EUA suspendem despedimento de trabalhadores do setor nuclear
O Departamento de Energia inverteu as ordens de demissão de funcionários federais encarregados de programas de armas nucleares, numa reviravolta que os confundiu e deixou especialistas a alertar para riscos dos cortes em curso, noticiou a Associated Press.
Três responsáveis norte-americanos, que falaram à agência de notícias norte-americana "sob condição de anonimato por temerem retaliações", disseram que até 350 funcionários da Administração Nacional de Segurança Nuclear (NNSA, na sigla original) foram despedidos na quinta-feira à noite, com alguns a perderem o acesso ao correio eletrónico e a não poderem aceder ao local de trabalho, na sexta-feira de manhã.
Na sexta-feira à noite, a diretora interina do Departamento de Energia, Teresa Robbins, emitiu um memorando a revogar as demissões de quase todos os funcionários despedidos.
"Esta missiva serve como notificação formal de que a decisão de rescisão emitida em 13 de fevereiro de 2025 foi rescindida, com efeitos imediatos", lê-se no memorando, obtido no domingo pela Associated Press (AP).
A fábrica da Pantex, perto de Amarillo, no Texas, que opera na remontagem de ogivas nucleares, foi uma das mais afetadas pelos despedimentos, segundo a AP, tendo sofrido cortes de 30%.
Estratégia liderada por Elon Musk
As centenas de despedimentos na NNSA fazem parte da estratégia para o Departamento de Energia do chamado Departamento de Eficiência do Governo (DOGE), liderado por Elon Musk, que tem como alvo perto de 2.000 funcionários do setor.
A entrada na reforma de funcionários mais antigos da NNSA, nos últimos anos, custou à agência conhecimento institucional, escreve a AP. A situação vinha a ser superada com um esforço de modernização e investimentos de 750 mil milhões de dólares (714 mil milhões de euros), a aplicar em novos mísseis balísticos intercontinentais terrestres, novos bombardeiros e novas ogivas para submarinos.
O diretor de segurança de energia nuclear da Union of Concerned Scientists, Edwin Lyman, disse à AP que os cortes podem perturbar o funcionamento diário da NNSA e criar uma sensação de instabilidade em relação ao programa nuclear, tanto no país como no estrangeiro.