Emmanuel Macron visita Iraque para demonstrar papel de França na luta contra terrorismo
O Presidente francês Emmanuel Macron visita o Iraque no próximo fim de semana para participar num encontro com governantes e relembrar o papel que Paris quer manter no Médio Oriente, em particular na luta contra o terrorismo.
No encontro, o chefe de Estado de França será o único governante de fora da região e dos poucos a confirmar a visita a Bagdade.
Estão previstos encontros com os líderes iraquianos, mas também com o seu homólogo egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, e com o rei Abdullah II da Jordânia.
Os presidentes da Turquia e do Irão, bem como o rei da Arábia Saudita, também foram convidados, mas segundo fontes iraquianas, ainda não confirmaram a viagem, noticia a agência AFP.
Macron, que realizou uma breve visita ao Iraque em 02 de setembro de 2020, pretende "mostrar o seu apoio e papel central no Iraque, na luta contra o terrorismo, para o desenvolvimento do país e para ajudar a reduzir as tensões", revelou a presidência francesa.
"Tal como no Sahel, trata-se da nossa vizinhança e da nossa segurança nacional. França faz questão de continuar esta luta no Iraque e noutros locais para evitar o eventual ressurgimento do Daesh (Estado Islâmico)", destacou um conselheiro do Presidente.
Paris fornece apoio militar ao Iraque, principalmente aéreo, com uma média de 600 homens no terreno.
A diplomacia é um desafio para o Iraque, país do Médio Oriente onde o Irão exerce influência e onde o Estado denota dificuldades em atender às necessidades básicas da população.
Segundo a comitiva do primeiro-ministro Mustafa al-Kazimi, o objetivo é dotar o Iraque de um papel "unificador" para neutralizar as crises que abalam a região.
Nos encontros previstos, Macron deveeá abordar questões regionais como a situação no Afeganistão, mas também a situação dos `jihadistas` franceses detidos no Iraque ou a questão dos direitos das mulheres.
No domingo, o Presidente francês viajará para a região autónoma do Curdistão, para visitar a capital Erbil, e depois para Mosul, cidade que se encontra destruída após três anos nas mãos do Estado Islâmico.
Em Mosul, Macron vai interagir tanto com estudantes, como com "influenciadores" locais, segundo revelou a presidência francesa, seguindo-se uma demonstração de apoio aos cristãos orientais e uma visita ao local de reconstrução de uma mesquita sunita destruída pelo Estado Islâmico.
Já em Erbil, estará junto das autoridades do Curdistão iraquiano para "relembrar a força do apoio da França na luta contra o terrorismo", encontrando-se ainda com o líder histórico curdo Massoud Barzani, para uma homenagem às forças `peshmerga`.
Na sua delegação estará a vencedora do Prémio Nobel da Paz Nadia Murad, ícone das escravas sexuais yazidis dos `jihadistas`, e a ensaísta Caroline Fourest, feminista e ativista.