Epidemia na RDCongo pode durar um ano e pico ainda não foi atingido

Epidemia na RDCongo pode durar um ano e pico ainda não foi atingido

A epidemia do vírus Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) pode durar um ano e o seu pico ainda não foi atingido, disse hoje um representante da Cruz Vermelha.

Lusa /

"Tememos que esta epidemia dure ainda um ano antes de terminar", declarou Bruno Michon, diretor das operações da Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV), durante uma conferência de imprensa.

Como outras organizações já tinham destacado, Michon explicou que há uma "grave falta de capacidades de diagnóstico", o que torna "muito difícil saber exatamente até que ponto a epidemia se está a espalhar".

"Acredito que o pico não está atrás de nós, mas à nossa frente", disse.

A RDCongo declarou em 15 de maio um surto de Ébola, o 17.ª neste país africano com mais de 100 milhões de habitantes, e que foi depois declarado epidemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que lançou o alerta de saúde internacional dois dias depois.

Não existe nem vacina nem tratamento aprovado contra a rara estirpe Bundibugyo, que está na origem da epidemia.

Segundo a OMS, que usa os números das autoridades da RDCongo, foram registados até agora 808 casos, incluindo 192 mortes, o que corresponde a uma taxa de letalidade de 24%.

Mas os números oficiais "provavelmente só refletem uma parte da realidade", afirmou na segunda-feira a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF).

"Para travar a epidemia, é preciso investir não só na resposta sanitária, mas também na confiança das populações, nos voluntários locais, no envolvimento das comunidades e no acesso operacional ao terreno", explicou Michon.

O diretor das operações da ONG também explicou que, nos últimos dias, os voluntários da Cruz Vermelha da RDCongo foram alvo de insultos, ameaças e até agressões físicas no exercício das suas funções.

O vírus Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragia interna.

Tópicos
PUB