Eurodeputado português defende oposição iraniana e alerta para perigos do regime

Eurodeputado português defende oposição iraniana e alerta para perigos do regime

O eurodeputado português Paulo Casaca defendeu hoje, em Paris, que o grupo "Mujaidine do Povo do Irão" deixe de ser classificado como terrorista para poder contrariar o perigo de o Irão liderar a jihad islâmica.

Agência LUSA /

"O jihadismo [movimento que defende a guerra santa islâmica] tem todas as condições para ser comandado agora pelo Irão", afirmou o eurodeputado socialista, à margem da apresentação de um relatório sobre os "Mujaidine do Povo do Irão", elaborado em conjunto com o alemão Andre Brie.

Defendendo o apoio à oposição iraniana, em particular aos "Mujaidine do Povo", Casaca sublinhou que a "desclassificação (nas listas dos Estados Unidos e da União Europeia) é prioritária" porque "esta situação gera desconfiança", nomeadamente junto das organizações internacionais, que temem ser criticadas por trabalhar com este grupo.

"É o principal obstáculo à luta contra o regime iraniano", sustentou.

O relatório hoje apresentado em Paris nega a existência de detenções e alegadas torturas no campo de Ashraf, no Iraque, principal base dos Mujaidine, localizado 100 quilómetros a oeste da fronteira iraniana e 100 quilómetros a norte de Bagdad.

O documento, apresentado pela primeira vez em Setembro em Bruxelas, pretende contrariar um estudo da organização Human Rights Watch (HRW) em que se denuncia o desrespeito pelos direitos humanos em Ashraf e classificado pelo eurodeputado como "mera fantasia".

Ao apresentar pela primeira vez o relatório, a advogada britânica Azadeh Zabeti pôs em causa os métodos de investigação da HRW, as testemunhas ouvidas e o facto de não ter sido feita uma deslocação ao terreno, qualificando por oposição o relatório de Paulo Casaca e do alemão André Brie como uma "investigação independente".

Em declarações à Agência Lusa, Paulo Casaca referiu o "impacto importante" deste documento, a par da sua actividade em prol da oposição iraniana, que o torna alvo de uma "máquina de propaganda impressionante" manobrada por Teerão, recebendo regularmente cartas anónimas ou insultos em páginas de Internet.

É também como resultado da propaganda iraniana que o eurodeputado encara a notícia do semanário Expresso sobre os seus alegados "amigos terroristas". O jornal refere-se ao facto de Paulo Casaca ter contratado para assistente Firouz Mahvi, membro do Conselho Nacional da Resistência do Irão, organismo ligado aos "Mujaidine do Povo do Irão".

"Fiquei surpreendido com as fontes diplomáticas europeias citadas pelo Expresso, até porque nos últimos dias tinha escrito três cartas à Comissão Europeia para clarificar palavras que pareciam alinhadas com o regime de Teerão", disse, questionando a origem da informação.

"Não posso deixar de notar a coincidência", frisou, acrescentando que exerceu o direito de resposta e que o jornal será alvo de um processo em tribunal.

Co-presidente do grupo Amigos do Irão Livre, no Parlamento Europeu, onde participam deputados de várias nacionalidades, Paulo Casaca entende que é preciso ajudar a oposição iraniana e aponta os "Mujaidine do Povo" como o principal movimento que contesta o regime de Teerão.

Criada em 1965 em oposição ao Xá do Irão, a organização dos "Mujaidine do Povo do Irão" foi responsável nas décadas seguintes por vários atentados mortíferos, mas em 2003 anunciou um cessar-fogo.

Hoje são chefiados por Maryam e Massoud Rajavi e terão vários milhares de militantes por todo o mundo.

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