EUA retomam laços diplomáticos com Birmânia
A Secretária de Estado, Hillary Clinton, anunciou o início do processo de troca de embaixadores entre os Estados Unidos e a Birmânia, poucas horas depois de a Junta militar que governa o país libertar vários prisioneiros políticos de primeiro plano. Esta libertação era uma medida fundamental exigida pela União Europeia e pelos Estados Unidos para aliviar as sanções contra o regime.
O regime
birmanês ordenou esta sexta-feira a libertação de 615 detidos. Entre eles estão
vários dissidentes políticos e ativistas pró-democracia de primeira linha,
agora amnistiados.
Sai Nyunt Lwin, um político proeminente que representa a minoria étnica Shan, Khin Nyunt, um ex-primeiro-ministro e diretor de agência de informações, Min Ko Naing, líder de uma revolta estudantil em 1988 e Shin Gambira, um célebre monge budista que em 2007 liderou protestos de rua, saíram todos em liberdade.
Naing, o líder estudantil, terá sido saudado por uma multidão entusiástica que o esperava à porta da prisão, em Thayet, 545 quilómetros a norte de Rangum.
Aung San Suu Kyi, a líder pró-democracia e Prémio Nobel da Paz congratulou-se com a amnistia concedida pelo governo, a qual descreveu como um “sinal positivo”, segundo um dos porta-vozes do seu partido, a Liga nacional para a Democracia, o qual confirmou ainda a libertação de pelo menos 100 prisioneiros políticos.
Início de normalização
A libertação dos detidos é exemplo das políticas que irão tirar a Birmânia do seu isolamento internacional e está a ser considerada como “séria” e sinal de que o país se prepara para uma reforma política verdadeira.
O Presidente Barack Obama referiu a libertação histórica dos detidos políticos na Birmânia como um "passo promissor" e declarou que iria solicitar aos responsáveis novas medidas "para construir confiança". E deixou uma promessa:
"Muito falta ainda fazer para ir ao encontro das aspirações do povo birmanês mas, os Estados Unidos estão comprometidos com o processo que iniciaram" afirmou Obama.
Hillary Clinton, Secretária de Estado dos EUA, revelou que após "consultas com o Congresso e sob direção do Presidente Obama, vamos iniciar o processo de troca de embaixadores com a Birmânia".
"Um embaixador irá apoiar os nossos esforços na direcção histórica e promissora que está a desenvolver-se", considerou Clinton. Mas avisou que a troca de embaixadores é apenas o início de um longo processo de normalização dos laços entre a Birmânia e os Estados Unidos.
“Muitas das pessoas hoje libertadas distinguiram-se como líderes corajosos e firmes na luta pela democracia e pelos direitos humanos, em momentos críticos da história recente”, afirmou a Secretária de Estado.
Revolução
Segundo a televisão e a rádio birmanesas os detidos foram amnistiados para tomarem parte “na construção da nação”. Vários analistas consideraram a libertação “revolucionária”, tendo em vista a identidade dos libertados.
“Representam
realmente sectores-chave da oposição, minorias étnicas, o movimento da "Geração
de 88" e ainda os monges que tomaram parte nos protestos de 2007”, explicou
Bridget Welsh, uma analista junto da Universidade de Singapura, à televisão Al
Jazeera.
“Penso que aqui há duas coisas muito importantes. Primeiro temos um Presidente reformador que está realmente a forçar uma mudança e a procurar um reconhecimento internacional da legitimidade do governo,“ referiu Welsh, sublinhando ainda o fato destas mudanças surgirem após diálogo fulcral do regime com o Reino Unido e os Estados Unidos.