EUA assinalam cooperação marítima com Taiwan após reforço da presença chinesa

EUA assinalam cooperação marítima com Taiwan após reforço da presença chinesa

Os Estados Unidos divulgaram uma fotografia rara de uma operação conjunta das guardas costeiras norte-americana e taiwanesa, num sinal de apoio a Taiwan, numa altura em que Pequim reforça a presença marítima a leste da ilha.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Carlos Garcia Rawlins - Reuters

A imagem, sem data, foi publicada na terça-feira pelo Instituto Americano em Taiwan (AIT), representação diplomática de facto de Washington em Taipé.

Numa mensagem publicada nas redes sociais, o AIT indicou que as duas guardas costeiras cooperam em operações de busca e salvamento, resposta a catástrofes e aplicação da lei no domínio marítimo.

"Os Estados Unidos valorizam a parceria de Taiwan em matéria de segurança e proteção marítimas e apoiam a participação significativa de Taiwan em questões globais, incluindo o intercâmbio entre autoridades marítimas e a cooperação internacional", afirmou o AIT.

Embora a nota não mencione a China, analistas ouvidos pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post consideram que a divulgação da fotografia constitui um sinal político de apoio norte-americano a Taiwan e uma mensagem dirigida a Pequim.

A fotografia foi divulgada poucas semanas depois de a guarda costeira chinesa anunciar o início de "patrulhas regulares de aplicação da lei" em águas a leste de Taiwan.

Pequim reforçou a presença de embarcações oficiais naquela zona em junho, depois de o Japão e as Filipinas terem iniciado negociações formais para delimitar as respetivas zonas económicas exclusivas e fronteiras marítimas, alegando que essas conversações violavam os seus direitos e reivindicações territoriais.

As águas a leste de Taiwan assumem crescente importância estratégica por constituírem uma das poucas vias relativamente seguras para um eventual apoio dos Estados Unidos e do Japão à ilha em caso de conflito.

Num cenário de ataque ou bloqueio por parte do Exército chinês, aquela área poderá servir de corredor para o envio de reforços militares, combustível e outros abastecimentos essenciais.

Pequim tem privilegiado o recurso à guarda costeira e a outras embarcações governamentais para manter uma presença permanente na região, evitando o custo político associado a grandes exercícios militares e reforçando simultaneamente as reivindicações de soberania sobre aquelas águas.

Segundo o ministério da Defesa de Taiwan, embarcações da guarda costeira chinesa e de outras agências governamentais realizaram 110 operações em torno da ilha durante o mês de junho e outras 110 até 26 de julho.

Segundo Taipé, a intenção de Pequim é normalizar uma presença permanente.

Na semana passada, Taiwan acusou também um navio científico chinês de realizar uma prospeção de recursos piscícolas a leste da ilha para reforçar as reivindicações territoriais de Pequim sob o pretexto de investigação científica.

A China rejeitou as acusações, defendendo que a operação decorreu em "águas sob jurisdição chinesa" e foi uma atividade científica "inteiramente legítima e legal".

Pequim considera Taiwan uma província chinesa e não exclui o recurso à força para promover a "reunificação". O atual Governo taiwanês rejeita essa posição e considera que cabe aos 23 milhões de taiwaneses decidir o futuro da ilha.

 

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