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EUA acusam formalmente ex-presidente cubano Raúl Castro
Washington acusa o ex-presidente cubano de conspiração para matar cidadãos americanos, destruição de uma aeronave e homicídio.
(em atualização)
Os Estados Unidos avançaram formalmente com uma acusação contra Raúl Castro, antigo presidente cubano e irmão de Fidel, pelo seu alegado papel no abate de dois aviões civis em 1996, que provocou a morte de três cidadãos norte-americanos.
O procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, afirmou que a acusação contra o ex-presidente cubano envia uma mensagem de que aqueles que matam americanos serão responsabilizados, independentemente do tempo decorrido. “Não se pode permitir que nações e seus líderes ataquem americanos, os matem e não sejam responsabilizados”, disse.
“Os Estados Unidos e o presidente Trump não se esquecem e não se esquecerão dos seus cidadãos”, disse Blanche, acrescentando que Castro comparecerá num tribunal norte-americano "por vontade própria ou de outra forma".
"Esta acusação não é meramente simbólica. Foi emitido um mandado de detenção contra ele. Por isso, esperamos que se entregue voluntariamente, ou não, e seja detido", disse Blanche numa conferência de imprensa em Miami.
As acusações contra Raúl Castro, de 94 anos, baseiam-se num incidente de 1996, no qual jatos cubanos abateram dois aviões pertencentes à organização de exilados cubano-americanos “Irmãos ao Resgate”. No incidente morreram quatro pessoas, três delas cidadãos norte-americanos.
Na altura, Raúl Castro era o ministro da Defesa da ilha. O governo cubano queixou-se depois à administração Clinton, então no poder, sobre os voos.
"Manobra política"
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, disse que a acusação contra Raúl Castro é uma “manobra política, desprovida de qualquer fundamento jurídico, cujo único objetivo é insuflar o dossier fabricado que utilizam para justificar a insensatez de uma agressão militar a Cuba”.
Numa publicação na rede social X, Díaz-Canel acusa os EUA de mentirem e de “distorcerem os acontecimentos”, afirmando que a 24 de fevereiro de 1996, “Cuba agiu em legítima defesa dentro das suas águas territoriais".
"Manobra política"
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, disse que a acusação contra Raúl Castro é uma “manobra política, desprovida de qualquer fundamento jurídico, cujo único objetivo é insuflar o dossier fabricado que utilizam para justificar a insensatez de uma agressão militar a Cuba”.
La pretendida acusación contra el General de Ejército Raúl Castro Ruz, que acaba de comunicar el Gobierno estadounidense, solo evidencia la soberbia y la frustración que le provoca a los representantes del imperio, la inquebrantable firmeza de la Revolución Cubana y la unidad y… pic.twitter.com/0r0wV0kUX9
— Miguel Díaz-Canel Bermúdez (@DiazCanelB) May 20, 2026
Numa publicação na rede social X, Díaz-Canel acusa os EUA de mentirem e de “distorcerem os acontecimentos”, afirmando que a 24 de fevereiro de 1996, “Cuba agiu em legítima defesa dentro das suas águas territoriais".
A acusação surge numa altura em que o presidente norte-americano, Donald Trump, pressiona para uma mudança de regime em Cuba, onde os comunistas de Castro estão no poder desde que o seu falecido irmão, Fidel Castro, liderou uma revolução em 1959.
"Os Estados Unidos não tolerarão um Estado pária que alberga operações militares, de inteligência e terroristas estrangeiras hostis a apenas 145 quilómetros do território norte-americano", disse Trump num comunicado divulgado esta quarta-feira. Donald Trump tem repetido que assim que resolver a questão do Irão vai voltar-se para Cuba e tomar a ilha “de imediato”.
"Os Estados Unidos não tolerarão um Estado pária que alberga operações militares, de inteligência e terroristas estrangeiras hostis a apenas 145 quilómetros do território norte-americano", disse Trump num comunicado divulgado esta quarta-feira. Donald Trump tem repetido que assim que resolver a questão do Irão vai voltar-se para Cuba e tomar a ilha “de imediato”.
O anúncio foi feito esta quarta-feira, dia em que os EUA assinalaram o aniversário do fim da ocupação militar americana de Cuba, que durou quatro anos, a 20 de maio de 1902, e que sucedeu a séculos de domínio colonial espanhol. O governo cubano não considera a data como o dia da independência do país, argumentando que Cuba se manteve submissa a Washington até à revolução de 1959.
Para assinalar a data, o gabinete do Procurador dos EUA em Miami vai realizar um evento para homenagear as vítimas do incidente. Será realizado dentro da “Freedom Tower”, que funcionou por mais de uma década como centro de refugiados para cubanos que buscavam asilo nos Estados Unidos, tornando-se um símbolo da imigração cubana em Miami.
Havana acusa Washington de "cinismo"
Sob a administração Trump, os EUA impuseram efetivamente um bloqueio a Cuba. Além do embargo económico em vigor desde 1962, Washington impôs também um bloqueio total de petróleo à ilha desde janeiro, tendo permitido a entrada de apenas um petroleiro russo no país. Esse bloqueio agravou a crise económica, provocando apagões no país.
