Emirados Árabes Unidos e Egito lançam programa de investimento de 18 mil ME

Emirados Árabes Unidos e Egito lançam programa de investimento de 18 mil ME

Os Emirados Árabes Unidos e o Egito vão lançar um programa de investimentos de 18 mil milhões de euros, anunciou hoje o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Mohammed bin Zayed, numa mensagem divulgada através da rede social Twitter.

Lusa /

O anúncio foi feito durante a visita do Presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sissi, que está nos Emirados desde quarta-feira.

O lançamento do plano visa "a realização de projetos económicos e sociais vitais para os dois países", avançou o líder de facto dos Emirados Árabes Unidos, sem especificar a participação de cada país nem os setores que irão beneficiar do plano.

O xeque Mohammed bin Zayed referiu, no entanto, que os dois países têm "relações fraternas em vários campos" e "dossiers de interesse mútuo".

Os Emirados são, assim como a Arábia Saudita, aliados próximos do Presidente al-Sissi desde que este assumiu o poder, em 2013, depois de derrubar o ex-chefe de Estado Mohamed Morsi, que pertencia ao grupo Irmandade Muçulmana e que morreu em junho durante uma audição em tribunal.

Fundada em 1928, no Egito, com o objetivo de libertar a nação islâmica do controlo de estrangeiros e infiéis e estabelecer um Estado islâmico unificado, a Irmandade Muçulmana é considerada pelo Cairo, Riyadh e Abu Dhabi como uma associação terrorista.

Os três países têm habitualmente uma linha diplomática comum em assuntos regionais, sobretudo na oposição ao Qatar e à Turquia, países que acusam de apoiar a Irmandade Muçulmana.

Apesar do apoio que recebe das monarquias ricas do Golfo, o Egito tem estado mergulhado numa grave crise económica e teve de aceitar ajuda do Fundo Monetário Internacional em 2016, recebendo cerca de 11 mil milhões de euros em troca da adoção de medidas de austeridade, como a desvalorização da moeda e cortes nos subsídios estatais.

Em julho, o FMI transferiu a última parcela do empréstimo, considerando que as reformas feitas pelo país "melhoraram significativamente" a situação macroeconómica do Egito.

No entanto, a população tem vindo a aumentar as suas reclamações em relação à perda de poder de compra causada pela austeridade.

Segundo dados oficiais, pelo menos 32,5% dos 100 milhões de egípcios vivem abaixo da linha de pobreza.

No final de setembro, a população começou mesmo a fazer manifestações de protesto - o que é raro num país governado por um regime ultra-autoritário - na sequência de acusações de corrupção das Forças Armadas e do Presidente feitas por um empresário exilado.

Tópicos
PUB