EUA criticam ONU por incapacidade de acabar com guerra

EUA criticam ONU por incapacidade de acabar com guerra

O vice-secretário de Estado norte-americano, Christopher Landau, acusou hoje a ONU de falha lamentável na sua missão central, frisando que a organização multilateral mostrou-se incapaz de interromper a guerra na Ucrânia.

Lusa /
Shannon Stapleton - Reuters

"A principal razão para a criação da ONU após a Segunda Guerra Mundial foi impedir guerras futuras. No entanto, a ONU continua atolada em questões tangenciais e a falhar na sua missão central. A incapacidade da ONU em interromper a guerra na Ucrânia é um exemplo lamentável desta falha", afirmou Landau.

As declarações do vice-secretário de Estado foram feitas numa reunião do Conselho de Segurança da ONU, órgão do qual os Estados Unidos são membro permanente e o qual presidem este mês.

O Conselho de Segurança da ONU é o órgão mais poderoso das Nações Unidas, uma vez que é responsável por manter a paz e a segurança internacionais e as suas resoluções são de caráter vinculativo.

Contudo, não tem conseguido agir face à guerra da Rússia na Ucrânia, uma vez que Moscovo, enquanto membro permanente, tem recorrido ao poder de veto para impedir que o Conselho de Segurança atue contra si.

Landau sublinhou hoje que desde que o Presidente norte-americano, Donald Trump, regressou à Casa Branca, em janeiro de 2025, mostrou-se determinado a pôr fim à guerra na Ucrânia.

"O que estamos a tentar fazer é mostrar a ambos os lados que têm mais a ganhar com o fim da guerra do que com a continuidade do conflito. (...) É lamentável que a ONU não tenha desempenhado o papel construtivo na busca da paz que o Presidente Trump tem vindo a desempenhar", criticou.

"Pergunto àqueles que estão prestes a fazer declarações aqui hoje: as vossas declarações têm realmente probabilidade de promover uma resolução pacífica do conflito? (...) Ou são apenas palavras que não visam gerar resultados tangíveis?", questionou, dirigindo-se aos diplomatas presentes no encontro.

O diplomata garantiu que o Governo de Donald Trump continua empenhado em trabalhar com a Rússia e a Ucrânia para pôr fim à guerra e reiterou o apelo a ambos os lados para negociarem de boa-fé, com espírito de flexibilidade, compromisso e com o dever de proteger e preservar a vida dos seus cidadãos.

"Não há maior honra do que ser um pacificador. Vamo-nos comprometer hoje a fazer com que a ONU desempenhe um papel na busca da paz na Ucrânia, para que as pessoas que olharem para trás, para este período, não digam que a ONU se tornou irrelevante e que a paz foi alcançada apesar da ONU, e não por causa da ONU", concluiu.

Desde o início da invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022, todas as tentativas diplomáticas de aproximar Kiev e Moscovo falharam.

Durante a campanha para as presidenciais, em 2024, Donald Trump prometeu acabar com a guerra em 24 horas. Contudo, mais de um ano após tomar posse, o conflito ainda persiste.

A violência da guerra na Ucrânia está agora "pior do que nunca", alertou hoje a ONU, frisando que 188 civis foram mortos e 757 feridos em fevereiro, um aumento de 45% face ao período homólogo de 2025.

Na mesma reunião do Conselho de Segurança, a subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, Rosemary DiCarlo, fez um balanço do impacto desta guerra, indicando que, desde fevereiro de 2022, as Nações Unidas verificaram que 15.364 civis, incluindo 775 crianças, foram mortos na Ucrânia.

Outros 42.144 civis, incluindo 2.588 crianças, ficaram feridos, sendo que o número real de vítimas é provavelmente significativamente superior, disse DiCarlo.

Os relatórios da ONU indicam também um aumento dos ataques russos contra caminhos-de-ferro e outras infraestruturas de transporte na Ucrânia.

Além disso, durante o inverno, os danos nas infraestruturas energéticas da Ucrânia levaram a rede elétrica do país à beira do colapso total.

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