Mundo
Europa enfrenta o pico da segunda onda de calor do mês
França, Espanha e Itália são os países mais afetados pela onda de calor até à data. França registou o seu dia mais quente de junho na terça-feira, com uma média de 29,8.°C.
De acordo com o serviço meteorológico público Météo-France, terça-feira foi "o dia mais quente alguma vez registado em França" desde o início das medições em 1947, depois de uma noite que já tinha batido recordes: nenhum alívio para quem sofre com temperaturas acima dos 40.°C, especialmente no oeste do país – que geralmente tem um clima mais ameno.
A Météo France informou que o alerta vermelho em grande parte de França será alargado na tarde desta quarta-feira, de 54 para 58 dos 96 departamentos metropolitanos do país, incluindo várias áreas no noroeste.França vive o quarto dia consecutivo sob alerta vermelho de onda de calor esta quarta-feira. O indicador nacional de temperatura, uma média de várias estações de referência, atingiu os 29,8.°C na terça-feira, de acordo com os dados provisórios. Esta temperatura é superior aos anteriores recordes de 25 de julho de 2019 e 5 de agosto de 2003 (29,4.°C).
Mais de 90 por cento da população francesa está exposta ao calor extremo, com temperaturas entre os 39 e os 41.°C ainda previstas para quarta-feira em grande parte do oeste de França.
A presidente da região de Île-de-France, que abrange toda a área de Paris, Valérie Pécresse, pediu à população que não viaje e trabalhe a partir de casa: "Os carris não suportam temperaturas acima dos 50.°C. Por isso, teremos muitos transtornos nos transportes públicos."
Aproximadamente 68 mil casas francesas ficaram sem energia na manhã desta quarta-feira na Bretanha, no oeste do país, devido a um incidente relacionado com o calor num transformador, anunciou a câmara municipal de Finistère. Massa de ar quente na Europa Ocidental
Uma enorme massa de ar quente vinda de África instalou-se sobre a Europa Ocidental, onde os sistemas de alta pressão em altitude a estão a "comprimir", explicou o meteorologista Sébastien Léas à AFP. "E quando a comprime (...), fica ainda mais quente."
A onda de calor deverá deslocar-se para leste, atravessando o continente europeu. Os Países Baixos deverão ser afetados pela onda de calor de quarta-feira, a Polónia a partir de quinta-feira. A Áustria, a Croácia e a Hungria também estão a preparar-se.
Em Espanha, as temperaturas deverão ultrapassar os 40.°C em algumas zonas, com alertas vermelhos na Andaluzia, a sul, e na Cantábria e no País Basco, a norte, no terceiro dia de uma onda de calor nacional.
Espanha está mais exposta aos efeitos das alterações climáticas do que quase qualquer outro país europeu. O serviço meteorológico estatal Aemet afirma que as ondas de calor em junho estão a tornar-se cada vez mais comuns, tendo sido registadas 10 entre 2000 e 2025, e apenas duas nos 25 anos anteriores.
O Aemet prevê que as temperaturas possam ultrapassar os 44.°C nas zonas rurais perto da cidade de Córdoba, no sul do país, na terça-feira, enquanto no vale do Ebro, no nordeste, podem ultrapassar os 42.°C. Em 101 das 828 estações meteorológicas da Aemet, as temperaturas atingiram ou ultrapassaram os 40.°C na segunda-feira, tendo sido registados 45.°C em Andújar.
"Há evidências de que as ondas de calor estão a ocorrer com mais frequência no início do verão do que nas décadas anteriores", disse Rubén del Campo, da Aemet, à imprensa espanhola.
Os meteorologistas espanhóis dizem que as temperaturas na Península Ibérica vão começar a descer a partir de quarta-feira, mas deverão atingir o pico nos Países Baixos, Bélgica e Alemanha na sexta-feira.Em Itália, foi declarado um alerta vermelho de onda de calor em 15 cidades, incluindo Roma, Milão, Florença, Turim e Veneza. O alerta sinaliza condições que podem representar riscos para a saúde até para adultos saudáveis, não apenas para idosos ou pessoas com doenças crónicas.
O Ministério italiano da Saúde recomenda refeições ligeiras, permanecer em ambientes fechados durante as horas mais quentes do dia e refrescar-se com água fria.
O governo italiano reativou medidas de proteção laboral de emergência destinadas a proteger os trabalhadores mais expostos ao sol, incluindo os trabalhadores agrícolas e da construção civil, da obrigação de trabalhar durante as horas de maior calor.
