O ator esteve no último trimestre de 2016 no topo do mundo, carregou o aparelho da Google (Street View), que regista imagens panorâmicas 360º, em alta resolução, e conta na primeira pessoa, como foi esta aventura.
“Ano após ano temos vindo a assistir a um recorde de temperaturas elevadas no nosso planeta devido ao aquecimento global. E a Gronelândia, que considero a minha segunda casa, está a alterar-se mais rapidamente do que qualquer outro lugar na Terra.
Os efeitos das alterações climáticas são, infelizmente, fáceis de reconhecer: degelo e deslocamento de glaciares, locais anteriormente cobertos por gelo, são agora terras nuas.
Perto do final do ano passado, acompanhei a equipa do Google Maps numa grande aventura para recolher imagens da Gronelânida para o Street View.O equipamento portátil "treeker" pesa 22 quilos e tem no topo uma esfera equipada com 15 câmaras, cada uma com 5 Megapixels, com capacidade de capturar um frame a cada dois segundos.
Estatísticas, relatórios científicos e gráficos, podem ser surpreendentes, mas espero que ver as imagens panorâmicas da Gronelândia no seu smartphone o faça apaixonar-se por este local, da mesma forma que eu.
A menos que consigamos alterar estas tendências climáticas, a próxima vez que trouxermos o trekker à Gronelândia, a paisagem poderá já estar diferente ou mesmo irreconhecível face ao que estamos a ver hoje.
A nossa primeira paragem foi em Igaliku onde habitam 27 pessoas. Trata-se de uma das aldeias da Gronelândia mais idílicas, onde as casas apresentam cores vivas e onde as colinas são paragem obrigatória para rebanhos de ovelhas. À medida que a paisagem tem vindo a ser alterada, também o é a economia local.
Juntamente com novas oportunidades de mineração de metais preciosos, que antes eram inacessíveis, as alterações nos padrões de congelação e degelo dos glaciares criaram disrupções sérias a atividades locais como a pesca e a caça - que sustentaram a população Inuit durante séculos.
Localizado nas coordenadas O 40°0'0"; N 72°0'0", bem no topo do planeta Terra, a Gronelândia é considerada a segunda região do planeta mais gélida, logo a seguir à Antártida.
Com uma população oficialmente calculada em 57.728 habitantes (julho 2016), esta região do Ártico ocupa um total de 2.166.086 quilómetros quadrados, dos quais 81 por cento são zonas geladas permanentemente."300 mil milhões de toneladas de gelo são despejadas no oceano a cada ano prejudicando importantes ecossistemas costeiros, os abastecimentos de alimentos e de água, além de ser uma contribuição importante para o aumento do nível da água do mar", refere Nikolaj Coster Waldau
E nos últimos 30 anos a capa de gelo perene tem registado um acentuado recuo, existindo sérios riscos de ultrapassar os limites do seu estado de estabilidade holocénica.
À medida que o planeta aquece, o gelo derrete e expõe à ação da luz solar superfícies mais vastas de água e terra, as quais, por sua vez, absorvem uma maior quantidade de calor solar, reforçando o processo de degelo.
Um estudo saído na publicação online ArcticHub, que retrata todo o ecossistema ártico, revela que o volume de gelo derramado no Atlântico pelos glaciares da Gronelândia tem aumentado exponencialmente, prevendo-se uma subida mais rápida do que previsto do nível dos oceanos.
Uma fusão que, a continuar em toda a capa de gelo, vai provocar o aumento do nível do mar em vários metros por todo o mundo.
Embaixador da Boa Vontade das Nações Unidas alerta a responsabilidade global
O ator dinamarquês, Nikolaj Coster-Waldau, que quis dar a conhecer os efeitos negativos das consequências provocadas pelas alterações climáticas na Gronelândia, percorrendo dezenas de quilómetros, em conjunto com a equipa da Google Maps, revelando-nos pontos da beleza natural deste território inóspito.
