É preciso "juntar forças" contra "ameaças à democracia"-líder da oposição de São Tomé
O líder da oposição de São Tomé e Príncipe justificou hoje o apoio à candidatura de Patrice Trovoada às presidenciais de 30 de Julho com a necessidade de "juntar forças" contra "as ameaças à democracia", referindo-se ao actual Presidente.
Em declarações à Agência Lusa a partir de São Tomé, o presidente do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe - Partido Social-Democrata (MLSTP-PSD), Guilherme Posser da Costa, afirmou que "este é o momento de juntar forças contra aquilo que são ameaças à democracia e contra um poder cada vez mais absoluto".
O ex-primeiro-ministro são-tomense referia-se ao actual Presidente, Fradique de Menezes, que anunciou oficialmente a sua recandidatura ao cargo a 24 de Junho, com o apoio da coligação Movimento Democrático Força da Mudança - Partido da Convergência Democrática (MDFM-PCD), que venceu as legislativas de Março com maioria simples.
O presidente do maior partido da oposição, ex-partido único e no poder até às últimas legislativas, acrescentou que o apoio a Patrice Trovoada, líder da Aliança Democrática Independente (ADI) é uma "atitude patriótica" que vai "para além dos interesses do partido".
"Chegámos à conclusão que seria necessária uma frente mais ampla e um candidato que reunisse o consenso de todos os partidos da oposição", disse Posser da Costa, considerando que um candidato do MLSTP-PSD poderia "dispersar a congregação de votos".
A decisão do MLSTP-PSD em apoiar Patrice Trovoada foi tomada em conselho nacional extraordinário do partido, no sábado.
Patrice Trovoada, filho do ex-Presidente Miguel Trovoada, anunciou oficialmente a candidatura a 23 de Junho e disse que tem como objectivo unir os são-tomenses em torno da estabilidade e do progresso.
Em declarações à Lusa antes deste anúncio, Trovoada, economista de 44 anos, referiu que contava ter o apoio da maioria dos partidos da oposição e garantiu até agora, além do MLSTP-PSD, apoio da Coligação da Oposição Democrática (CODO), da União Nacional para a Democracia e o Progresso (UNDP) o do Partido Trabalhista São-Tomense (PTS), três pequenos partidos sem assento parlamentar.
Fradique de Menezes, de 64 anos, que até ser presidente era um empresário de sucesso, foi eleito nas eleições de 2001 à primeira volta com 54,36 por cento dos votos, derrotando o ex-Presidente Manuel Pinto da Costa, que obteve 39,39 por cento.
Trovoada apoiou Fradique em 2001, vindo depois a considerá-lo um "erro de `casting`", e foi seu conselheiro especial para as questões do petróleo, mas acabou por ser demitido depois de admitir publicamente "alguns erros" no processo de negociações para a exploração petrolífera.
O líder da ADI foi ainda ministro dos Negócios Estrangeiros (2001-2002), mas demitiu-se do cargo também por divergências com Fradique de Menezes.
Para as eleições de 30 de Julho próximo há outros dois candidatos, Nilo Oliveira Guimarães e Fernando Sousa Pontes, pouco conhecidos dos eleitores e sem apoio partidário.