Numa mensagem vídeo dirigida ao povo cubano na manhã desta quarta-feira, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, cujos pais eram imigrantes cubanos nos Estados Unidos, ofereceu-se para forjar uma nova relação entre os dois países. Rubio lembrou que os EUA poderiam fornecer 100 milhões de dólares em ajuda e acusou os líderes cubanos de serem os responsáveis pela escassez de eletricidades, alimentos e de combustível no país.
Em resposta, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodríguez, chamou a Rubio "porta-voz de interesses corruptos e vingativos", mas não descartou aceitar a ajuda.
"Continua a falar de um pacote de ajuda de 100 milhões de dólares que Cuba não rejeitou, mas cujo cinismo é evidente para qualquer pessoa face ao efeito devastador do bloqueio económico e do estrangulamento energético", escreveu Rodríguez numa publicação no X.
Rodríguez afirmou que, ao contrário do que Rubio alega, a situação de Cuba é resultado do embargo económico dos EUA, em vigor desde a década de 1960, bem como de outras pressões de Washington.
“O secretário de Estado está a repetir o seu discurso enganoso e a tentar culpar o governo de Cuba pelos danos cruéis que o governo dos EUA está a causar ao povo cubano”, acrescentou.
Os EUA mantêm um embargo económico contra Cuba desde 1960, depois de Fidel Castro ter estabelecido uma aliança com a União Soviética e de ter confiscado empresas e propriedades de cidadãos norte-americanos.
As relações diplomáticas entre os dois países melhoraram brevemente durante o segundo mandato do antigo presidente democrata Barack Obama, mas Donald Trump adotou uma postura mais dura e recentemente tem ameaçado tomar Cuba.
Democratas tentam travar Trump
Esta quarta-feira, um grupo de senadores democratas norte-americanos apresentou uma resolução para impedir Trump de utilizar as forças armadas contra Cuba.
Sob a administração Trump, os EUA impuseram efetivamente um bloqueio a Cuba. Além do embargo económico em vigor desde 1962, Washington impôs também um bloqueio total de petróleo à ilha desde janeiro, tendo permitido a entrada de apenas um petroleiro russo no país. Esse bloqueio agravou a crise económica, provocando apagões no país.
Numa mensagem vídeo dirigida ao povo cubano na manhã desta quarta-feira, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, cujos pais eram imigrantes cubanos nos Estados Unidos, ofereceu-se para forjar uma nova relação entre os dois países. Rubio lembrou que os EUA poderiam fornecer 100 milhões de dólares em ajuda e acusou os líderes cubanos de serem os responsáveis pela escassez de eletricidades, alimentos e de combustível no país.
Em resposta, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodríguez, chamou a Rubio "porta-voz de interesses corruptos e vingativos", mas não descartou aceitar a ajuda.
"Continua a falar de um pacote de ajuda de 100 milhões de dólares que Cuba não rejeitou, mas cujo cinismo é evidente para qualquer pessoa face ao efeito devastador do bloqueio económico e do estrangulamento energético", escreveu Rodríguez numa publicação no X.
Rodríguez afirmou que, ao contrário do que Rubio alega, a situação de Cuba é resultado do embargo económico dos EUA, em vigor desde a década de 1960, bem como de outras pressões de Washington.
“O secretário de Estado está a repetir o seu discurso enganoso e a tentar culpar o governo de Cuba pelos danos cruéis que o governo dos EUA está a causar ao povo cubano”, acrescentou.
Os EUA mantêm um embargo económico contra Cuba desde 1960, depois de Fidel Castro ter estabelecido uma aliança com a União Soviética e de ter confiscado empresas e propriedades de cidadãos norte-americanos.
As relações diplomáticas entre os dois países melhoraram brevemente durante o segundo mandato do antigo presidente democrata Barack Obama, mas Donald Trump adotou uma postura mais dura e recentemente tem ameaçado tomar Cuba.
Democratas tentam travar Trump
Esta quarta-feira, um grupo de senadores democratas norte-americanos apresentou uma resolução para impedir Trump de utilizar as forças armadas contra Cuba.
Os democratas Tim Kaine, da Virgínia, Adam Schiff, da Califórnia, e Ruben Gallego, do Arizona, apresentaram uma resolução sobre os poderes de guerra para bloquear o uso das forças armadas dos EUA contra a ilha. Citaram as repetidas ameaças do presidente republicano de enviar tropas para mudar o governo em Havana e relatos de que o Comando Sul dos EUA recebeu ordens para elaborar planos de ataque, embora Cuba não represente uma ameaça significativa à segurança nacional dos EUA.
"As forças armadas dos EUA são as melhores do mundo, mas os nossos militares não devem ser enviados para o perigo quando não há um benefício claro para os Estados Unidos", disse Kaine, um dos líderes dos esforços no Congresso para fazer cumprir a disposição constitucional de que o poder legislativo, e não o presidente, tem o poder de declarar guerra.
"As forças armadas dos EUA são as melhores do mundo, mas os nossos militares não devem ser enviados para o perigo quando não há um benefício claro para os Estados Unidos", disse Kaine, um dos líderes dos esforços no Congresso para fazer cumprir a disposição constitucional de que o poder legislativo, e não o presidente, tem o poder de declarar guerra.
Numa rara reprimenda a Trump, o Senado, de maioria republicana, votou na terça-feira a aprovação de uma resolução para pôr fim à guerra com o Irão, a menos que o governo obtenha a autorização do Congresso. Esta foi a oitava vez este ano que uma resolução deste tipo foi apresentada no Senado.
c/agências