Ex-ministros do Nepal condenados por fraude ligada a emigração
A justiça nepalesa condenou dois ex-ministros e outras 14 pessoas a penas de prisão por terem extorquido dinheiro a cidadãos, prometendo-lhes residência no estrangeiro como refugiados, anunciou hoje um tribunal local.
O antigo vice-primeiro-ministro Top Bahadur Rayamajhi foi condenado terça-feira a quatro anos de prisão e ao pagamento de 40.000 rupias (228 euros).
O ex-ministro do Interior Bal Krishna Khand recebeu uma pena de dois anos de prisão e 20.000 rupias (114 euros) de multa, segundo Shiva Katiwada, porta-voz do tribunal distrital de Katmandu.
Rayamajhi foi considerado culpado de crimes contra o Estado, fraude e associação criminosa, enquanto Khand foi condenado por cumplicidade, num veredicto proferido na semana passada.
No início da década de 1990, mais de 100.000 pessoas de origem nepalesa fugiram do Butão - cerca de um sexto da população - depois de o reino budista ter tornado obrigatório o uso do traje nacional e restringido a utilização da língua nepalesa.
Os Lhotsampas, butaneses de língua nepalesa, foram privados de direitos civis quando o rei introduziu em 1985 a política "Uma nação, um povo". Muitos exilados foram colocados em campos de refugiados no Nepal.
Entre 2007 e 2018, foi implementado um programa de reinstalação em países terceiros, enviando refugiados para os Estados Unidos, Europa ou Austrália, entre outros destinos.
O esquema fraudulento que envolvia os ex-ministros começou após o fim desse programa. Os acusados terão extorquido grandes quantias a cidadãos nepaleses, prometendo fazê-los passar por refugiados para que pudessem emigrar.
Segundo os meios de comunicação locais, centenas de pessoas foram vítimas da manobra, afirmando que os burlões lhes retiraram o dinheiro sem qualquer ajuda posterior.