Ex-guarda nazi de 95 anos deportado pelos EUA

Ex-guarda nazi de 95 anos deportado pelos EUA

Jakiw Palij de 95 anos, ex-guarda nazi, chegou à Alemanha depois de anos de espera pela deportação nos Estados Unidos. Palij estava associado à organização militar - Schutzstaffel - ligada ao partido nazi e a Adolf Hitler.

RTP /
Houve vários protestos em frente à casa de Palij, em Queens. Mike Segar - Reuters

Foi em 1943 que Palij foi para o campo de concentração de Trawniki, na Polónia. O campo era conhecido pelo treino de milhares de civis que se tornaram guardas noutros campos de concentração nazi - Sobibor, Treblinka e Belzec.

O ex-guarda foi acusado de trabalhar num campo de concentração em Treblinka, que acolheu cerca de seis mil judeus. No dia em que chegaram - 3 novembro de 1943 - todos foram mortos.

O trabalho mais notório que fez em campo foi com John Demjanjuk – condenado por crimes de guerra associados ao Holocausto. Acabou por ser deportado pelos EUA em 2009.

Segundo a BBC, num comunicado da Casa Branca é feita referência ao trabalho de Palij na guarda armada e o “papel indispensável” para garantir que os judeus fossem mortos.Em 1949 Palij chegou aos Estados Unidos, mas só em 1957 é que recebeu cidadania.

Embora um tribunal dos EUA tenha decidido que Palij ajudava na perseguição a prisioneiros, não foi considerado responsável pelas mortes. Em 2003 disse ao New York Times que nunca tinha colocado “os pés” num campo de concentração e que aceitou trabalhar como guarda porque acreditava que os nazis matavam a sua própria família se ele recusasse – tinha 18 anos na altura.

Na segunda-feira, a ABC News esteve presente quando Palij foi retirado de casa numa cadeira de rodas. Representantes do ex-guarda nazi não responderam a nenhuma pergunta.
Não se sabe se Palij irá enfrentar um processo na Alemanha, uma vez que não é um cidadão alemão.

Um porta-voz da Casa Branca disse em comunicado que Palij tinha mentido sobre ser nazi, o que o levou a ficar vários anos nos Estados Unidos. “A deportação de Palij envia uma mensagem forte: Os Estados Unidos não vão tolerar aqueles que ajudaram nos crimes nazis e noutras violações dos direitos humanos. Em solo americano não vão encontrar um refúgio seguro”, acrescentou.

Richard Grenell, embaixador dos Estados Unidos na Alemanha, foi responsável pela deportação. Trump disse ao embaixador que quando chegasse de Berlim, a prioridade era a deportação de Palij.

Os esforços de Grenell foram reconhecidos por diplomatas dos EUA.

Demora na deportação

Segundo a BBC, as autoridades dos Estados Unidos não conseguiram convencer a Alemanha, a Ucrânia ou a Polónia a aceitá-lo, uma vez que nunca teve cidadania alemã e nasceu na Ucrânia.

O Richard Grenell comunicou que a mudança de opinião ocorreu durante um encontro no gabinete da chanceler Angela Merkel, no início deste ano.

Heiko Maas, ministro das Relações Exterior de centro-esquerda, disse ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine, que a Alemanha tinha “o dever moral” de “aceitar e enfrentar os crimes do reinado de terror nazi”.

Relatórios alemães informaram que Palij foi levado para uma casa de repouso em Ahlen, perto de Munique.
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