Eventos climáticos extremos são uma ameaça crescente para democracia

Eventos climáticos extremos são uma ameaça crescente para democracia

Um relatório publicado hoje pelo instituto internacional IDEA, que documenta quase uma centena de eleições e referendos interrompidos ao longo de duas décadas, aponta que inundações, incêndios e outros eventos climáticos extremos representam uma ameaça crescente à democracia.

Lusa /
TVNZ via Reuters

Entre 2006 e 2025, pelo menos 26 eleições e referendos foram adiados, total ou parcialmente, devido a catástrofes naturais, de acordo com o relatório do instituto internacional IDEA, que documenta pelo menos 94 eleições e referendos interrompidos em 52 países.

A organização, sediada em Estocolmo e dedicada à democracia, publicou o estudo para coincidir com o Dia da Terra, que se celebra anualmente a 22 de abril.

Outros referendos e eleições foram interrompidos por inundações, furacões, ondas de calor e deslizamentos de terra, num contexto de alterações climáticas que estão a agravar os eventos climáticos extremos.

Só em 2024, o clima extremo interrompeu 23 eleições em 18 países, de acordo com o relatório "Gerir Riscos Naturais e Climáticos em Eleições".

"Desde furacões e inundações a incêndios florestais e ondas de calor, estes eventos danificam as infraestruturas, deslocam os eleitores e obrigam a mudanças de última hora nos processos eleitorais", escreveu o IDEA, em comunicado.

O relatório menciona o impacto do furacão Sandy nas eleições norte-americanas de 2012, do sismo de 2023 nas eleições presidenciais e parlamentares da Turquia e de uma intensa onda de calor nas eleições de 2025 nas Filipinas.

"À medida que os riscos relacionados com o clima se intensificam, espera-se que a pressão sobre os sistemas democráticos já frágeis aumente", escreveu a organização.

"As eleições devem ser realizadas quando o risco de desastre é menor; em alguns casos, os órgãos de gestão eleitoral também terão de considerar a alteração do calendário eleitoral para reduzir o risco de perturbações causadas por desastres de curta duração", afirma Sarah Birch, professora de Ciência Política na universidade britânica King`s College London.

O parlamento da província de Alberta, no oeste do Canadá, por exemplo, transferiu a data fixa das eleições de maio --- durante a época de incêndios florestais --- para outubro, a partir de 2027.

Os eventos climáticos extremos também podem ter efeitos a longo prazo na democracia, segundo o relatório.

"A precariedade e o trauma associados a catástrofes naturais podem exacerbar as queixas dos cidadãos afetados, facilitar a disseminação de teorias da conspiração e impor dificuldades adicionais aos mais vulneráveis", refere o IDEA.

As instituições democráticas devem ser consideradas "infraestrutura crítica sensível às ameaças ambientais e que requer proteção especial", acrescentam os autores do relatório, que instam os países a incluir os processos eleitorais nos planos nacionais de adaptação às alterações climáticas.

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