As empresas que interromperem ou reduzirem as suas operações devido a ondas de calor perigosas podem agora aceder a apoio estatal para o regime de lay-off.
O serviço meteorológico holandês, KNMI, emitiu um alerta laranja, que se refere a uma "alta probabilidade de condições meteorológicas perigosas" nas regiões sul e centro do país, de quarta a sexta-feira.
Os portadores do "City Pass" poderão nadar gratuitamente de quarta-feira a sábado em seis piscinas exteriores em Amesterdão. A cidade explicou que considera "importante que todos tenham a oportunidade de se refrescar".
Após uma reunião na terça-feira, o Grupo de Gestão de Risco da Bélgica anunciou a ativação da "fase de alerta do plano nacional de ozono e calor" pela segunda vez. A primeira vez foi em agosto de 2020, embora não tenha sido anunciada nenhuma medida nacional específica, para além de alertar a população e pedir cuidados redobrados com idosos e crianças.
O Atomium de Bruxelas, um dos monumentos mais visitados da Bélgica, decidiu reduzir o seu horário de visita ao público a partir de quarta-feira, durante três dias, devido ao calor extremo. Este edifício, com as suas famosas esferas, é feito de aço inoxidável, uma liga propensa ao sobreaquecimento.
Em Inglaterra, centenas de escolas fecharam mais cedo e outras vão permanecer encerradas até quinta-feira à noite, enquanto o Reino Unido se prepara para dois dias de temperaturas recorde.
"É justo dizer que o parque escolar do Reino Unido não está preparado para tanto calor. Temos um grande número de edifícios muito antigos", disse James Bowen, secretário-geral adjunto da Associação Nacional de Diretores de Escolas, à AFP.Na Grã-Bretanha, a operadora da rede elétrica solicitou que os produtores disponibilizassem mais energia no meio das altas temperaturas, que deverão bater recordes ainda esta quarta-feira.
Com temperaturas próximas dos 40.°C, as autoridades de saúde britânicas emitiram um alerta de saúde de "calor vermelho", pela segunda vez na história, alertando para o risco de vida mesmo para pessoas saudáveis, bem como para doentes e idosos.
Os operadores ferroviários britânicos recomendaram apenas viagens essenciais nos dois dias mais quentes, quarta e quinta-feira, uma vez que o calor impôs restrições de velocidade.Bloqueio ómega
Não se sabe ao certo quanto tempo durará a atual onda de calor, impulsionada por um padrão climático conhecido como bloqueio ómega, devido a uma configuração que permite o aumento das temperaturas dia após dia.
A Europa está a aquecer a um ritmo mais do dobro da média global, segundo a Organização Meteorológica Mundial, o que torna cada vez mais prováveis os episódios prolongados de calor.
As alterações climáticas estão a provocar ondas de calor mais intensas no verão, maior pressão sobre o abastecimento de água na Europa e incêndios florestais mais graves. No ano passado, mais de um milhão de hectares foram queimados em toda a Europa - um nível recorde - com Espanha a ser particularmente afetada.
A Météo France informou que o alerta vermelho em grande parte de França será alargado na tarde desta quarta-feira, de 54 para 58 dos 96 departamentos metropolitanos do país, incluindo várias áreas no noroeste.França vive o quarto dia consecutivo sob alerta vermelho de onda de calor esta quarta-feira. O indicador nacional de temperatura, uma média de várias estações de referência, atingiu os 29,8.°C na terça-feira, de acordo com os dados provisórios. Esta temperatura é superior aos anteriores recordes de 25 de julho de 2019 e 5 de agosto de 2003 (29,4.°C).
Mais de 90 por cento da população francesa está exposta ao calor extremo, com temperaturas entre os 39 e os 41.°C ainda previstas para quarta-feira em grande parte do oeste de França.
A presidente da região de Île-de-France, que abrange toda a área de Paris, Valérie Pécresse, pediu à população que não viaje e trabalhe a partir de casa: "Os carris não suportam temperaturas acima dos 50.°C. Por isso, teremos muitos transtornos nos transportes públicos."
Aproximadamente 68 mil casas francesas ficaram sem energia na manhã desta quarta-feira na Bretanha, no oeste do país, devido a um incidente relacionado com o calor num transformador, anunciou a câmara municipal de Finistère. Massa de ar quente na Europa Ocidental
Uma enorme massa de ar quente vinda de África instalou-se sobre a Europa Ocidental, onde os sistemas de alta pressão em altitude a estão a "comprimir", explicou o meteorologista Sébastien Léas à AFP. "E quando a comprime (...), fica ainda mais quente."
