Ex-chefe militar boliviano acusado de revolta em 2024 fica em prisão domiciliária

Ex-chefe militar boliviano acusado de revolta em 2024 fica em prisão domiciliária

Um juiz concedeu prisão domiciliária ao ex-comandante do Exército da Bolívia acusado de liderar uma revolta em 2024, no dia em que teve início o julgamento deste caso, pelo qual se encontra detido há dois anos.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
General Juan José Zúñiga liderou levantamento militar que tentou tomar à força o Palácio do Governo, em La Paz, na Bolívia | Daniel Miranda - AFP

"Foi decidido conceder a liberdade ao senhor Juan José Zúñiga, mediante a aplicação de medidas alternativas à prisão preventiva", indicou, na segunda-feira, o advogado de defesa do ex-chefe militar, Eduardo León.

O advogado referiu que a decisão deve ser cumprida nas próximas "72 horas" e que, por enquanto, Zúñiga permanece na prisão de San Pedro, em La Paz, embora estivesse a cumprir a prisão preventiva num estabelecimento prisional da cidade central de Cochabamba.

León precisou que o cliente "vai ficar em La Paz" e "vai transferir a família" para essa cidade, para "estar presente em todas as fases do julgamento oral", que teve início na sede do Governo e do Parlamento e que prossegue hoje.

O julgamento contra o ex-comandante e outros arguidos teve início na segunda-feira, mas foi suspenso após ter sido ouvido um dos vinte e um depoimentos previstos nesta fase, afirmou um dos advogados dos arguidos.

Zúñiga foi transportado de avião de Cochabamba para La Paz para o início deste processo relativo aos acontecimentos de 26 de junho de 2024, quando vários militares sob liderança do ex-comandante ocuparam a sede presidencial durante algumas horas, o que foi qualificado pelo então Governo de Luis Arce (2020-2025) como uma tentativa de "golpe de Estado".

Durante aquele dia, os militares chegaram mesmo a derrubar com um tanque a porta do antigo Palácio do Governo em La Paz, embora o incidente tenha terminado com a retirada das tropas do Exército.

Arce destituiu o então chefe militar nesse mesmo dia e, poucas horas depois, Zúñiga foi detido e encarcerado. Posteriormente, o militar foi acusado de "terrorismo, revolta armada e incumprimento de deveres".

Quando foi detido em 2024, Zúñiga acusou Arce de ter ordenado a ação militar para "aumentar a popularidade", face a alguns protestos anunciados devido à crise económica que começava a sentir-se no país.

A oposição à época e o ex-presidente Evo Morales (2006-2019) - que se distanciou de Arce -, concordaram separadamente que se tratou de um "autogolpe", enquanto o então chefe de Estado e quem o rodeava insistiram que foi um "golpe de Estado falhado".

Arce encontra-se em prisão preventiva desde dezembro numa cadeia em La Paz devido a um caso de alegada corrupção.

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