Ébola. Médico francês dado como curado teve alta hospitalar
O paciente que registou o primeiro caso de Ébola identificado em França está curado e já saiu do hospital, anunciou hoje a ministra da Saúde francesa Stéphanie Rist em comunicado, adiantou a AFP.
O médico humanitário, que chegou a França a 23 de junho proveniente da República Democrática do Congo (RDCongo), atualmente a enfrentar uma grave epidemia do vírus, "saiu hoje do estabelecimento de saúde onde estava a receber tratamento", segundo o comunicado.
"Apresentando apenas sintomas leves", o paciente foi alvo de tratamento médico e de um "acompanhamento rigoroso" e pôde "regressar a casa em toda a segurança", precisou a informação do Governo.
O doente foi atendido imediatamente após a sua chegada ao território francês e transferido para um centro hospitalar especializado em doenças infecciosas de elevada transmissibilidade, segundo as autoridades sanitárias, num comunicado divulgado em junho, à chegada do doente.
O Ministério da Saúde sublinhou na altura que os protocolos de segurança sanitária foram ativados de imediato, incluindo o isolamento do doente e o seu transporte em condições controladas, com o objetivo de evitar qualquer risco de contágio.
O número de mortos por Ébola no leste da República Democrática do Congo subiu para 438 e o de casos confirmados para 1.406, segundo dados do Governo divulgados na quinta-feira, com dados compilados até 30 de junho, que indicavam ainda que a taxa de letalidade está atualmente nos 31,2%, com 609 doentes em isolamento ou hospitalizados.
O surto do vírus Ébola foi oficialmente declarado a 15 de maio em Ituri -- província que faz fronteira com o Uganda e o Sudão do Sul, mas alastrou-se às províncias congolesas do leste do Kivu do Norte e do Kivu do Sul.
A epidemia chegou ao Uganda, onde foram detetadas 20 infeções, entre as quais, 15 casos considerados como tendo origem na RDCongo, resultando em duas mortes.
A epidemia envolve a estirpe Bundibugyo, que apresenta uma taxa de mortalidade entre os 30% e os 50% e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).
A OMS avaliou o risco de propagação na África Subsariana como elevado, ao mesmo tempo que considera baixo o risco global.
Esta agência da ONU admitiu que o vírus tenha começado a circular em Ituri cerca de dois meses antes da declaração do surto e, a 17 de maio, classificou a epidemia como uma "emergência de saúde pública de importância internacional".
Trata-se da terceira pior epidemia de Ébola registada até à data.
Os surtos mais graves ocorreram na região da África Ocidental entre 2014 e 2016 -- causando aproximadamente 11 mil mortes e 28 mil infeções.
No leste do Congo, entre 2018 e 2020, o surto de Ébola resultou em 2.299 mortes e 3.481 casos.
O vírus Ébola transmite-se através do contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou de animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragia interna.