Ex-PR senegalês quer restaurar confiança na ONU e apostar na diplomacia preventiva
O ex-presidente senegalês Macky Sall afirmou hoje que, se for eleito secretário-geral da ONU, terá como principal prioridade restaurar a confiança nas Nações Unidas e apostar na diplomacia preventiva.
Sall, o último candidato à liderança da ONU a participar numa série de diálogos interativos com Estados-membros e organizações da sociedade civil, afirmou que quer contribuir para restaurar a confiança na organização multilateral, acalmar as tensões, reduzir a fragmentação e infundir uma esperança renovada na ação coletiva.
"Tal como consta na Carta das Nações Unidas, serei um secretário-geral imparcial, falando em nome de todos e que ouve todos. Serei um secretário-geral que une, que constrói pontes entre culturas e civilizações, entre o Oriente e o Ocidente, e entre o Norte e o Sul", disse, em Nova Iorque.
Prometeu também empenhar-me numa diplomacia preventiva, mais ativa em termos de alerta precoce, mediação e cooperação entre as Nações Unidas e as organizações regionais.
Dado o cenário de desafios urgentes que o mundo enfrenta e a promessa de oportunidades, o ex-chefe de Estado defendeu que o multilateralismo continua a ser indispensável para as ambições de salvaguardar a paz e a segurança internacionais, proteger os direitos humanos, promover o desenvolvimento e fomentar a cooperação entre os povos.
"É com este espírito que apresento a minha candidatura aos Estados-membros", declarou perante o corpo diplomático e organizações da sociedade civil, sublinhando que levará para a liderança da ONU a sua experiência de mais de 40 anos em cargos públicos, "desde os degraus mais baixos da carreira até ao mais alto cargo do Estado".
No início de março, Macky Sall entrou na corrida para secretário-geral após uma nomeação do Burundi, sendo potencialmente a candidatura mais polémica em competição.
A candidatura não foi apresentada pelo Senegal, uma vez que Macky Sall é acusado pelos novos dirigentes do seu país de ter ocultado dados económicos importantes, como a dívida pública.
A União Africana (UA) recusou apoiar a candidatura de Sall, depois de ter sido rejeitada por 20 dos 55 Estados-membros da organização.
Sall, 64 anos, que governou o Senegal de 2012 a 2024, é visto pelos seus apoiantes como um candidato capaz de conduzir negociações multilaterais em nome do continente, mas os seus detratores criticam o seu regime pela dura repressão aos protestos da oposição.
A falta de apoio consensual em África poderá enfraquecer a influência do continente no processo de seleção da ONU, onde o apoio regional é importante.
Na sua declaração de visão para o cargo, Sall afirmou que a ONU precisava de ser reformada, simplificada e modernizada.
Na audição de hoje, disse que a sua experiência à frente de um país em desenvolvimento ensinou-o que o financiamento público continua a ser insuficiente e difícil de mobilizar, particularmente quando se trata de infraestruturas e desenvolvimento.
Nesse sentido, propôs um financiamento para o desenvolvimento mais impulsionado pelas parcerias, investimentos e comércio, apoiado por um melhor acesso ao crédito, de forma a sustentar o crescimento e a prosperidade partilhados.
Assegurou igualmente que, se for eleito, dará continuidade aos esforços de reforma, lançados pelo atual secretário-geral, António Guterres.
Sublinhou que fará uma gestão transparente e rigorosa, orientada a partir de três "ações imperativas": racionalizar, simplificar e otimizar.
"Quero liderar uma ONU que utilize os seus recursos com sabedoria e a sua voz com responsabilidade. Uma ONU que apresente resultados que os Governos possam defender perante os seus cidadãos. Agora é o momento de tomar decisões ousadas com todos os Estados-membros", afirmou.
"Agora é a altura de fazer melhor com menos. Agora é o momento de concretizar todo o potencial das Nações Unidas. Agora é a hora. É assim que as Nações Unidas se manterão relevantes. É assim que reconquistaremos a confiança. A escolha é nossa. Somos mais fortes quando estamos unidos", concluiu.
Sall disputa o cargo com a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) Rafael Grossi e a ex-vice-presidente da Costa Rica Rebeca Grynspan.
A próxima pessoa a chefiar o Secretariado das Nações Unidas iniciará o mandato de cinco anos em 01 de janeiro de 2027, sucedendo ao antigo primeiro-ministro português António Guterres.