A Gronelândia também é conhecida pelas suas fontes termais, sendo as da remota ilha de Uunartog um dos meus destinos de eleição com paisagens fantásticas de icebergs e de montanhas altas com os seus picos cobertos de neve.
A nossa última paragem é o imponente e majestoso glaciar Qoorog Fjord. A Gronelândia é a segunda maior massa de gelo do mundo e está a derreter cada vez mais depressa - 300 mil milhões de toneladas de gelo são despejadas no oceano a cada ano prejudicando importantes ecossistemas costeiros, os abastecimentos de alimentos e de água, além de ser uma contribuição importante para o aumento do nível da água do mar.
Temos a responsabilidade de proteger este belo planeta em que vivemos, e eu estou a começar a fazê-lo à minha porta. Mas todos os locais e todos nós somos vulneráveis aos efeitos do aquecimento global do nosso planeta.
Vamos unir-nos e fazer algo pelo planeta, por exemplo, conhecer melhor os esforços globais de combate às alterações climáticas e descobrir formas de agir."
Veja no site das Nações Unidas como pode ajudar a melhorar o mundo em que vivemos.
Degelo pode influenciar correntes marítimas
O recuo do gelo nos mares da Gronelândia e Islândia pode, lentamente, estar a mudar a circulação marítima das correntes de água quente e fria no oceano Atlântico.
A alteração em última análise pode afetar o clima em todo o mundo, principalmente na Europa.
Estes novos dados são apresentados num novo estudo do físico atmosférico da Universidade de Toronto Mississauga (UTM), GWK Moore e equipa, nas regiões da Grã-Bretanha, Noruega e Estados Unidos.
“A Europa ocidental quente exige um frio Oceano Atlântico Norte, e o aquecimento que o Atlântico Norte está a viver agora tem o potencial para causar um arrefecimento na Europa Ocidental”, diz o professor Moore, do Departamento de Química e Ciências Físicas de UTM.
Como o aquecimento global afeta a terra e o mar, o recuo do gelo do mar significa que os oceanos não estão tão frios, a água passa a ter menos densidade, gerada através de um processo conhecido como convecção oceânica, a fluir para o sul e a alimentar a Corrente do Golfo.
Se a convecção diminui, diz Moore, a Corrente do Golfo pode enfraquecer, reduzindo assim o aquecimento da atmosfera, em comparação aos dias de hoje.
A pesquisa, publicada na Nature Climate Change em 29 de junho de 2015, pode ser a primeira tentativa de analisar e documentar essas mudanças na troca de calor ar-mar na região – provocada pelo aquecimento global – e considerar seu possível impacto na circulação oceânica e consequentes alterações climáticas oceânicas com efeito nos continentes fronteiriços.
Sistema Trekker - Street View da Google
Ir onde nunca foi, sem sair de casa, e olhar literalmente para tudo o que o rodeia, foi a forma que a Google arranjou para quem não tem a oportunidade de viajar.
A ferramenta, de nome Google Street View, permite assim aos internautas conhecer lugares incríveis sem gastar um centimo.
No início do projeto, a Google utilizava carros adaptados para registrar as imagens, mas a ambição de dar a conhecer locais mais inacessíveis levou à criação do Trekker.
Uma versão simplificada do equipamento utilizado nos veículos, adaptado à uma mochila para poder ser carregado por uma pessoa.
O equipamento, que aparentemente parece um aparelho saído de um filme de ficção pesa 22 quilos e tem no topo uma esfera equipada com 15 câmaras, cada uma com 5 Megapixels, com capacidade de capturar um frame a cada dois segundos.
Apesar do número de câmaras instaladas, o sistema não consegue captar os 360 graus exatos, existindo um ponto de cegueira no fundo da esfera artificial.
Desde que foi criado, o dispositivo já foi usado para mapear diversos locais, tendo sido utilizado pela primeira vez no Grand Canyon, nos Estados Unidos.