússia, num comunicado lido pela chefe da diplomacia romena após a queda de um drone alegadamente russo na Roménia.

Lusa /
Foto: Heather Khalifa - Reuters

"Faço esta declaração em nome de 56 governos que representam os nossos aliados e parceiros da União Europeia e da NATO, bem como de nações parceiras de todo o mundo, juntos em solidariedade com o meu Governo, da Roménia. Na noite de 28 para 29 de maio, um drone russo que transportava explosivos entrou no espaço aéreo romeno, violando o direito internacional", afirmou Oana-Silvia Toiu, na sede da ONU, em Nova Iorque.

"Este último incidente teve um impacto direto na segurança de civis inocentes na Roménia. Tal comportamento é inaceitável perante o direito internacional e deve cessar", apelou a ministra, cercada por dezenas de embaixadores, incluindo de Portugal, dos Estados Unidos, França, Ucrânia, entre outros.

Os ataques contra civis exigem condenação nos termos mais fortes, onde quer que ocorram, insistiu a governante romena.

"Pela primeira vez, houve feridos entre a população romena. Duas pessoas ficaram feridas e vários moradores precisaram de atendimento médico. O impacto causou um incêndio e danos significativos, forçando a evacuação do prédio", disse ainda a ministra, à porta do salão do Conselho de Segurança da ONU.

O Governo romeno pediu uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para abordar precisamente esse incidente.

Na reunião, que aconteceu alguns minutos após a declaração proferida pela ministra da Roménia, a diretora da divisão para a Europa e Ásia Central dos Departamentos de Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz e de Operações de Paz da ONU, Kayoko Gotoh, frisou que esta não foi a primeira violação relatada do espaço aéreo romeno por um drone armado desde a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia.

No entanto, sublinhou que foi a primeira vez que tal incidente resultou em vítimas.

De acordo com Gotoh, o incidente de sexta-feira ocorreu na sequência de uma tendência preocupante de incursões de drones nos espaços aéreos e águas territoriais dos países que fazem fronteira com a Ucrânia ou com a Federação Russa.

Nos últimos 12 meses, tais incidentes foram reportados pelas autoridades da Moldávia, Letónia, Lituânia, Estónia, Finlândia, Polónia, Cazaquistão e Bielorrússia, bem como em países da região mais vasta, como Bulgária, Grécia e Turquia, assinalou hoje a ONU.

"A perigosa trajetória de escalada e intensificação a que assistimos corre o risco de se descontrolar. O rumo atual precisa de mudar. O risco de erro de cálculo é particularmente perigoso para a segurança das instalações nucleares. Este risco só tem aumentado nos últimos dias", alertou ainda a representante da ONU.

No passado sábado, a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) foi informada pela Central Nuclear de Zaporijia de que um drone atingiu um edifício de turbinas no local, causando, segundo relatos transmitidos à ONU, um buraco na parede.

Este foi o primeiro ataque deste tipo dentro do perímetro da central desde abril de 2024, assinalou hoje Kayoko Gotoh.

Já no domingo, a equipa da AIEA no local observou danos no exterior de um edifício de turbinas, referindo que pareciam consistentes com o impacto de um drone.

"Os ataques a instalações nucleares são imprudentes e inaceitáveis. Devem cessar imediatamente para evitar qualquer risco de acidente nuclear", apelou.

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