Escassez de médicos é uma das principais fraquezas área da saúde em Moçambique

Escassez de médicos é uma das principais fraquezas área da saúde em Moçambique

A escassez de médicos é uma das "principais fraquezas" do sistema de saúde em Moçambique, com uma média de apenas um médico para cerca de 40 mil habitantes, disse o ministro da Saúde moçambicano, Ivo Garrido.

Agência LUSA /

Garrido abordou o "preocupante quadro" dos profissionais da saúde em Moçambique, quando falava em Maputo por ocasião do Dia Mundial da Saúde, que se comemora sexta-feira e este ano é dedicado aos recursos humanos na saúde.

O ministro da Saúde de Moçambique considerou "extremamente poucos" os 569 médicos nacionais ao serviço dos cerca de 19 milhões de habitantes do país, defendendo que, no mínimo, esse número seja quintuplicado "para que o país atinja pelo menos uma média de um médico para oito mil habitantes".

Ivo Garrido afirmou que os padrões de distribuição dos funcionários da saúde por habitante em Moçambique estão abaixo dos níveis de África, um continente que tem apenas 1,3 por cento dos trabalhadores mundiais da saúde.

"África tem 14 por cento da população mundial mas carrega 25 por cento do peso das doenças no mundo e dispõe de apenas 1,3 por cento dos trabalhadores mundiais da saúde, para fazer face a esse drama", enfatizou Garrido.

A escassez ao nível de médicos e em outras categorias de pessoal da saúde faz com que os poucos disponíveis sejam sobrecarregados quase "24 sobre 24 horas" e tenham que aguentar enormes filas de doentes, reconheceu o ministro da Saúde moçambicano.

"Em alguns pontos do país há enfermeiros que tem ao seu cuidado cerca de 80 doentes, o que é uma sobrecarga para os trabalhadores da saúde", sublinhou o governante.

Para inverter o cenário, o Governo moçambicano aposta na formação de mais profissionais da saúde, em todas as especialidades, bem como na melhoria de condições de vida e de trabalho.

"Temos que formar mais médicos, enfermeiros, técnicos de farmácia, laboratório, radiologia, enfim, em tudo, porque o número de doentes está a crescer mais rapidamente que os profissionais da saúde, devido a doenças infecciosas como o HIV/SIDA", sublinhou Ivo Garrido.

Falando também por ocasião do Dia Mundial da Saúde, o representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Moçambique, o argelino El Hadi Benzeroouz, defendeu a criação de planos estratégicos para os recursos humanos pelos países da África sub-sahariana, os mais afectados pela crise de trabalhadores na saúde.

"Temos que encontrar respostas para fenómenos como a fuga de cérebros na saúde, através de acções consertadas com todos os parceiros internacionais", defendeu Benzerouz.


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