Esplanada das Mesquitas - Lugar sagrado para judeus e muçulmanos
A Esplanada das Mesquitas em Jerusalém, junt o à qual Israel iniciou obras de renovação contestadas por árabes e muçulmanos, é um local sagrado para o Islão e para o Judaísmo.
Hoje, primeira sexta-feira de oração desde que os trabalhos se iniciara m, confrontos entre manifestantes muçulmanos e a polícia israelita acabaram com 35 pessoas feridas.
As obras, que deverão prolongar-se por oito meses, consistem na constru ção de uma rampa de pedra na parte que liga o extremo sul do Muro das Lamentaçõe s à Esplanada das Mesquitas, local designado como Monte do Templo pelos judeus e como Nobre Santuário pelos muçulmanos.
A Esplanada das Mesquitas estende-se por uma área de 14 hectares no cen tro da Cidade Velha de Jerusalém, no sector árabe, anexado por Israel em 1967 e cuja soberania é reclamada pelos palestinianos para ali estabelecerem a capital do seu futuro Estado independente.
O local, denominado Haram al-Sharif (Nobre Santuário) pelos muçulmanos, abriga a mesquita de Al-Aqsa e a Cúpula do Rochedo e corresponde ao terceiro lu gar mais sagrado do Islão, depois da Grande Mesquita de Meca e da Mesquita do Pr ofeta de Medina, ambos na Arábia Saudita.
A Esplanada começou a ser construída no século VII, depois da tomada de Jerusalém pelo califa Omar, no local onde séculos antes os romanos destruíram o Templo judeu, do qual resta apenas o muro oeste, designado Muro das Lamentações .
Denominada pelos judeus como Monte do Templo, a Esplanada é o lugar mai s sagrado do Judaísmo e o Muro das Lamentações um lugar central de peregrinação de judeus de todo o mundo.
Entre as ruínas do Segundo Templo, destruído no ano 70 da era cristã, e ncontram-se as ruínas do "Santo dos Santos", onde se guardavam as Tábuas da Lei, recebidas por Moisés no Monte Sinai: só o Sumo Sacerdote, em dias especiais, aí podia entrar.
Os judeus ortodoxos estão proibidos pelos rabinos de subir ao Monte do Templo enquanto não vier o Messias e o Templo não for reconstruído, por receio d e que possam inadvertidamente pisar o local das ruínas do "Santo dos Santos".
Em contrapartida, os judeus menos ortodoxos procuram sempre subir ao Mo nte do Templo, ao que a entidade administrativa islâmica da Waqf se opõe, com re ceio de que ali façam orações.
Esta sensibilidade muçulmana em relação ao acesso dos judeus à Esplanad a das Mesquitas ficou patente nas consequências da visita ao local, em Setembro de 2000, do então líder da oposição e mais tarde primeiro-ministro israelita Ari el Sharon, a qual acabou por dar origem à segunda Intifada, também chamada de Al -Aqsa.