Mundo
Epidemia de Ébola está a propagar-se mais rapidamente do que qualquer outro surto anterior
O atual surto de Ébola está a espalhar-se mais rapidamente do que qualquer outro anterior, afirmou esta quinta-feira a agência de saúde da União Africana, avisando que os recursos mobilizados para combater a epidemia se estão a revelar insuficientes. A ameaça de greves devido a falta de pagamento de salários, pode agravar a crise.
"Infelizmente, o vírus continua a espalhar-se mais rapidamente do que a nossa capacidade de resposta. Está a disseminar-se mais rapidamente do que os recursos mobilizados para controlar a situação", disse o Dr. Wessam Mankoula, chefe de emergências do Centro de Controlo e
Prevenção de Doenças de África (Africa CDC), a agência de saúde da União
Africana (UA), durante uma conferência de imprensa online."Continuamos a enfrentar a epidemia de Ébola com a propagação mais rápida alguma vez registada", observou Mankoula, "não apenas entre os surtos do vírus Bundibugyo, mas entre todos os diferentes vírus que causam o Ébola."
Há suspeitas de novos casos fora do epicentro declarado em Ituri em 15 de maio e em províncias que não tinham sido afetadas anteriormente.
De acordo com o Ministério da Saúde congolês, estes casos foram registados nas províncias de Tshopo e Haut-Uele, e sinalizam a contínua propagação da doença para além do epicentro em Ituri.
O relatório apontava dois novos casos suspeitos em Kisangani, na província de Tshopo, mas não refere quantos casos são suspeitos em Haut-Uele.
Segundo o relatório, um dos dois casos suspeitos em Tshopo estava ligado à zona de saúde de Nia-Nia, na província de Ituri, onde foram reportados os primeiros casos, enquanto o outro caso "não tem qualquer ligação geográfica aparente com surtos conhecidos".
De acordo com o Ministério da Saúde congolês, estes casos foram registados nas províncias de Tshopo e Haut-Uele, e sinalizam a contínua propagação da doença para além do epicentro em Ituri.
O relatório apontava dois novos casos suspeitos em Kisangani, na província de Tshopo, mas não refere quantos casos são suspeitos em Haut-Uele.
Segundo o relatório, um dos dois casos suspeitos em Tshopo estava ligado à zona de saúde de Nia-Nia, na província de Ituri, onde foram reportados os primeiros casos, enquanto o outro caso "não tem qualquer ligação geográfica aparente com surtos conhecidos".
Protestos e ameaças de greve
Agravando a falta de meios, trabalhadores dos centros de atendimento ameaçam entrar em greve por falta de pagamento de salários.
Esta quinta-feira, dezenas de membros das equipas de resposta ao Ébola no nordeste da República Democrática do Congo, realizaram protestos em frente ao Centro Médico Evangélico (CME), aos centros de tratamento de Elikya e
Salama, em Bunia, capital da província de Ituri, a mais afectada pelo atual surto. Alegaram falta do pagamento na totalidade do seu trabalho.
A polícia dispersou um dos protestos, em frente ao CME. Não ficou imediatamente claro se os protestos interromperam as operações nos centros de tratamento.
Em declarações à imprensa em Bunia, o ministro da Saúde, Samuel Roger Kamba, reconheceu que houve problemas com o "pilar de recursos humanos da resposta", nomeadamente com a garantia de que as listas de pessoas que precisavam de ser pagas estavam actualizadas e correctas.
Na conferência de imprensa online, Mankoula afirmou estar a trabalhar com as autoridades congolesas para agilizar os pagamentos aos profissionais de saúde que trabalham na linha da frente.
"Isto é muito importante para manter o moral elevado", disse , acrescentando que o Africa CDC forneceu ao Congo cerca de dois milhões de dólares para apoiar a sua resposta ao Ébola, parte dos quais poderia ser utilizada para efectuar "pagamentos em atraso" aos profissionais de saúde.
Um responsável da saúde congolês, que pediu para não ser identificado por não estar autorizado a falar com a imprensa, disse à Reuters que estavam em curso negociações com os trabalhadores que ameaçavam fazer greve, mas que até à data não tinha começado nenhuma greve.
Em declarações à imprensa em Bunia, o ministro da Saúde, Samuel Roger Kamba, reconheceu que houve problemas com o "pilar de recursos humanos da resposta", nomeadamente com a garantia de que as listas de pessoas que precisavam de ser pagas estavam actualizadas e correctas.
Na conferência de imprensa online, Mankoula afirmou estar a trabalhar com as autoridades congolesas para agilizar os pagamentos aos profissionais de saúde que trabalham na linha da frente.
"Isto é muito importante para manter o moral elevado", disse , acrescentando que o Africa CDC forneceu ao Congo cerca de dois milhões de dólares para apoiar a sua resposta ao Ébola, parte dos quais poderia ser utilizada para efectuar "pagamentos em atraso" aos profissionais de saúde.
Um responsável da saúde congolês, que pediu para não ser identificado por não estar autorizado a falar com a imprensa, disse à Reuters que estavam em curso negociações com os trabalhadores que ameaçavam fazer greve, mas que até à data não tinha começado nenhuma greve.
Mais de meio milhão de mortes
Oficialmente declarado a 15 de Maio na República Democrática do Congo (RDC), este surto de Ébola já fez mais de meio milhão de mortos.
Num relatório de situação datado de 7 de Julho, a Organização Mundial de Saúde (OMS) indicou 600 mortes, de um total de 1.759 casos confirmados, na República Democrática do Congo (RDC) desde o início da actual epidemia,.
O surto foi oficialmente declarado na província de Ituri, que faz fronteira com o Uganda e o Sudão do Sul e constitui o epicentro da epidemia, mas alastrou também às províncias congolesas de Kivu do Norte e Kivu do Sul.
A epidemia propagou-se igualmente ao Uganda, onde foram confirmados 20 casos de infeção, incluindo 15 considerados importados da RDCongo, entre os quais se registaram duas mortes, número que se mantém.
A RDC já viveu 17 surtos de Ébola, mas não existe vacina ou tratamento específico para o vírus Bundibugyo.
A OMS já tinha alertado a 19 de maio para a "escala e velocidade" da propagação da epidemia no leste da RDC.
Por seu lado, a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) manifestou preocupação em meados de junho sobre as "lacunas perigosas" na resposta à epidemia, que estava a "progredir mais rapidamente do que a resposta".
A epidemia de doença pelo vírus Ébola mais violenta da história, que assolou a África Ocidental entre o final de 2013 e 2016, provocou mais de 11.300 mortes em cerca de 29.000 casos registados, sendo mais de 99% na Guiné, Libéria e Serra Leoa.
c/agências