EUA. Ex-conselheiro de Segurança criticado por apelar a "uma religião"

EUA. Ex-conselheiro de Segurança criticado por apelar a "uma religião"

O ex-conselheiro de Segurança Nacional de Donald Trump, Michael Flynn, está debaixo de fogo depois de ter, aparentemente, apelado a que seja estabelecida uma única religião nos Estados Unidos.

RTP /
O ex-conselheiro de Trump despediu-se após menos de um mês no cargo, por alegadamente ter mentido ao FBI sobre contactos com a Rússia. Andrew Harrer - EPA

“Se vamos ter uma nação sob Deus, algo que deve acontecer, então temos de ter uma religião. Uma nação sob Deus e uma religião sob Deus”, declarou Flynn no domingo, num comício organizado pela rede de notícias cristã sem fins lucrativos American Faith.

Em resposta, a democrata Ilhan Omar – uma das primeiras mulheres muçulmanas a serem eleitas para o Congresso norte-americano – disse que “estas pessoas odeiam a Constituição dos Estados Unidos”.

Segundo a primeira emenda da Constituição norte-americana, deve ser sempre garantida a liberdade religiosa nos EUA e “o Congresso não deve produzir leis que estabeleçam uma religião ou proíbam o seu livre exercício”.

Mark Hertling, antigo general e comentador televisivo, chamou a Michael Flynn “uma vergonha para o exército norte-americano”, considerando as palavras do ex-conselheiro de Trump “repugnantes”.

Para o jornalista Carl Bernstein, Flynn foi um dos “patifes, tolos e perigosas figuras autoritárias” de quem Donald Trump se rodeou no seu tempo na Casa Branca. “Não deveria ser surpresa que Flynn esteja a dizer esse tipo de coisas, mas o mais relevante aqui é que a maioria do Partido Republicano, talvez uns 35 por cento, disseram nas sondagens eleitorais que preferiam Trump porque sentiam que o cristianismo lhes estava a ser retirado”, considerou.

“Posto isto, Michael Flynn não está assim tão distante desse enorme número de pessoas neste país”, concluiu.

Por outro lado, o republicano e candidato ao Senado em Ohio Josh Mandel apoiou Flynn, esclarecendo que “a liberdade religiosa [não é igual a] liberdade vinda da religião”.
Flynn esteve envolvido na polémica da ingerência russa
O ex-funcionário de Donald Trump tinha já feito parte da Casa Branca de Barack Obama, mas foi despedido pelo antigo presidente democrata. Foi mais tarde que se tornou próximo de Trump e acabou por ser nomeado conselheiro de Segurança Nacional, mas despediu-se após menos de um mês no cargo, por alegadamente ter mentido ao FBI sobre contactos com a Rússia.

Flynn declarou-se culpado de uma acusação na investigação de Robert Mueller, ex-diretor do FBI, à ingerência russa nas eleições norte-americanas de 2016. Acabou, porém, por receber um perdão presidencial de Donald Trump, saindo ileso.

Desde então, tem surgido associado ao grupo conspiracionista de extrema-direita QAnon.

No domingo, durante o comício da American Faith, Michael Flynn aproveitou para falar de Steve Bannon, antigo aliado de Trump que há dias foi indiciado por dois crimes de desobediência, ao recusar colaborar na investigação sobre o ataque ao Capitólio, a 6 de janeiro.

“É um atentado à liberdade de expressão”, defendeu Flynn, que também foi já sujeito a uma intimação por parte do comité da Câmara dos Representantes que está a investigar os eventos no Capitólio. Na sexta-feira, o ex-conselheiro de Segurança Nacional disse não ter nada a esconder.
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