Egito desvaloriza reivindicação islamita de ataque a avião russo

Egito desvaloriza reivindicação islamita de ataque a avião russo

O Presidente egípcio descarta, por agora, a tese de atentado e diz que é “demasiado cedo” para conhecer as verdadeiras causas da queda do aparelho. Especialistas desconfiam das certezas apresentadas pela companhia aérea e preferem aguardar novas informações das investigações em curso.

Andreia Martins - RTP /
Mohamed Abd El Ghany - Reuters

Em declarações à televisão britânica BBC, Abdul Fattah al-Sisi não quis avançar para conclusões precipitadas e avisou que as reivindicações do autoproclamado Estado Islâmico destinam-se a causar instabilidade. O avião Airbus 321 despenhou-se na Península do Sinai no passado sábado, causando a morte de 224 pessoas que seguiam a bordo, entre passageiros e tripulação, O aparelho seguia em direção a São Petersburgo, na Rússia.

“Quando existe propaganda em como o avião caiu devido à ação do EI, esta é uma forma de danificar a estabilidade e segurança do Egito e a imagem do Egito”, acusa o Presidente do país, que inicia esta terça-feira uma visita de Estado ao Reino Unido.

O general garantiu ainda que a situação no Sinai, “especialmente naquela área, está sob o nosso controlo total, acreditem”.

Três dias depois do desastre aéreo que vitimou 224 pessoas, em grande parte de origem russa, as duas principais teses sobre a origem da tragédia multiplicam-se e desmentem-se mutuamente.
Acidente ou atentado?
Na segunda-feira, a Metrojet descartava qualquer hipótese de erro técnico ou humano e apontava para uma falha externa ao aparelho.

Em conferência de imprensa, Alexander Smirnov, diretor da companhia aérea, disse acreditar que o aparelho foi destruído por uma "força externa" ao avião. Tal hipótese, acrescenta, apenas se explicaria por um “impacto específico, puramente mecânico”. Segundo Smirnov, o avião perdeu velocidade e desceu rapidamente, sem que a tripulação ou o piloto tentasse contactar ou reportar a situação. Ainda assim, a companhia não abraçou diretamente a tese de atentado terrorista.

Mas horas mais tarde, foi o próprio Governo de Moscovo a desvalorizar as conclusões comunicadas pela Metrojet. Aleksandr Neradko, diretor da Agência de Aviação Russa, disse à televisão estatal que estas garantias eram “prematuras” e não se baseavam em factos ou evidências. "Muito mais trabalho terá de ser feito (...). Os registos do voo terão de ser decifrados e analisados", sublinhou Neradko.

Depois de apresentadas as conclusões por parte da companhia aérea, vários especialistas questionaram a existência de tantas certezas num momento precoce da investigação, quando a informação contida nas caixas negras ainda está a ser detalhada.

No mesmo sentido e enquanto os representantes políticos egípcios tentam afastar categoricamente a tese de atentado e garantir a total segurança do espaço aéreo, Vladimir Putin e Dmitry Mednev não quiseram saltar para conclusões precipitadas e pediram investigações profundas e detalhadas às circunstâncias do desastre aéreo.
O aparelho caiu 23 minutos depois de ter descolado da cidade egípcia de Sharm el-Sheikh, na península do Sinai. 

A televisão norte-americana CBS avançou também na segunda-feira que um satélite norte-americano terá registado um heat flash na zona do Sinai aquando da queda do avião.

Este aquecimento rápido poderá ter sido provocado por uma bomba, mas os serviços de informações dos Estados Unidos, que vão analisar ao pormenor os dados disponíveis, não descartam a hipótese de explosão de um motor ou de um depósito.
Avião seguro?
Enquanto os corpos de 140 vítimas já chegaram a São Petersburgo, bem como alguns destroços do avião enviados para análise, as autoridades continuam os processos de reconhecimento no terreno. A Aeroflot esclarece que mais nenhum modelo Airbus 321 da companhia registou anomalias.

Entretanto, a agência Reuters avança que a transportadora aérea Aeroflot retirou hoje mesmo de circulação um avião Airbus 321 na rota entre Moscovo e São Petersburgo, atribuindo a substituição aos “problemas técnicos” detetados no cockpit do avião.

O modelo é o mesmo do avião que se despenhou no sábado no Sinai, e foi substituído esta terça-feira pela companhia aérea do Estado russo quando o aparelho ainda estava no solo.
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