A onda de calor deverá deslocar-se para leste, atravessando o continente europeu. Os Países Baixos deverão ser afetados pela onda de calor de quarta-feira, a Polónia a partir de quinta-feira. A Áustria, a Croácia e a Hungria também estão a preparar-se.
Em Espanha, as temperaturas deverão ultrapassar os 40.°C em algumas zonas, com alertas vermelhos na Andaluzia, a sul, e na Cantábria e no País Basco, a norte, no terceiro dia de uma onda de calor nacional.
Espanha está mais exposta aos efeitos das alterações climáticas do que quase qualquer outro país europeu. O serviço meteorológico estatal Aemet afirma que as ondas de calor em junho estão a tornar-se cada vez mais comuns, tendo sido registadas 10 entre 2000 e 2025, e apenas duas nos 25 anos anteriores.
O Aemet prevê que as temperaturas possam ultrapassar os 44.°C nas zonas rurais perto da cidade de Córdoba, no sul do país, na terça-feira, enquanto no vale do Ebro, no nordeste, podem ultrapassar os 42.°C. Em 101 das 828 estações meteorológicas da Aemet, as temperaturas atingiram ou ultrapassaram os 40.°C na segunda-feira, tendo sido registados 45.°C em Andújar.
"Há evidências de que as ondas de calor estão a ocorrer com mais frequência no início do verão do que nas décadas anteriores", disse Rubén del Campo, da Aemet, à imprensa espanhola.
Os meteorologistas espanhóis dizem que as temperaturas na Península Ibérica vão começar a descer a partir de quarta-feira, mas deverão atingir o pico nos Países Baixos, Bélgica e Alemanha na sexta-feira.Em Itália, foi declarado um alerta vermelho de onda de calor em 15 cidades, incluindo Roma, Milão, Florença, Turim e Veneza. O alerta sinaliza condições que podem representar riscos para a saúde até para adultos saudáveis, não apenas para idosos ou pessoas com doenças crónicas.
O Ministério italiano da Saúde recomenda refeições ligeiras, permanecer em ambientes fechados durante as horas mais quentes do dia e refrescar-se com água fria.
O governo italiano reativou medidas de proteção laboral de emergência destinadas a proteger os trabalhadores mais expostos ao sol, incluindo os trabalhadores agrícolas e da construção civil, da obrigação de trabalhar durante as horas de maior calor.
As empresas que interromperem ou reduzirem as suas operações devido a ondas de calor perigosas podem agora aceder a apoio estatal para o regime de lay-off.
O serviço meteorológico holandês, KNMI, emitiu um alerta laranja, que se refere a uma "alta probabilidade de condições meteorológicas perigosas" nas regiões sul e centro do país, de quarta a sexta-feira.
Os portadores do "City Pass" poderão nadar gratuitamente de quarta-feira a sábado em seis piscinas exteriores em Amesterdão. A cidade explicou que considera "importante que todos tenham a oportunidade de se refrescar".
Após uma reunião na terça-feira, o Grupo de Gestão de Risco da Bélgica anunciou a ativação da "fase de alerta do plano nacional de ozono e calor" pela segunda vez. A primeira vez foi em agosto de 2020, embora não tenha sido anunciada nenhuma medida nacional específica, para além de alertar a população e pedir cuidados redobrados com idosos e crianças.
O Atomium de Bruxelas, um dos monumentos mais visitados da Bélgica, decidiu reduzir o seu horário de visita ao público a partir de quarta-feira, durante três dias, devido ao calor extremo. Este edifício, com as suas famosas esferas, é feito de aço inoxidável, uma liga propensa ao sobreaquecimento.
Em Inglaterra, centenas de escolas fecharam mais cedo e outras vão permanecer encerradas até quinta-feira à noite, enquanto o Reino Unido se prepara para dois dias de temperaturas recorde.
"É justo dizer que o parque escolar do Reino Unido não está preparado para tanto calor. Temos um grande número de edifícios muito antigos", disse James Bowen, secretário-geral adjunto da Associação Nacional de Diretores de Escolas, à AFP.Na Grã-Bretanha, a operadora da rede elétrica solicitou que os produtores disponibilizassem mais energia no meio das altas temperaturas, que deverão bater recordes ainda esta quarta-feira.
Com temperaturas próximas dos 40.°C, as autoridades de saúde britânicas emitiram um alerta de saúde de "calor vermelho", pela segunda vez na história, alertando para o risco de vida mesmo para pessoas saudáveis, bem como para doentes e idosos.
