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Drone vindo da Rússia atinge central elétrica na Estónia

Drone vindo da Rússia atinge central elétrica na Estónia

O drone entrou no território da Estónia a partir do espaço aéreo russo e atingiu uma chaminé da central elétrica de Auvere na madrugada desta quarta-feira.

Um Olhar Europeu com ERR /
Sergei Stepanov / ERR



Não resultaram feridos do incidente e as infraestruturas elétricas também não sofreram danos. 

Além da Estónia, também as autoridades da Letónia confirmaram a entrada de um drone no seu espaço aéreo na última noite.

Os incidentes ocorreram numa altura em que o porto russo de Ust-Luga, no Báltico, estava a ser atacado por drones ucranianos, enquanto as instalações petrolíferas do porto de Primorsk, do outro lado do Golfo da Finlândia, estão a arder há mais de dois dias.

"Na noite de 25 de março, às 3h43, um drone atingiu a chaminé da central eléctrica de Auvere. Ninguém ficou ferido no acidente", declarou um porta-voz do Serviço de Segurança Interna (ISS).

O Ministério Público afirmou que o drone não foi intencionalmente dirigido para a central elétrica de Auvere ou para a Estónia de uma forma geral.

"De acordo com as informações atuais, o drone não se dirigia à Estónia. Estão a ser tomadas as primeiras medidas e a investigação esclarecerá as circunstâncias mais específicas", afirmou a Procuradora-Geral do Estado, Astrid Asi, através de um comunicado de imprensa.

O ISS está a investigar, sob a direção do Ministério Público.

No local estão também equipas de desminagem.

Sergei Stepanov / ERR
Governo da Estónia convoca reunião de emergência

A ministra da Justiça, Liisa-Ly Pakosta, revelou ao ERR que o governo vai reunir-se de emergência esta manhã, devido ao incidente de segurança.

O produtor Enefit Power, por seu lado, afirmou que não se registaram danos imediatos na central eléctrica e que o incidente não terá um impacto significativo no sistema elétrico da Estónia.

A Ucrânia atacou o porto de Ust-Luga com drones durante a noite de 24 para 25 de março. Foram registados ataques de drones ucranianos na região de Leninegrado, onde se situa o porto.

"São os efeitos da guerra de agressão em grande escala da Rússia. Podemos presumir que iremos assistir a mais incidentes deste tipo", afirmou Margo Palloson, diretora-geral do ISS.

O ISS, conhecida na Estónia pelo acrónimo Kapo, apela a todos os cidadãos que testemunharam o incidente para que se apresentem e contactem o serviço por e-mail. 

O ISS sublinha ainda que o pessoal não autorizado não deve deslocar-se no local e deve manter a distância de qualquer coisa que se assemelhe a detritos de drones, caso os observe, uma vez que podem ser potencialmente perigosos devido ao risco de explosão. Quaisquer detritos ou outros avistamentos relacionados com drones devem ser comunicados à linha de emergência 112.

Foi também registada a queda de um drone na Letónia, na aldeia de Dobročina, no sudeste do país, observou a porta-voz da ISS, Marta Tuul.

A emissora pública LSM relatou que a força aérea da Letónia identificou na manhã de quarta-feira um veículo aéreo não tripulado estrangeiro que entrou no espaço aéreo da Letónia vindo da Rússia. Os sistemas de alerta precoce detetaram um som semelhante a uma explosão na região de Krāslava, disse a LSM.

O Vice-Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas Nacionais da Letónia, disse ao programa da televisão letã "Morning Panorama" que a noite tinha sido tinha agitada para as unidades de defesa aérea. 

O objeto que entrou na Letónia detonou por volta das duas e meia da manhã, tendo sido detetado pelo radar cerca de 10 minutos antes.

"Muito provavelmente, desviou-se da rota ou foi afetado por medidas de guerra eletromagnética enquanto protegia alguns objetos tecnicamente importantes", observou Leščinskis quando questionado sobre se a trajetória de voo foi intencional.

A primeira-ministra da Letónia, Evika Silina, disse numa entrevista ao programa "900 Seconds" da TV3, na manhã desta quarta-feira, que a Ucrânia tinha sofrido um dos maiores ataques russos na terça-feira, numa altura em que as atenções do Ocidente estavam centradas nos acontecimentos no Médio Oriente.

O drone que se despenhou na Letónia pode ser ucraniano, disse Silina, referindo que tal já tinha acontecido anteriormente na Lituânia. 

A governante considera que o incidente de Auvere é "semelhante" e que, numa altura em que os ataques à Ucrânia são frequentes, as consequências nas regiões fronteiriças dos Estados Bálticos devem ser tidas em conta.
Notificação de ameaça emitida na Estónia não especificava regiões afetadas

O sistema de notificação de ameaças EE-ALARM enviou um SMS para os telemóveis dos cidadãos na manhã desta quarta-feira, afirmando "Forças de Defesa: Devido à guerra da Rússia contra a Ucrânia, existe uma ameaça associada de drones na zona. Se virem um drone, protejam-se e liguem para o 112". 

No entanto, o alerta não esclarecia que região estava a ser ameaçada por drones. A mensagem também causou confusão sobre o que as pessoas deveriam observar, antes de se abrigarem. 

Tanto o número de emergência (112) como o número nacional de informação (1247) foram inundados com chamadas, anunciou o Centro de Resposta a Emergências às 9h24, o que poderá ter implicado tempos de espera até que um operador atendesse.

ERR

Às 9h35, o EE-ALARM enviou uma nova notificação: "Informação atualizada! As zonas de perigo são Ida-Virumaa e Lääne-Virumaa. Se virem um drone, abriguem-se e liguem para o 112". Esta notificação também foi enviada em inglês.

ERR / 25 março 2026 07:04 GMT

Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa - RTP
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