Ataque com drones ucranianos atingem refinaria de Moscovo

Ataque com drones ucranianos atingem refinaria de Moscovo

Drones ucranianos atingiram a refinaria de petróleo de Moscovo pela segunda vez esta semana, lançando chamas e colunas de fumo sobre o distrito de Kapotnya, no sudeste da capital russa, na manhã desta quinta-feira.

Cristina Sambado - RTP /
Foto: Social Media via Reuters

 

O autarca da capital russa afirmou que cerca de 180 drones que se dirigiam para a cidade foram abatidos, enquanto chamas e fumo se espalham pelos arredores.

As forças de defesa aérea continuam a repelir um ataque em grande escala. Vários drones conseguiram atingir a MNPZ", uma das maiores refinarias de petróleo da Rússia, afirmou Sergei Sobyanin, presidente da câmara da cidade, acrescentando que um centro comercial também foi danificado. Afirmou que cerca de 180 drones que se dirigiam para a capital foram abatidos.

A MNPZ, situada no bairro de Kapotnia (sudeste de Moscovo), é uma refinaria pertencente à Gazpromneft, que assegura mais de um terço das necessidades de combustível da capital russa, nomeadamente para os seus aeroportos, de acordo com informações disponíveis no seu portal oficial.O tráfego foi interrompido na circular de Moscovo, junto à refinaria, segundo informações do Ministério do Interior citadas pela emissora RIA.

O primeiro ataque, na terça-feira, já tinha paralisado as operações na refinaria, agravando os danos generalizados nas instalações energéticas russas e estendendo a crise dos combustíveis ao interior do país.

A Rússia, o terceiro maior produtor de petróleo do mundo e um importante exportador de petróleo e combustíveis, deverá importar combustível por via marítima este mês, procurando fazer face à escassez de gasolina após extensos ataques de drones ucranianos contra as suas refinarias.

Na área metropolitana de Moscovo, um edifício residencial de vários andares, uma instalação industrial e várias casas particulares também foram danificados no ataque com drones, informou o governador regional.

O aeroporto de Sheremetyevo, o mais movimentado de Moscovo, suspendeu voos e retirou passageiros e pessoal dos terminais, segundo informações do aeroporto.

Pouco antes das 05h00 TMG (06h00 em Lisboa), estas medidas foram levantadas e o funcionamento do aeroporto começou a regressar ao normal, de acordo com um comunicado publicado pela infraestrutura.

Este é o maior ataque contra Moscovo em pelo menos dois anos, informou a agência de notícias oficial russa TASS.

O ataque surge quando o presidente russo, Vladimir Putin, começou a receber líderes asiáticos para uma cimeira de dois dias entre a Rússia e a Associação de Nações do Sudeste Asiático.

Moscovo afirmou que os seus sistemas de defesa aérea intercetaram e destruíram 555 drones ucranianos sobre várias regiões durante a noite. O número exato de drones abatidos não pôde ser confirmado de forma independente.

Na região fronteiriça russa de Belgorod, as autoridades disseram que um ataque com um drone ucraniano matou um homem dentro do seu carro.

Na quarta-feira, Moscovo acusou a Ucrânia de atacar um autocarro que transportava crianças bielorrussas, acusação que Kiev negou.

Na região de Rostov, no sul da Rússia, um ataque com um drone ucraniano matou uma pessoa e provocou um incêndio em dois estabelecimentos comerciais, informaram as autoridades. A Rússia e a Ucrânia negam ter atacado deliberadamente civis.

Volodymyr Zelensky considera que o ataque à refinaria de Moscovo é uma resposta “justa” aos ataques russos contra cidades ucranianas.

"Uma resposta totalmente justa aos ataques russos contra as nossas cidades e comunidades e mais um resultado importante do trabalho dos nossos soldados em instalações que prestam apoio à máquina de guerra russa", disse Zelenskiy na aplicação Telegram.
Rússia prossegue com ataques à Ucrânia
A Rússia continua a atacar a Ucrânia quase diariamente, mais de quatro anos após o início do conflito, o mais mortífero na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, que, até ao momento, parece não ter saída diplomática.

Kiev sofreu o segundo ataque aéreo desta semana, com a Rússia a lançar mísseis balísticos contra a capital ucraniana, disseram as autoridades municipais, e os residentes foram aconselhados a procurar abrigo.As autoridades da cidade de Sumy, no nordeste da Ucrânia, informaram que uma pessoa morreu num ataque com um drone. Foram emitidos alertas de ataque aéreo para a maior parte do território ucraniano.

Uma pessoa morreu na cidade ucraniana de Enerhodar, onde vive a maioria dos funcionários da central nuclear de Zaporizhzhia, controlada pela Rússia, disse o presidente da câmara nomeado pela Rússia, Maksim Pukhov. Cimeira da ASEAN em KazanO presidente russo, Vladimir Putin, recebe os líderes asiáticos desde a noite de quarta-feira para uma cimeira Rússia-ASEAN de dois dias em Kazan, a cerca de 700 quilómetros (400 milhas) a leste da capital.

A Tailândia, o Vietname, o Camboja, o Laos, a Malásia e Singapura enviaram os seus primeiros-ministros, enquanto as Filipinas enviaram o seu presidente, Ferdinand Marcos.

Em plena guerra, a economia russa enfrenta uma inflação elevada, escassez de mão-de-obra e custos elevados de empréstimos.

O avanço das forças russas na frente ucraniana diminuiu este ano, enquanto Kiev intensificou os seus ataques em território russo.

Numa cimeira do G7 em França, no início desta semana, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que Moscovo deveria "fazer um acordo" para pôr fim à guerra na Ucrânia.

Vladimir Putin rejeitou repetidamente as ofertas de negociações diretas com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

c/agências

 

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