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EUA devem evitar "cheiro a pólvora" se querem paz, avisa Coreia do Norte
A influente irmã do líder norte-coreano Kim Jong-un alertou os Estados Unidos para não "causarem mal-estar", depois de a Administração de Joe Biden ter afirmado não ter obtido qualquer resposta de Pyongyang. Kim Yo-Jong criticou ainda os exercícios militares norte-americanos que estão a decorrer na Coreia do Sul, advertindo Washington para não fazer "nada que lhe tire o sono".
"Aproveitamos esta oportunidade para alertar o novo governo dos Estados Unidos que tem libertado o cheiro a pólvora para as nossas terras", afirmou Kim Yo-jong, num comunicado divulgado pela agência de notícias estatal KCNA.
"Se querem dormir em paz nos próximos quatro anos evitem o mau cheiro no primeiro passo que dão", acrescentou.
A declaração da irmã do líder norte-coreano foi a primeira mensagem pública enviada por Pyongyang a Washington, desde que o Presidente Joe Biden tomou posse em janeiro, e um dia antes de o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, e do secretário para a Defesa, Lloyd Austin, chegarem a Seul para se encontrarem com os homólogos sul-coreanos.
O comunicado de Kim Yo-jong deixa também críticas a recentes manobras militares sul-coreanas, "jogos de guerra diminutos, agora que (o país vizinho) se encontra no atoleiro da crise política, económica e epidémica".
"Os exercícios de guerra e a hostilidade nunca podem acontecer a par do diálogo e da cooperação", disse a influente irmã de Kim Jong-un, advertindo que o entendimento com a Coreia do Sul "não regressará facilmente" e que a Coreia do Norte poderá, inclusivamente, considerar romper o acordo militar inter-coreano para reduzir tensões na fronteira comum.
"Os exercícios de guerra e a hostilidade nunca podem acontecer a par do diálogo e da cooperação", disse a influente irmã de Kim Jong-un, advertindo que o entendimento com a Coreia do Sul "não regressará facilmente" e que a Coreia do Norte poderá, inclusivamente, considerar romper o acordo militar inter-coreano para reduzir tensões na fronteira comum.
"O Governo sul-coreano mais uma vez escolheu a Marcha da Guerra', a Marcha da Crise", afirmou ainda.
Contudo, o exercício militar conjunto de primavera entre os EUA e a Coreia do Sul, iniciado na semana passada, foi limitado a simulações de computador por causa da pandemia da Covid-19 e para que não houvesse queixas por parte da Coreia do Norte, de acordo com a Reuters.
Washington e Pyongyang de relações cortadas?
O ex-Presidente Donald Trump realizou três cimeiras com Kim Jong-un e ambos os líderes mantiveram contacto por carta, mas a recusa pelos EUA de pedidos norte-coreanos para o abrandamento das sanções sobre o país terão estado na origem do afastamento. De facto, Washington condicionou o abrandamento de sanções a medidas do regime norte-coreano para desmantelar seu programa nuclear, o que o Kim Jong-un se recusou a fazer.
Blinken e Austin chegaram, também esta terça-feira Tóquio, na sua primeira viagem ao estrangeiro, com a missão de estreitar laços com os aliados asiáticos. Questionado, durante uma conferência de imprensa na capital japonesa, sobre a declaração de Kim Yo-Jong, Blinken afirmou, citado pela imprensa internacional que desvalorizou as suas palavras: "Estou mais interessado em saber o que pensam os nossos aliados (asiáticos) sobre a Coreia do Norte", salientou.
Na quarta-feira, os dois governantes norte-americanos deslocam-se à Coreia do Sul, para no dia seguinte Blinken reunir com os chefes da diplomacia chinesa, no Alasca - naquele que será o primeiro encontro oficial entre os governos dos EUA e da China desde que Biden tomou posse.
Blinken e Austin chegaram, também esta terça-feira Tóquio, na sua primeira viagem ao estrangeiro, com a missão de estreitar laços com os aliados asiáticos. Questionado, durante uma conferência de imprensa na capital japonesa, sobre a declaração de Kim Yo-Jong, Blinken afirmou, citado pela imprensa internacional que desvalorizou as suas palavras: "Estou mais interessado em saber o que pensam os nossos aliados (asiáticos) sobre a Coreia do Norte", salientou.
Na quarta-feira, os dois governantes norte-americanos deslocam-se à Coreia do Sul, para no dia seguinte Blinken reunir com os chefes da diplomacia chinesa, no Alasca - naquele que será o primeiro encontro oficial entre os governos dos EUA e da China desde que Biden tomou posse.
A Casa Branca tem estado a rever a sua posição política relativamente à Coreia do Norte e, segundo a imprensa norte-amerciana, a Administração Biden vai reforçar a pressão diplomática e bélica sobre Pyongyang, como afirmou há uma semana Blinken. No entanto, esta relação diplomática parece que já viu melhores dias e os EUA ainda não receberam qualquer resposta por parte da Coreia do Norte.
"O nosso objetivo é reduzir o risco de uma escalada. Mas até ao momento não recebemos nenhuma resposta. (...) Há mais de um ano que não há diálogo ativo com a Coreia do Norte, apesar das várias tentativas de abordagem dos Estados Unidos", adiantou um porta-voz da Casa Branca, na semana passada.
Sem adiantar mais pormenores, a mesma fonte sublinhou que a Administração Biden tem vindo a analisar a política que pretende face a Pyongyang, incluindo a "avaliação de todas as opções disponíveis para lidar com a crescente ameaça representada pela Coreia do Norte aos seus vizinhos e a comunidade internacional em geral".
Os especialistas consideram que Pyongyang provavelmente vai continuar a rejeitar os esforços diplomáticos norte-americanos por várias razões, incluindo a pandemia, a revisão da política em andamento Biden para a Coreia do Norte, os encontros diplomáticos na região e a própria retórica dos EUA.
Por várias vezes a Casa Branca deixou claro que o objetivo é "a desnuclearização completa da Coreia do Norte".
Mas segundo o especialista em ciência política do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, Vipin Narang, "a desnuclearização é um fracasso". Em entrevista à CNN, Narange acrescentou ainda que "todas as vezes que usarmos esta frase somos penalizados, porque os norte-coreanos nunca concordarão com isto".
Por várias vezes a Casa Branca deixou claro que o objetivo é "a desnuclearização completa da Coreia do Norte".
Mas segundo o especialista em ciência política do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, Vipin Narang, "a desnuclearização é um fracasso". Em entrevista à CNN, Narange acrescentou ainda que "todas as vezes que usarmos esta frase somos penalizados, porque os norte-coreanos nunca concordarão com isto".