EUA assinalam cooperação marítima com Taiwan após reforço da presença chinesa
Os Estados Unidos divulgaram uma fotografia rara de uma operação conjunta das guardas costeiras norte-americana e taiwanesa, num sinal de apoio a Taiwan, numa altura em que Pequim reforça a presença marítima a leste da ilha.
A imagem, sem data, foi publicada na terça-feira pelo Instituto Americano em Taiwan (AIT), representação diplomática de facto de Washington em Taipé.
Numa mensagem publicada nas redes sociais, o AIT indicou que as duas guardas costeiras cooperam em operações de busca e salvamento, resposta a catástrofes e aplicação da lei no domínio marítimo.
"Os Estados Unidos valorizam a parceria de Taiwan em matéria de segurança e proteção marítimas e apoiam a participação significativa de Taiwan em questões globais, incluindo o intercâmbio entre autoridades marítimas e a cooperação internacional", afirmou o AIT.
Embora a nota não mencione a China, analistas ouvidos pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post consideram que a divulgação da fotografia constitui um sinal político de apoio norte-americano a Taiwan e uma mensagem dirigida a Pequim.
A fotografia foi divulgada poucas semanas depois de a guarda costeira chinesa anunciar o início de "patrulhas regulares de aplicação da lei" em águas a leste de Taiwan.
Pequim reforçou a presença de embarcações oficiais naquela zona em junho, depois de o Japão e as Filipinas terem iniciado negociações formais para delimitar as respetivas zonas económicas exclusivas e fronteiras marítimas, alegando que essas conversações violavam os seus direitos e reivindicações territoriais.
As águas a leste de Taiwan assumem crescente importância estratégica por constituírem uma das poucas vias relativamente seguras para um eventual apoio dos Estados Unidos e do Japão à ilha em caso de conflito.
Num cenário de ataque ou bloqueio por parte do Exército chinês, aquela área poderá servir de corredor para o envio de reforços militares, combustível e outros abastecimentos essenciais.
Pequim tem privilegiado o recurso à guarda costeira e a outras embarcações governamentais para manter uma presença permanente na região, evitando o custo político associado a grandes exercícios militares e reforçando simultaneamente as reivindicações de soberania sobre aquelas águas.
Segundo o ministério da Defesa de Taiwan, embarcações da guarda costeira chinesa e de outras agências governamentais realizaram 110 operações em torno da ilha durante o mês de junho e outras 110 até 26 de julho.
Segundo Taipé, a intenção de Pequim é normalizar uma presença permanente.
Na semana passada, Taiwan acusou também um navio científico chinês de realizar uma prospeção de recursos piscícolas a leste da ilha para reforçar as reivindicações territoriais de Pequim sob o pretexto de investigação científica.
A China rejeitou as acusações, defendendo que a operação decorreu em "águas sob jurisdição chinesa" e foi uma atividade científica "inteiramente legítima e legal".
Pequim considera Taiwan uma província chinesa e não exclui o recurso à força para promover a "reunificação". O atual Governo taiwanês rejeita essa posição e considera que cabe aos 23 milhões de taiwaneses decidir o futuro da ilha.