Elite política espera reacção de Putin à morte de Boris Ieltsin
Os serviços de imprensa do Presidente russo, Vladimir Putin, indicaram que este telefonou à família do seu antecessor para exprimir "profundas e sinceras condolências" pela morte de Ieltsin, mas a elite política aguarda uma reacção oficial para se pronunciar.
Enquanto isso, Mikhail Gorbatchev, ex-Presidente da União Soviética e o maior rival de Ieltsin nos finais da década de 1980 e início de 1990, era o primeiro a reagir à morte do primeiro presidente da Federação da Rússia Boris Ieltsin.
"Eu dirigi-me a Naína Ieltsina e a toda a família. Exprimo as minhas sinceras condolências neste momento de dor para a família", declarou Gorbatchev, fazendo um balanço das suas relações com o rival:
"A vida decidiu que os nossos destinos se cruzassem e tivemos de actuar num momento em que no país ocorriam mudanças importantíssimas".
"Houve muita coisa - continuou Gorbatchev - em que divergimos, e aconteceram grandes divergências, mas, neste momento, exprimo à família de Ieltsin as mais profundas condolências".
Alexei II, Patriarca da Igreja Ortodoxa da Rússia, destacou, através do seu porta-voz, o papel de Ieltsin na "normalização das relações entre a Igreja e o Estado".
Durante a presidência de "Ieltsin, que antes de se relacionar com o Patriarca se considerava ateu, ocorreram grandes mudanças. O seu percurso aproximava-se invariavelmente do templo", referiu Vladimir Viguilianski, porta-voz do Patriarca ortodoxo.
Eduard Chevarnadzé, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros da URSS e ex-Presidente da Geórgia, foi também dos primeiros a reagir ao falecimento do primeiro presidente russo democraticamente eleito.
"Boris Ieltsin foi um reformador e democrata. Ele fez muito para o reforço do seu país e a sua saída da vida é uma grande perda para o povo da Rússia", assinalou Chevarnadzé.
Nikita Belikh, dirigente da liberal União das Forças de Direita, chama a atenção para o facto de Ieltsin ser "um homem e político muito contraditório", mas sublinha que "foi uma figura de grande dimensão, enorme potencial com um sinal positivo".
"O principal feito de Ieltsin consiste em ele ter dado a orientação do desenvolvimento democrático ao país, o que, agora, infelizmente, está a ser travado".
Boris Ieltsin morreu hoje, aos 76 anos, na sequência de uma paragem cardíaca, segundo fonte médica citada pela agência russa Interfax sob condição de anonimato.
O porta-voz do Kremlin, Alexander Smirnof, anunciou oficialmente a morte de Ieltsin, mas não deu qualquer outra informação, incluindo a causa da morte.
Ietsin, que exerceu a presidência entre 1991 e 1999, sofria problemas cardíacos pelo menos desde 1996 quando, cerca de cinco meses depois de ser reeleito para o segundo mandato, foi submetido a uma delicada intervenção cirúrgica para a colocação de cinco pontes coronárias.
Ainda não foi definido onde será sepultado o antigo dirigente russo, mas uma fonte próxima da família de Ieltsin, citada pela agência Interfax, declarou que "será tido em conta o desejo do próprio Boris Nikolaevitch, bem como a opinião da família e dos órgãos de Estado".