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Em tribunal a filha do rei de Espanha refugiou-se em lacunas de memória

Em tribunal a filha do rei de Espanha refugiou-se em lacunas de memória

Nas declarações que prestou ao juiz de instrução no passado dia 8, a infanta Cristina de Borbón usou 182 vezes a expressão "não sei" e 55 vezes a expressão "não me lembro". É a primeira vez que um familiar directo do rei se vê arguido num processo criminal, neste caso por branqueamento de capitais e fraude fiscal.

RTP /
A infanta Cristina (à dir.) com os reis Sofia e Juan Carlos Paul Hanna, Reuters

A acta das declarações da infanta, prestadas no Tribunal de Palma de Maiorca num sábado, 8 de Fevereiro, foi passada a pente fino pelo diário El Pais, que recenseou 188 utilizações da confissão de ignorância e 55 alegações de esquecimento. As duas, somadas, são mais de metade das respostas às 400 perguntas com que a bombardeou durante seis horas e meia o juiz de instrução José Castro. E haveria ainda que somar-lhes as respostas monossilábicas, "Não", quando a pergunta era simplesmente "Sabe?", ou "Não sabe?"

A principal questão que o juiz instrutor procurava apurar, e que constituía fio condutor das suas muitas perguntas, era se a infanta teria participado conscientemente nos crimes de branqueamento de capitais e fraude fiscal atribuídos ao seu marido, Iñaki Urdangarín no âmbito da gestão da empresa Aizoon e do Instituto Nóos.

Cristina de Borbón detinha 50 por cento do capital da empresa, encontrando-se a outra metade nas mãos de Urdangarín. O juiz decidiu argui-la e convocou-a para o interrogatório por ter verificado que ela e o marido "levaram a cabo uma partilha de facto, fiscalmente opaca, de dividendos com base na mobilização de fundos da Aizoon, para cobrir gastos pessoais". A infanta procurou ao longo do interrogatório transmitir a ideia de que desconhecia muitas das decisões do marido, para as quais não lhe era pedida a opinião, mas somente a assinatura.
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