Estado da Califórnia executa preso de 76 anos, cego, surdo e doente
O Estado norte-americano da Califórnia executou hoje Clarence Ray Allen, cego, surdo e paralítico, condenado à pena de morte em 1982 por organizar na prisão a morte de três pessoas.
Clarence Allen, descendente de índios Choctaw, foi dado como morto por injecção letal, às 00:38 (08:30 em Lisboa) na prisão de San Quentin, no dia em que cumpriu 76 anos de idade.
Cego, surdo, cardíaco, sofrendo de diabetes e locomovendo-se em cadeira de rodas, Clarence Allen sofreu um ataque cardíaco em Setembro, para o qual recebeu assistência médica, regressando depois ao "corredor da morte".
Segundo o Procurador do Estado, Ward Campbell, "Allen foi sentenciado à pena capital porque já estava a cumprir prisão perpétua quando organizou o assassínio de três inocentes".
Allen tinha sido preso por ordenar a morte da namorada do filho, por receio de que esta fornecesse à polícia dados sobre um assalto.
Na prisão de Folsom, Allen entregou a um condenado que saiu em liberdade condicional uma lista com os nomes de sete testemunhas que contribuíram para a sua condenação.
Pretendia que as sete pessoas fossem mortas para que não testemunhassem nos recursos que pretendia interpor. Em 1982 foi sentenciado à morte por ter contratado um homem que matou uma testemunha e dois transeuntes.
O assassino está também no "corredor da morte", sem que tenha ainda sido anunciada uma data para a execução.
O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, recusou sexta-feira conceder clemência a Clarence Allen, o condenado mais idoso no Estado da Califórnia.
Os advogados de Clarence Allen interpuseram recurso ao Supremo Tribunal por considerarem que a execução era cruel, dado o estado físico do detido, mas o Supremo indeferiu o apelo.
O governador republicano já tinha recusado clemência, em Dezembro, a Stanley "Tookie" Williams, criminoso que se tornou activo defensor da não-violência.
Os opositores à pena de morte pediram clemência para Allen e o secretário-geral do Conselho da Europa, Terry Davis, tinha também pedido ao governador da Califórnia que poupasse a vida do preso.
"É certo que ele não é um inocente mas ao executá-lo, nesta idade e décadas depois dos factos, as autoridades estão prestes a ganhar o concurso de crueldade e de vingança", segundo um texto divulgado pelo Conselho da Europa.
Os Estados Unidos ultrapassaram em 2005 a barreira dos mil executados, desde o restabelecimento da pena de morte, em 1976, após uma moratória de 10 anos.
A pena de morte é legal em 38 dos 50 Estados norte-americanos.