EUA anunciam restrição de vistos a membros de grupos terroristas de extrema-esquerda
Em novembro passado, o Governo de Donald Trump designou como terroristas quatro grupos europeus antifascistas. Trump também já tinha designado o movimento antifascista Antifa como uma suposta "organização terrorista doméstica".
O Departamento de Estado norte-americano anunciou hoje uma nova política de restrição de vistos a membros de grupos terroristas de extrema-esquerda, no mesmo dia em que promoveu em Washington a Reunião Ministerial sobre o Ressurgimento do Terrorismo Político.
Em comunicado, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, indicou que os terroristas de extrema-esquerda e seus aliados frequentemente utilizam redes sofisticadas e organizadas para perpetrar violência como ferramenta política, com o objetivo de implementar uma visão política extremista através da intimidação e de campanhas coordenadas de terror.
"Trata-se de uma estratégia que visa explicitamente minar os fundamentos políticos de sociedades livres e autogovernadas, utilizando atentados à bomba, assassínios e outras formas de terrorismo para silenciar a liberdade de expressão, limitar a oposição política, alterar políticas públicas e sabotar processos políticos", defendeu.
Nesse sentido, Rubio anunciou uma nova política de restrição de vistos que visa membros de grupos terroristas de extrema-esquerda e outros grupos alinhados que apoiaram ou incitaram atos de terrorismo; apoiaram atividades criminosas violentas; participaram em sabotagem económica; financiaram, recrutaram ou forneceram apoio logístico para ações violentas ou criminosas cometidas por grupos terroristas de extrema-esquerda e outros grupos alinhados; e/ou facilitaram a convergência de redes terroristas de extrema-esquerda para fins violentos.
"Esta política protegerá o território americano, restringindo a entrada de estrangeiros que financiam, recrutam, incitam ou de qualquer outra forma apoiam redes terroristas, violentas e criminosas de extrema esquerda - fechando o acesso a vistos que terroristas de extrema-esquerda e outros grupos aliados exploram para ameaçar vidas americanas, minar a estabilidade económica e coordenar ações violentas em solo americano", explicou Rubio, sem identificar os visados.
Em novembro passado, o Governo de Donald Trump designou como terroristas quatro grupos europeus antifascistas.
Trump também já tinha designado o movimento antifascista Antifa como uma suposta "organização terrorista doméstica".
A nova medida surge em apoio ao Memorando Presidencial de Segurança Nacional n.º 7 - publicado no ano passado e que contempla uma estratégia federal para investigar, interromper e desmantelar redes envolvidas em terrorismo doméstico e violência política organizada.
Ainda segundo o Departamento de Estado, as novas restrições fazem parte dos esforços contínuos do Governo norte-americano para desmantelar redes que fomentam a violência política antes que se transforme em ação criminosa.
A medida foi anunciada no mesmo dia em que cerca de 70 delegações internacionais estiveram reunidas em Washington para participar na chamada Reunião Ministerial sobre o Ressurgimento do Terrorismo Político.
A reunião, que inclui países do hemisfério ocidental, da Europa e da Ásia, foi convocada para abordar o que o Governo do Presidente norte-americano, Donald Trump, considera um ressurgimento internacional do "terrorismo político de extrema-esquerda" em várias partes do mundo.
No arranque da reunião, Marco Rubio afirmou que o "terrorismo político de extrema-esquerda é uma ameaça real e transnacional que existe há décadas, mas que agora está a ressurgir".
O secretário de Estado analisou alguns episódios violentos ao longo da história e afirmou que "a violência de esquerda não era apenas justificada, era tratada como algo sacrossanto, uma categoria protegida em si mesma".
"Podem adotar diferentes `slogans` e ideologias dependendo do lugar e da época. Podem autodenominar-se anticapitalistas, anti-imperialistas, comunistas, anarquistas ou marxistas. Mas a sua natureza fundamental é sempre a mesma. É um ressentimento venenoso, disfarçado com a linguagem da igualdade", denunciou o líder da diplomacia norte-americana.
Para o Departamento de Estado, "o terrorismo antigovernamental de extrema-esquerda é agora responsável por mais ataques e conspirações nos Estados Unidos do que qualquer outra categoria ideológica".
Nesse sentido, Rubio pediu o fortalecimento da cooperação internacional, semelhante à que tem sido feita contra a violência extremista islâmica, para combater a "violência extremista que emana da esquerda política".
Uma análise feita pelo `think tank` norte-americano Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), publicada no ano passado, apontou um aumento da violência da extrema-esquerda nos Estados Unidos nos últimos dez anos, desde a primeira eleição de Donald Trump em 2016.
No entanto, acrescentaram os autores do estudo, "aumentou a partir de níveis muito baixos e permanece bem abaixo dos níveis históricos de violência perpetrada por atacantes de extrema-direita e extremistas islâmicos".