Ex-líder costa-riquenha quer ser "voz moral e imparcial" da ONU e promete diálogo

Ex-líder costa-riquenha quer ser "voz moral e imparcial" da ONU e promete diálogo

A ex-vice-presidente da Costa Rica Rebeca Grynspan garantiu hoje que vai ser uma "voz moral e imparcial" e prometeu dialogar com todos os membros do Conselho de Segurança. 

Lusa /

No final de uma audição de três horas, em que respondeu a perguntas dos Estados-membros e de entidades da sociedade civil sobre a candidatura à liderança da ONU, Rebeca Grynspan descreveu-se, numa conferência de imprensa, em Nova Iorque, como uma candidata muito completa.

"Tenho muita experiência. Já lidei com situações muito difíceis. Sei como resistir à pressão, defender os princípios e continuar a ser a voz moral e imparcial que o secretário-geral deve ser. Mas quero diálogo", disse.

A costa-riquenha mostrou especial interesse em manter um envolvimento com todos os 15 Estados-membros do Conselho de Segurança, incluindo os cinco membros permanentes - China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia -, e admitiu a possibilidade de vir a participar até mesmo nas consultas informais deste importante órgão da ONU, caso seja eleita secretária-geral.

"Porque acho que esta relação precisa de ser construída desde o início", defendeu.

"A confiança não é fácil de construir. Mas é necessário construir confiança e relações. Acredito mesmo nisso e não creio que nenhum destes líderes rejeite esta proposta. E como disse, suportarei o custo da rejeição, mas tentarei, e tentarei novamente, e terei melhores argumentos na segunda vez do que na primeira, e trarei as provas e trarei a minha integridade e a minha imparcialidade para as apresentar", acrescentou.

Rebeca Grynspan, ouvida no segundo dia de diálogos interativos com os candidatos a secretário-geral da ONU, afirmou que a sua candidatura está alicerçada na fé que mantém na Carta fundadora da ONU, na recusa em normalizar o sofrimento humano, na defesa da dignidade humana e na promessa de salvar as gerações futuras.

Contudo, observou que a paz está agora em perigo, porque a confiança na ONU está a diminuir e o tempo para a restaurar "está a esgotar-se".

Grynspan suspendeu a sua liderança da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) quando se tornou candidata à sucessão de António Guterres, respeitando uma resolução da Assembleia-geral que pedia aos funcionários da ONU que considerassem suspender funções durante a campanha, para evitar conflitos de interesse.

Economista, ex-vice-presidente da Costa Rica - país que a nomeou oficialmente - e primeira mulher a liderar a UNCTAD em 60 anos de história, Grynspan é uma líder experiente em instituições internacionais.

Com uma sólida trajetória em funções governativas, diplomacia da ONU, política económica e cooperação multilateral a nível global, recebeu em 2024 o Prémio de Negociadora do Ano de Doha por liderar os esforços da ONU para restaurar as rotas comerciais do mar Negro face à guerra iniciada pela Rússia na Ucrânia.

Em declarações aos jornalistas, Rebeca Grynspan assumiu ter uma vasta experiência em cooperação e garantiu que será "uma reformadora" da ONU.

"Estou pronta para começar", afirmou, depois de ter ouvido críticas de que a ONU precisa de ser mais focada, mais útil e mais recetiva, e sublinhou que a reforma da organização será uma das suas prioridades.

Caso seja selecionada, Grynspan será a primeira mulher a ocupar esse cargo nos 80 anos de história das Nações Unidas.

Nesse contexto, a candidata destacou que a ONU deve colaborar com a sociedade civil e, em particular, com as mulheres e as organizações "para maximizar o impacto" das Nações Unidas.

"As mulheres não são uma questão secundária. Somos metade da população. Devemos ser consideradas não pelas nossas vulnerabilidades, mas pelas nossas capacidades", defendeu.

Antes de Grynspan, a antiga presidente chilena Michelle Bachelet e o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, apresentarem, na terça-feira, a sua visão para a ONU.

Será ainda ouvido o ex-presidente senegalês Macky Sall.

A próxima pessoa a chefiar o Secretariado da ONU vai iniciar o mandato de cinco anos a 01 de janeiro de 2027, sucedendo ao antigo primeiro-ministro português António Guterres.

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