EUA reavaliam presença na Bósnia face a desacordo sobre novo Alto Representante

EUA reavaliam presença na Bósnia face a desacordo sobre novo Alto Representante

Os Estados Unidos vão rever a presença na Bósnia depois de Washington e a União Europeia não terem chegado a acordo para nomear um novo Alto Representante para supervisionar o acordo de paz no país.

Lusa /
Foto: Rede Social X

"A indecisão europeia e o facto de o PIC [sigla em inglês do Conselho de Implementação da Paz] estar a fugir às suas responsabilidades para com a Bósnia-Herzegovina obrigam os Estados Unidos a rever o seu papel na atual presença internacional na Bósnia-Herzegovina", disse um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, num comunicado divulgado na quinta-feira.

O Comité Executivo do PIC estava reunido em Sarajevo desde quarta-feira, mas não conseguiu selecionar o novo Alto Representante, após a demissão, em maio, do alemão Christian Schmidt.

"Todos os participantes esperam que seja nomeado um candidato de consenso nos próximos dias, com vista a uma transição até ao final de junho", disse Schmidt, num vídeo publicado nas redes sociais.

O antigo ministro da Agricultura alemão, de 68 anos, anunciou em maio, de forma inesperada, a saída do cargo, que o próprio atribuiu à pressão "enorme e inesperada" de Washington.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, declarou na segunda-feira que "é importante que o novo Alto Representante (...) represente a escolha da Bósnia-Herzegovina de continuar no caminho para a adesão à União Europeia".

Schmidt foi nomeado em 2021 e envolveu-se numa longa disputa de poder com o líder sérvio-bósnio Milorad Dodik.

O Gabinete do Alto Representante foi criado após a guerra na Bósnia (1992-1995), que causou cerca de 100 mil mortos, forçando ainda milhões de pessoas a deslocarem-se.

O Alto Representante tem, desde então, a função de supervisionar a implementação dos acordos de paz de Dayton que puseram fim ao conflito.

Os poderes deste cargo são numerosos e discricionários, permitindo promulgar ou revogar leis e destituir funcionários eleitos, e o seu mandato não tinha limite temporal.

Desde o final da guerra em 1995, a Bósnia está dividida em duas entidades autónomas: a República Sérvia (49% do território) e a Federação da Bósnia e Herzegovina, ligadas por um frágil governo central.

À chegada de Schmidt, Milorad Dodik classificou-o imediatamente de "ilegítimo" e de "turista", argumentando que não contava com a aprovação formal do Conselho de Segurança da ONU devido à oposição da Rússia e da China.

O líder sérvio-bósnio, que mantém laços estreitos com Moscovo, apresentou frequentemente Schmidt como uma ameaça para a República Sérvia.

Milorad Dodik, alvo de sanções norte-americanas durante anos, viu estas serem levantadas este ano e mantém laços com pessoas do círculo da família do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Donald Trump Jr., um dos filhos do Presidente norte-americano, deslocou-se a Banja Luka, capital da República Sérvia, no âmbito de uma visita qualificada de "cordial".

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