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Esquerda destrona partido de Sarkozy no Senado em vésperas de presidenciais

Esquerda destrona partido de Sarkozy no Senado em vésperas de presidenciais

A braços com escândalos de financiamento político, o Presidente francês sofreu uma derrota histórica nas eleições intercalares para o Senado. Pela primeira vez a direita perde a maioria da câmara que controla desde 1958. A maioria esquerda prenuncia um mau resultado para a direita nas eleições presidenciais de Abril e Maio do próximo ano.

RTP /
Sarkozy sofreu derrota histórica nas intercalares para o Senado Justin Lane, EPA

A derrota da direita nas eleições intercalares para o Senado foi histórica e há mesmo quem qualifique a situação de um verdadeiro “sismo político”.

Desde 1958 os partidos da direita francesa controlavam este órgão cujo presidente é a segunda personalidade na hierarquia do Estado substituindo na ausência ou por incapacidade o Presidente da República.

Nas eleições intercalares que visavam a renovação de metade dos lugares da câmara Alta francesa, a oposição de esquerda conseguiu arrebatar mais três lugares do que os que necessitaria para garantir a maioria absoluta da câmara. Dos 348 lugares, a esquerda garantiu 177, pelo que no próximo dia 1 de Outubro elegerá o seu novo presidente.

A derrota da direita na Câmara Alta não deixa de constituir, como reconheceu o ministro Bruno Le Maire, “um sério aviso” à maioria presidencial e a constatação de que, como acrescenta o responsável político, os franceses “estão inquietos”.

A oposição passa a controlar uma das Câmaras que, juntamente com a Assembleia Nacional, é responsável pela discussão e aprovação de projetos de leis, tratados e convenções internacionais. Mesmo levando em linha de conta o facto de a Constituição francesa conceder predominância à Assembleia Nacional, a oposição de esquerda fica ainda assim com um instrumento que lhe permitirá no mínimo retardar a aprovação de textos pelo parlamento.

Para o Presidente Sarkozy, a vitória da oposição de esquerda no Senado culmina uma semana que foi um autêntico pesadelo com a vinda a público dos novos desenvolvimentos do chamado caso Carachi, um dossier de corrupção e financiamentos políticos ilegais ligados à venda de submarinos ao Paquistão.

Ainda na semana passada, dois indivíduos, próximos do inquilino do Palácio do Eliseu, foram condenados por um júri num julgamento em que estão em causa alegadas malas de dinheiro que terão circulado entre a França e o Paquistão para financiar a campanha do antigo primeiro-ministro, Edouard Balladur, às presidenciais de 1995.

Finalmente, e para agravar a situação de Sarkozy, Brice Hortefeux, antigo ministro do interior e apontado como próximo diretor da campanha de Sarkozy em 2012 foi também ele apanhado em águas tormentosas.

Brice é suspeito de ter tido acesso ao dossier do juiz de instrução criminal e de ter alertado um dos investigados no processo que, apesar de o Eliseu ter desde os primeiros momentos rejeitado qualquer implicação do Presidente, certamente não jogou a favor dos partidos da direita nestas eleições intercalares para o Senado.

Se à direita, a UMP (partido presidencial) se apressou a relativizar a importância da votação e a renovar a confiança na muito provável recandidatura de Nicolas Sarkozy à Presidência da República, à esquerda, os socialistas ficaram satisfeitos com a vitória da esquerda na qual vêem um bom presságio para as eleições na primavera de 2012.

O partido da rosa vê nos resultados das recentes eleições autárquicas e regionais e agora nas intercalares para o Senado, uma vaga de fundo que lhes permitirá eventualmente recuperar a Presidência da República perdida depois da saída de François Miterrand.

Pierre Moscovici, personalidade próxima de François Hollande – que lidera as sondagens nas primárias socialistas que designarão o candidato do partido à Presidência da República – explica mesmo que existe “um desejo de alternância” na sociedade francesa.

As eleições presidenciais da primavera de 2012 poderão assumir uma importância especial, para além da própria França, para a Europa.

Os dois países do eixo franco-alemão que têm dominado a política europeia poderão sofrer alterações políticas internas. Em França Sarkozy e a direita poderão não conseguir a reeleição, dando lugar à esquerda. Na Alemanha, Angela Merkel tem tido forte contestação interna e sofreu também ela derrotas históricas nas eleições regionais em muitos dos Estados da Alemanha. A saída da direita e a entrada dos partidos de esquerda poderá determinar alterações nas políticas deste importante eixo europeu.
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