Ex-chefe da Armada guineense ilibado de participação em tentativa de golpe de Estado diz advogado
O Tribunal Militar Superior da Guiné-Bissau ilibou hoje o ex-chefe da Armada contra-almirante Bubo Na Tchuto de participação efetiva na tentativa de golpe de Estado de 01 de fevereiro de 2022, afirmou o seu advogado.
De acordo com Marcelino Intupé, cujas declarações foram transmitidas nos órgãos de comunicação social locais, o Tribunal Militar rejeitou, num acórdão divulgado hoje, o pedido de condenação de Na Tchuto a uma pena de seis anos, apresentado pela Promotoria da Justiça Militar.
Paralelamente, o tribunal decidiu pelo levantamento imediato da medida de coação TIR (Termo de Identidade e Residência) que impendia sobre o ex-chefe da Armada guineense, desde outubro passado, disse ainda o advogado.
"O Tribunal Militar está a demonstrar à sociedade guineense que cada vez mais funciona sob uma independência total", enfatizou o advogado, para quem aquela instância acabou por rejeitar a condenação de Bubo Na Tchuto "como pretendiam os políticos".
O advogado afirmou que o ex-chefe da Armada guineense "é um homem livre" desde que foi colocado em liberdade provisória em outubro passado, após mais de três anos detido em aquartelamentos militares, sob acusação de ser o alegado líder da tentativa de golpe de 01 de fevereiro de 2022.
Nessa tentativa, homens armados abriram fogo contra membros do Governo que se encontravam numa reunião do Conselho de Ministros, sob a presidência do então chefe de Estado guineense, Umaro Sissoco Embaló.
As autoridades políticas e militares afirmam que morreram 11 pessoas, na sua maioria elementos da guarda presidencial e Bubo Na Tchuto era apontado como sendo o líder da ação, da qual começou a ser julgado em setembro de 2024 e posto em liberdade provisória em outubro último, no meio de vários adiamentos das audiências.
A tentativa de golpe, conhecida na Guiné-Bissau por "caso 01 de fevereiro", resultou na detenção e mais tarde no julgamento de mais de 50 pessoas, entre civis e militares, sendo que, em fevereiro de 2025, 14 acabaram condenadas a penas de prisão efetiva entre 12 e 29 anos.
Vários detidos foram postos em liberdade por falta de provas do seu envolvimento no caso.