EUA instam Europa a reforçar restrições para evitar propagação de ébola a partir de África
O Governo norte-americano alertou vários países europeus para a necessidade de maiores restrições nas chegadas de países africanos afetados pelo ébola, sugerindo que em caso contrário poderá condicionar entradas de viajantes europeus, incluindo para o Campeonato do Mundo de futebol.
O secretário de Estado, Marco Rubio, telefonou terça-feira à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para transmitir as preocupações norte-americanas e "discutir a coordenação e os esforços de resposta" de ambos os lados "ao surto de ébola na República Democrática do Congo e no Uganda", afirmou o Departamento de Estado em comunicado.
"A maior prioridade e foco do departamento continuam a ser proteger a saúde do povo americano e impedir que este surto de Ébola chegue às nossas costas", referiu o comunicado.
Um funcionário do Departamento de Estado citado pela AP adiantou que Washington "intensificou esforços" para enfrentar o surto e "agora o mundo precisa de fazer mais e também intensificar os seus esforços".
A autoridade admitiu que, sem ações adicionais, as viagens transatlânticas podem ser afetadas, incluindo contribuições financeiras para combater a doença e "restrições sensatas a viagens a partir da área afetada".
A delegação da União Europeia em Washington não se pronunciou de imediato sobre a chamada de Rubio a von der Leyen.
O Mundial começa na quinta-feira no México e prolonga-se por quase seis semanas, com os Estados Unidos a receberem a maioria dos jogos.
O governo de Donald Trump proibiu a entrada no país de viajantes que nas últimas três semanas tenham estado num dos países afetados e está a estabelecer procedimentos de quarentena para cidadãos norte-americanos afetados que regressem desses locais.
Existem relativamente poucos voos diretos entre África e os Estados Unidos, mas mais de 300 voos diretos diários entre a Europa e os Estados Unidos.
Washington afirma ter contribuído com mais de 200 milhões de dólares para os esforços de combate ao surto no Congo e no Uganda desde que este foi confirmado no mês passado.
A agência de saúde da União Africana (UA) anunciou hoje que a UE vai destinar 11,5 milhões de euros para combater a epidemia do Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo).
Em comunicado divulgado pela Comissão Europeia, o executivo comunitário refere que, no total, vai disponibilizar 16,5 milhões de euros para ajudar a República Democrática do Congo a combater a epidemia de Ébola: além dos cinco milhões de euros em equipamentos de teste e dos 6,5 milhões para a Iniciativa de Genómica de Patógenos da África, o pacote hoje anunciado inclui também outros cinco milhões para a Organização Mundial da Saúde (OMS), para "reforçar a vigilância e o acesso a materiais de saúde".
Estes 16,5 milhões de euros hoje anunciados acrescem a outros 15 milhões que a Comissão Europeia já tinha disponibilizado em maio para apoiar a resposta humanitária de emergência na República Democrática do Congo e no Uganda perante a epidemia de Ébola.
A comissária europeia para a Preparação e Gestão de Crises, Hadja Lahbib, que anunciou a ajuda durante a sua visita à sede do Africa CDC em Adis Abeba, Etiópia, na segunda-feira, declarou que "parcerias sólidas salvam vidas", acrescentando que este pacote vai fortalecer a resposta à epidemia ao equipar e treinar profissionais de saúde.
De acordo com o mais recente relatório das autoridades da RDCongo, dos 550 casos da doença confirmados, houve 101 mortes e 19 recuperações.
A mais recente epidemia de Ébola, declarada primeiro como surto em 15 de maio, é provocada pelo raro vírus Bundibugyo, que não tem vacina ou tratamento aprovado, ao contrário do vírus Zaire, responsável pela maioria dos 16 surtos anteriores da doença no Congo.
A epidemia já se espalhou para o país vizinho, Uganda, onde foram detetados até ao momento 19 casos confirmados.
Na segunda-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reduziu o risco para a saúde decorrente da epidemia de Ébola no continente africano de "alto" para "baixo", com exceção da República Democrática do Congo, onde permanece "muito alto", e países vizinhos.
O vírus do Ébola, que foi detetado pela primeira vez em 1976, junto ao rio com o mesmo nome, na RDCongo, é transmitido através do contacto direto com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, dores musculares, fraqueza, dores de cabeça, irritação da garganta, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas.
O Ébola provoca uma febre hemorrágica mortal, mas o vírus, que causou mais de 15 mil mortes em África nos últimos 50 anos, é menos contagioso do que a covid-19 ou o sarampo, segundo a OMS.