Os operadores ferroviários britânicos recomendaram apenas viagens essenciais nos dois dias mais quentes, quarta e quinta-feira, uma vez que o calor impôs restrições de velocidade.Bloqueio ómega
As alterações climáticas estão a aumentar as temperaturas em todo o mundo, mas particularmente na Europa. É o continente que aquece mais rapidamente, duas vezes mais depressa do que a média global, segundo o serviço climático Copernicus.
Espanha, Itália, Portugal, França, Bélgica, Alemanha, Países Baixos, Reino Unido, Suíça, Áustria e Macedónia são alguns dos países que estão a ser atingidos pela onda de calor.
Não se sabe ao certo quanto tempo durará a atual onda de calor, impulsionada por um padrão climático conhecido como bloqueio ómega, devido a uma configuração que permite o aumento das temperaturas dia após dia.
A Europa está a aquecer a um ritmo mais do dobro da média global, segundo a Organização Meteorológica Mundial, o que torna cada vez mais prováveis os episódios prolongados de calor.
As alterações climáticas estão a provocar ondas de calor mais intensas no verão, maior pressão sobre o abastecimento de água na Europa e incêndios florestais mais graves. No ano passado, mais de um milhão de hectares foram queimados em toda a Europa - um nível recorde - com Espanha a ser particularmente afetada.
O mundo deve agir com "muito mais urgência" para limitar o aquecimento global, afirmou na terça-feira o secretário-geral da ONU, António Guterres, dirigindo-se especificamente aos responsáveis das principais empresas de inteligência artificial. "Não podemos continuar a depender de um sistema baseado em combustíveis fósseis que alimenta tanto a crise climática como a crise energética".
Mortes por afogamento
Quarenta pessoas morreram afogadas em França desde quinta-feira, na sequência da onda de calor, informou o primeiro-ministro Sébastien Lecornu. As temperaturas atingiram níveis recorde em várias cidades.
Entre as vítimas mortais estava uma menina de 13 anos que tinha ido nadar com a família para o rio Sena, em Fontaine-La Port, no domingo à noite, embora não soubesse nadar.
Entretanto, um jovem jogador de futebol profissional estava em estado crítico no hospital depois de ter sido retirado do rio Ródano num parque perto de Lyon. Os serviços de emergência foram acionados para resgatar quatro jovens que se afogaram numa zona do rio onde o banho é proibido.
Outras duas mortes na segunda-feira foram também atribuídas ao calor extremo em França, depois de crianças de dois e quatro anos terem sido encontradas dentro do carro da família num parque de estacionamento na cidade de Carpentras, no sul do país.
Várias pessoas morreram também afogadas na Alemanha, uma vez que as temperaturas deverão atingir os 40.°C no oeste e sudoeste do país até ao final da semana.
A Associação Alemã de Salvamento Aquático (DLRG) informou que ocorreram seis acidentes fatais em águas abertas entre sexta-feira e domingo, sendo que os homens, em particular, estavam a sobrestimar as suas capacidades na água.
Três corpos foram encontrados no Reno, perto da cidade de Biblis, no sudoeste do país, dias depois de três homens, de 23, 27 e 50 anos, terem sido dados como desaparecidos em duas zonas diferentes do rio.
Entre as vítimas mortais estava uma menina de 13 anos que tinha ido nadar com a família para o rio Sena, em Fontaine-La Port, no domingo à noite, embora não soubesse nadar.
Entretanto, um jovem jogador de futebol profissional estava em estado crítico no hospital depois de ter sido retirado do rio Ródano num parque perto de Lyon. Os serviços de emergência foram acionados para resgatar quatro jovens que se afogaram numa zona do rio onde o banho é proibido.
Outras duas mortes na segunda-feira foram também atribuídas ao calor extremo em França, depois de crianças de dois e quatro anos terem sido encontradas dentro do carro da família num parque de estacionamento na cidade de Carpentras, no sul do país.
Várias pessoas morreram também afogadas na Alemanha, uma vez que as temperaturas deverão atingir os 40.°C no oeste e sudoeste do país até ao final da semana.
A Associação Alemã de Salvamento Aquático (DLRG) informou que ocorreram seis acidentes fatais em águas abertas entre sexta-feira e domingo, sendo que os homens, em particular, estavam a sobrestimar as suas capacidades na água.
Três corpos foram encontrados no Reno, perto da cidade de Biblis, no sudoeste do país, dias depois de três homens, de 23, 27 e 50 anos, terem sido dados como desaparecidos em duas zonas diferentes do rio.
c/agências