Esquerda conserva Paris, Lyon e Marselha nas autárquicas em França
A esquerda manteve no domingo as três maiores cidades de França nas eleições autárquicas, incluindo Paris, a um ano das eleições presidenciais.
A extrema-direita, na liderança das intenções de voto para a sucessão do Presidente Emmanuel Macron em 2027, impôs-se em várias cidades de média dimensão do sul, como Castres ou Carcassonne, mas não conseguiu conquistar grandes vitórias como Toulon, Nîmes ou Marselha.
A maioria dos cerca de 35 mil municípios da França elegeu os representantes numa primeira volta em 15 de março, mas a votação exigiu uma segunda volta em cerca de 1.500.
Vencedor por larga margem em Paris, o socialista Emmanuel Grégoire, 48 anos, antigo primeiro adjunto da presidente da câmara cessante Anne Hidalgo, celebrou a vitória dirigindo-se a sorrir à Câmara Municipal numa bicicleta de aluguer.
Ao escolhê-lo para liderar o quinto mandato socialista na capital desde 2001, "Paris decidiu permanecer fiel à sua história", afirmou Grégoire, após a vitória com 50,52% dos votos.
A rival, a ex-ministra de direita Rachida Dati, obteve 41,52%, apesar do apoio do candidato de centro-direita e da desistência da candidata de extrema-direita.
Com o anúncio dos resultados, várias centenas de simpatizantes explodiram de alegria, entoando "Paris permanece à esquerda".
O novo presidente da Câmara de Paris transformou a vitória num símbolo a um ano das eleições presidenciais. "A batalha pela França será violenta", previu o candidato, afirmando que "Paris será o coração da resistência" à união da direita e da extrema-direita.
Em Marselha (sudeste), o presidente da câmara cessante de esquerda, Benoît Payan, que se ergueu como baluarte contra o partido de extrema-direita Rassemblement National (RN), que chegou "às portas da cidade" na primeira volta, também venceu com larga vantagem.
Após um empate técnico na primeira volta, obteve 54,34% dos votos, 14 pontos à frente do rival de extrema-direita, Franck Allisio, que, por sua vez, esmagou a candidata da direita e do centro.
"[Esta] cidade que alguns acreditavam perdida, que alguns acreditavam conquistada pelo Rassemblement National, mostrou esta noite o seu melhor rosto, que era capaz de resistir, que era capaz, mais uma vez, de permanecer unida", reagiu Payan.
A esquerda também manteve Lyon (centro-este), a terceira cidade do país, onde o presidente da câmara ecologista, Grégory Doucet, venceu por uma margem estreita (50,67% dos votos) frente ao antigo presidente do clube de futebol Olympique Lyonnais, Jean-Michel Aulas (49,33%), há muito favorito nas sondagens.
Este último denunciou irregularidades e anunciou que vai interpor recurso.
Reeleito na cidade de Le Havre (oeste), o antigo primeiro-ministro Edouard Philippe, candidato já declarado para as eleições presidenciais de 2027, também se projetou imediatamente na corrida dos próximos 13 meses.
"Há motivos para ter esperança quando todos aqueles de boa vontade se unem num discurso de verdade e afastam os extremos e a sua facilidade", declarou perante os seus apoiantes.
O RN, que se tornou o primeiro partido de França nas eleições legislativas de 2024, somou numerosas vitórias, após as 24 reivindicadas na primeira volta, mas continua a deparar-se com um "teto de vidro" nas grandes cidades.
A líder Marine Le Pen afirmou que o partido venceu "em dezenas" de municípios, incluindo Carcassonne (sudoeste), Menton e Cannes (sudeste).
"Nunca o RN e aliados tiveram tantos eleitos em território francês. Em várias dezenas de municípios. Somos chamados a provar o nosso valor (...). Estes sucessos não são um desfecho, mas um começo", declarou Jordan Bardella, presidente do RN, anunciado como líder nas sondagens para a primeira volta das eleições presidenciais de 2027.
Um dos aliados, o desertor da direita Eric Ciotti, venceu em Nice (sudeste), a quinta maior cidade de França.
A votação, tradicionalmente mobilizadora, foi marcada por uma participação historicamente baixa de cerca de 57%, segundo sondagens.